4 de maio de 2016

Um último esforço

Tempos atrás, eu jurei que não era nada. Que amar bastava. E só. Lembro de dizer, numa quarta-feira borrada pelos anos, que a gente ainda tinha muito que viver. Juntos, não? Mas aí veio a vida, com essa mania de me fazer perder o rumo, me mostrando quão enganada eu estive.

Eu sei que já é tarde, que você tá em outra e todas as coisas que meus amigos insistem em me lembrar, mas é que eu tenho tido essa vontade ultimamente, essa coceirazinha na alma me mandando dizer que não foi como das outras vezes, meu bem. Eu juro.

É que, quando ‘cê cruzou meu caminho, meu mapa astral inteiro se alinhou com o teu. E eu achei que bastava. Que meia dúzia de compatibilidades eram o suficiente para que a gente desse certo. Você dizia gostar das minhas loucuras. E eu sempre achei bonito gostar das loucuras de alguém. Parece meio poético, sabe?

Mas, de poesia mesmo, a gente não tinha sequer o ritmo. Era eu cá, você lá. Tão desencontrados, a partir de determinado momento, que nem no meio do caminho a gente conseguiu se encontrar. É que uma hora cansa. Cansa amar por um. Sentimento unilateral nunca foi meu forte, nem sofrimento contínuo. A alegria me cai bem, não isso.

Talvez seja natural. O fim, eu digo. Mas, parece que a gente nunca teve um final. Foi mais como um sentimento assassinado, interrompido; algo retirado bruscamente da vida. Deixou no lugar um espaço vazio de bordas afiadas, através do qual eu agora me arrasto, um último esforço para colocar para fora algo que eu deveria ter dito há muito tempo: adeus. 








27 de abril de 2016

Perdoa a bagunça


Cê perdoa, mas as xícaras tão manchadas, os pratos com os cantos quebrados e o coração cheio de marca das porradas que levei. Ainda têm umas dores, uns dessabores, umas lembranças ruins e uns pesadelos quando me lembro deles. Perdoa que eu ando um tanto cética e não dou mais bola pra música romântica, filme com final feliz ou clima de primeiro encontro. É que não acredito mais na felicidade de casal de primeiro mês, quero ver é casal sobrevivendo ao sétimo ano. Entende?

Cê perdoa as minhas cicatrizes e a alma cansada? E os traumas, e as histórias mal resolvidas, e os telefonemas no meio da balada pra dizer pra paixão antiga um pouco mais do mesmo: por que você falou que ia ser quando nunca foi?

Perdoa os dramas, os gritos, os choros, as risadas descontroladas, os colos que vou querer receber, os ataques na TPM, as dietas de segunda-feira, as neuras da adolescência que ainda não abandonei mesmo depois de ter mais de vinte anos na cara. Perdoa as brigas por política, perdoa os gritos contra gente machista, perdoa meu cansaço de tudo, de todos e de mim. Perdoa um pouco do que sou e perdoa por eu não ter: um pouco mais de calma.

Cê perdoa? Eu até te deixo entrar e dou casa, comida, carinho e companheirismo, mas você tem que encarar todo o resto. Cê encara? E você? Cê me dá café, amor e liberdade? E não me cobra, pelo amor de Deus, não me cobra mais nada porque eu não dou mais conta de ter que ser nada, porque ter-que-alguma-coisa foi o que sempre estragou tudo. E eu cansei de amor estragado.

Perdoa? Cê perdoa toda essa bagunça e não desiste de mim?
Então pode vir.


*Inspirado na frase "Perdoa o drama e não desiste de mim", da música Cena - Mallu Magalhães




24 de abril de 2016

Deixa Eu Te Contar

A vida apertou. A faculdade tá desgastante. Eu olho pra vários rostos e não reconheço ninguém. Onde é que foi parar a ingenuidade dos primeiros dias? O idealismo do começo de qualquer profissão? Essa vontade de fazer diferente, de ser diferente, de melhorar a nossa volta? Eu olho pra eles, eu olho para mim, e tenho me perguntado se é isso mesmo que faz sentido. Se viver é mesmo isso.

Derramei umas lágrimas que você não viu. Não é culpa sua, sabe? É mania minha mesmo de dormir chorando quando as coisas saem do eixo. Quando eu mesma perco o giro e caio de cara no chão. Me junto sozinha porque odeio pedir ajuda. E vou quebrada para todos os lugares porque não suporto a ideia de que as pessoas descubram.

Não conta pra ninguém que tô te contando. É que a vida tá difícil. É que a dor tá gigante. É que tudo que eu planejei tá dando tão errado, sabe? E meus sonhos ficam cada vez mais distantes. É que tá difícil pra caramba. E eu só tenho chorado. E eu só tenho desejado ficar no meu quarto, abraçada a mim mesma, sem precisar fazer nada. Mas eu tenho feito tanta coisa, sabe? Para tentar esquecer. E não esqueço.

O mundo não para. Ele gira mesmo quando estamos no chão, sem força pra sair do lugar. E cada volta abre uma ferida nova, nos derruba uma outra vez. Ninguém te escuta. Mas, cara, deixa eu te contar. Daqui do chão o céu fica assim, tão bonito. Que pena que você não pode ver. Eu queria não ter a obrigação de me levantar.

Tá doendo, sabe? Tá difícil, sabe? Mas descobri que o mundo não parar não impede a gente de chorar. E tenho chorado tanto, sabe? Não, você não sabe. Então deixa eu te contar. O amor às vezes machuca. As decepções podem nos destruir. Os amigos podem mudar de planos e ir embora quando quiser, sem dar satisfação para isso. O outro lado da linha pode ficar mudo – por qualquer que seja o motivo – E em algum momento a gente pode se decepcionar com nossa profissão.

A vida não é para principiantes.

Mas, cara, deixa eu te contar, se a gente vai juntinho, assim, coladinho, se tem seu abraço e seu carinho, vou bem. Pode doer, posso chorar, mas ao seu lado dá para suportar.






21 de abril de 2016

Feminismo: 3 Sites para se Empoderar

Se você andou frequentando as mídias sociais nos últimos tempos, sabe que o feminismo é um assunto que está, ainda bem, cada vez mais em pauta. Porém, apesar de ver muita gente começando a se interessar pelo assunto, ainda se compartilha muita coisa equivocada sobre ele. Por isto, resolvi compartilhar por aqui 3 sites que acompanho com frequência e que me ajudaram - e ajudam - a entender mais sobre o assunto, estudar e me informar no geral. 

Espero que sejam úteis, de verdade, para quem está só começando neste mundinho lindo feminista e também para quem não sabe nada sobre o feminismo e quer saber sobre o que tudo isto se trata. 

1. LUGAR DE MULHER

O Lugar de Mulher foi um dos primeiros sites que eu comecei a acompanhar. Ele é comandado por três mulheres: a Polly, a Mari Messias e a Clara Averbuck. Segundo elas, é um site para mulheres que cansaram das mesmas dicas de sempre de "como secar a barriga, se vestir pra agradar homem etc", aquelas velhas cagações de regras que a gente tá cansada de saber. 

2. THINK OLGA


O Think Olga é um projeto criado pela jornalista Juliana de Faria. É um espaço em que você vai encontrar discussões sobre o feminismo, muita informação e ações praticadas pelo Brasil ou pelo mundo. Foi no Think Olga também que surgiu a campanha Chega de Fiu Fiu, uma campanha que combate o assédio sexual em espaços públicos.


3. ALINE VALEK


É verdade que o blog da Aline Valek não é um espaço exclusivo sobre o feminismo. Mas eu resolvi compartilhar aqui mesmo assim porque foi nele em que eu comecei a me aprofundar sobre diversos pontos do feminismo. A Aline me conquistou porque eu gosto muito do jeito que ela escreve e faz a gente pensar. Para quem quiser ler só os textos dela sobre o feminismo, dá para acompanhar numa tag do blog aqui




Muitos outros sites abordam o feminismo e tem muita coisa legal sendo feita por aí, principalmente em páginas do Facebook. Já tô montando também um post com algumas páginas do FB que são bem legais. 

Se você tiver algum outro site para indicar, deixa aqui nos comentários.


20 de abril de 2016

É preciso perder-se


É estranho encarar um espelho e se perceber no reflexo. Estranho ver que o rosto ali refletido pertence a alguém que já viveu tanto, ainda que por fora a pele permaneça jovem, pouco alterada. É estranho, estranhíssimo, notar como o tempo foi gentil diante do caos interior.

É que, por dentro, as coisas já desabaram e se reergueram vezes e vezes seguidas. E, quer saber? A parte mais estranha é esta: ninguém viu. Ninguém a não ser os olhos que agora te encaram de volta no espelho. Os olhos, da cor que forem, do tamanho que forem, das expressões todas de tudo que se viveu. Os olhos.

Eles que viram o dia em que o avô partiu e o pai deixou de ser a imagem da calma e se tornou o homem que chora. O primeiro que se atreveu a tanto desde que você entendeu que eles foram ensinados a parecer inabaláveis.

Eles que viram o dia em que o melhor amigo se mudou da cidade e levou um pedaço de você.

Eles que viram a mãe se formar na faculdade.

Eles que viram o dia em que a prima se casou com o primeiro namorado. Eles que choraram de alegria quando ‘cê viu que o amor, até mesmo esse amor bonitinho que você sonhou e disseram que não existe, existe.

Eles que viram o dia em que você pensou em jogar tudo para o alto e fazer nada, nadinha que não quisesse fazer. Eles que viram o dia em que isso foi exatamente o que você fez.

É como aquela canção que diz que “você pode estar perdido de mais de uma maneira, mas eu tenho certeza de que isso é muito mais divertido que saber exatamente onde você está”.

E você não sabia, mas viu – com olhos da alma ou coração? – que a vida não ia esperar você decidir se estava ou não pronta para o que quer que fosse precisar enfrentar. Você não sabia. Mas, em tempos como estes, saber de tudo é quase um atestado de completa ignorância.



É que primeiro é preciso perder-se. E então talvez existam esperanças de se encontrar.