19 de setembro de 2016

Por favor, eu preciso que você vá

Eu preciso que você saia. Pode bater a porta, deixar a bagunça, quebrar uns móveis pelo caminho – não tem problema, eu limpo tudo. Mas eu preciso que você não esteja escondido em meu sofá quando eu chegar do trabalho, me invadindo com nossas memórias no meio da propaganda entre o Jornal Nacional e a novela que era das oito e agora é das nove. Eu preciso que você vá – e leve todas as nossas lembranças.

Eu preciso que você faça o seu cheiro desaparecer da minha casa, das minhas roupas e do meu colchão. É insuportável chegar no lugar que devia ser só meu e sentir nós dois em todos os cantos. Eu preciso que você suma. Eu preciso que você abandone meus filmes favoritos, que deixe de aparecer no meio das minhas séries e pare de fazer comentários na minha cabeça – aqueles que eu sei que você faria se estivesse aqui. 

De verdade, eu preciso que você não esteja. 

Eu preciso que você esqueça meu número. Que não me mande uma mensagem um mês depois do nosso fim, quando eu acho que já te esqueci, dizendo que sente saudade e tá repensando nossa decisão. Eu preciso que você não me ligue às três da manhã do sábado, em algum lugar barulhento, enquanto eu tô num bar com todos os meus amigos casais (o que, basicamente, me faz sentir muito a sua falta). Eu preciso que você não ligue. 

Eu preciso que você pare de perguntar sobre mim para as minhas amigas. Porque eu não quero mais saber, no meio de uma quinta-feira de trabalho, que você encontrou uma delas e quis saber da minha vida. Nem que disse que sente saudade, que vai me ligar, que queria que a gente continuasse amigo, que quer saber como andam as coisas. Eu preciso que você não saiba. 

Eu preciso que você vá. 
Assim, de vez, de-um-vez-por-todas, porque você já ficou demais.

A gente ficou além da conta, eu sei. E você ainda vai invadir muito as minhas memórias, as minhas músicas, os meus filmes, os meus livros e os meus textos. Você ainda vai encontrar com os meus amigos e eu ainda vou saber que você tá bem, aonde quer que esteja. 

Mas enquanto eu lido com os meus erros e te esqueço, eu realmente preciso que você vá. Que me esqueça também. Que deixe de lado esse discursinho de que sempre me amou e que foi embora porque tinha que ir. Tudo bem, eu entendo. Eu também já fui embora da vida de outras pessoas, mas, desse lado daqui, do lado que fica, eu só sei isso: eu preciso que acabe.

Eu não preciso que você resolva ligar. 
Eu preciso que você não ligue. 
Eu não preciso que você ainda se importe. 
Eu preciso que você me deixe. 
Eu não preciso que você ainda pergunte. 
Eu preciso que você pare de perguntar.

Querido, eu não preciso que você volte a me amar. 
Eu preciso é que você não me ame.


Obs: Já tá participando da blogagem coletiva? Dá uma olhada no texto-tema e participe também.



14 de setembro de 2016

Tão triste não te conhecer mais


"Foram tantas brincadeiras, tantas conversas, tantas risadas e olhe agora. Nem conversamos mais"
(Autor Desconhecido - se souber, por favor deixa nos comentários)

“Hoje a gente nem se fala, mas a festa continua”
(Chico Buarque)


Então é isso. Soube que você vai se casar por uma amiga em comum, em uma conversa no meio do shopping. Ela comentou como se eu soubesse, porque eu sempre sabia (de tudo, lembra?). Eu sorri. Era o que me restava fazer. Um desses sorrisos amarelos que a gente dá quando o mundo tá acabando por dentro, mas não quer demonstrar. Eu respondi só que eu estava muito feliz por você - e isso foi verdade, essa foi a minha primeira reação. Depois, eu fiquei triste. Fiquei triste pela gente

Eu ainda lembro de um tempo em que eu chegava antes de você no restaurante e ia adiantando o seu pedido pro garçom, porque eu já sabia o que você ia escolher. Não que você fosse previsível, você nunca foi. Mas é que era você e eu te conhecia. Quando você chegava, eu não precisava te olhar nem dez segundos pra saber se aquele era um dia bom ou um dia de merda. Eu sacava na hora - porque eu sabia te ler. 

Eu soube de muitas coisas em todos aqueles anos. Eu soube das brigas de família, dos seus sonhos e das suas decepções. Dos seus corações-partidos, dos pés-na-bunda que você levava e dos caras que não te animavam na cama. Eu soube detalhes dos seus ex-namorados que eu nem queria, de verdade, saber. Eu sabia de tudo, e você sempre soube de mim. 

Eu vivia na sua casa e sua mãe dizia que eu era a irmã que você não teve. A gente dividiu a mesma cama dezenas de vezes nas férias. Dividiu as mesmas viagens, os mesmos amigos, os mesmos caminhos. Os segredos, as piadas internas e aqueles conselhos que eram sempre muito bons, mas que a gente nunca soube seguir. Era tudo nosso: ninguém precisava entender, porque a gente entendia. 

A gente tava sempre lá - nos aniversários, nas festas de formatura, nas comemorações, nos velórios. Sempre a gente. Eu e você e, só depois, todo o resto. 

Não é que eu não sabia que essas coisas acontecem. Eu sabia, sempre soube. E até notei acontecendo com a gente, só não quis ver. As ligações que pararam, as mensagens mais escassas, o seu novo namorado que eu só sabia o nome, o meu novo namorado que você nunca chegou a conhecer. Acontece, não acontece? A gente divide um mundo todo por anos e, de repente, acabou

Acontece. Acontece, sim, eu sei. Mas é que era a gente, sabe? Logo a gente.
E eu pensei, de um jeito meio iludido talvez, que a gente era diferente.



Vamos ter blogagem coletiva de novo - finalmente! O tema dessa vez é: pessoas que a gente conhecia tão bem e hoje não conhece mais.Tem algo para escrever? Pode ser sobre amor, amizade, família...o que você quiser. Posta sobre o tema no seu blog com a indicação no fim de que está fazendo parte da blogagem coletiva do Isso não é um diário. Depois, posta o link do post nos comentários desse post até o dia 25/09

Nós vamos escolher um texto para publicar aqui e os outros também serão devidamente linkados e compartilhados com os leitores, assim todo mundo pode ler o que foi escrito por vocês. 

Legal, né? Então corre pra mandar a sua versão do tema.


13 de setembro de 2016

Bem-maldito Amor

Vestiu sua melhor blusa, penteou o cabelo, colou um sorriso no rosto e saiu, cheio de esperança dentro de si, de que seria hoje. Ah, que pena, só queria encontrar o amor. Desses assim, de cinema, idealizado em sua cabeça romântica que não falava pra ninguém. Desses que vinha a cavalo, mesmo, ainda que negasse pra qualquer um que perguntasse. Queria um amor, sabe? Desses de arrancar o fôlego. Mas só achou aqueles que pareciam que iriam arrancar seu coração.

Andou por ruas tortuosas, por lugares escuros, por florestas fechadas só para encontrar o bendito. Arrastou-se em espinhos, comeu migalhas, sofreu o pão que o diabo amassou pra ver se ganhava um sorriso. Fez de tudo que pode. Fez tudo quanto pode. E quando não pode mais, continuou fazendo, porque precisava, porque se culpava, porque todo mundo em todo lugar estava sempre dizendo que o amor existe então tinha que ser sua culpa que não o encontrava.

Aceitou beijos secos, mãos frias, abraços que não confortavam e uma companhia que não preenchia. Ignorou o vazio no peito, o frio no coração, a cama solitária que dividia mesmo estando com uma companhia todas as noites. Suportou silêncios, daqueles enlouquecedores. Engoliu ofensas. Vomitou aquele sentimento de quem tinha muito o que falar, mas sabia que nunca seria ouvido.

Desapareceu em si mesmo. Transformou-se em uma outra pessoa, como todo mundo dizia que o amor faria. Mas o que viu no espelho não lhe agradou. Não era aquilo. Não era aquele rosto marcado por lágrimas silenciosas, por olhos inchados, por um desespero quase insano no jeito de olhar. Não era aquilo que um dia imaginara. Mas continuou.

Arrastou-se no chão da indiferença, por um pouco de atenção. Abandonou o amor próprio e deixou pra trás o orgulho, por umas migalhas que nunca lhe enchiam. Fez de tudo, meu caro. Fez de tudo e mais um pouco e ainda tinha a sensação de que não estava fazendo certo.

Varou noites adentro tentando entender. Mudou tudo em si para ver se conseguia. Quase colocou uma melancia no pescoço para ver se não era ele que estava discreto demais, pro amor poder chegar. Perfumou a casa toda, mas esqueceu de colorir sua alma. E não entendia porque o resto do mundo continuava a encontrar seu amor enquanto tudo ainda lhe parecia uma guerra perdida, em que só se feria.

Queria mais do que tudo encontrar o amor. E fez tudo para isso. Só esqueceu que o amor é assim, meio tímido, e só aparece para os distraídos. Queria tanto que aceitou qualquer versão do sentimento, ignorando que o amor é uma dessas coisas que não podem ter covers – que é assim, autêntico e inexplicável e inimitável por natureza. Ignorou que o amor é coisa bonita, é coisa que nos faz melhor, é coisa que nos deixa parecendo assim, meios super-homens, de tão seguros que ficamos. O amor é para os fortes que não se abalam por medo de perde-lo. O amor é para quem não espera. Porque o amor só aparece quando você já não quer mais encontra-lo.




11 de setembro de 2016

Esta é uma carta de amor (ainda que pareça que não)


Amanhã você vai acordar na mesma cama que a gente dividiu por anos e eu não vou estar lá. Vai doer – eu sei disso porque vai doer em mim também, seja lá em que cama de hotel eu resolva me enfiar. A gente vai sentir falta das manhãs todas que compartilhou, daquele olhar que a gente se dava antes de levantar e da cumplicidade das segundas-feiras, quando a gente buscava força um no outro pra começar o dia.

É triste quando um amor acaba.

Seus pais não vão entender. Os meus também não. Nossos amigos talvez nem saibam direito como agir – quem deve continuar amigo de quem?, como vão ser os nossos jantares agora?, como saber quem tá errado ou quem tá certo?.

Talvez eu seja a errada – sou eu que tô indo e essa é a sensação que as pessoas que vão sempre deixam, não é? Tudo bem, eu aguento o tranco. Por mais que eu saiba, dentro de mim, que eu só fui a primeira a ter coragem. Você sabe tanto quanto eu: nosso amor não acabou da noite pro dia.

Pode parecer que não, mas eu continuo te desejando todas as coisas boas que te desejava no início do nosso relacionamento. Eu ainda guardo um carinho gigantesco por você e me sinto agradecida por tudo que aprendi ao seu lado. E eu ainda te amo. Não daquele jeito de antes, não da forma intensa e louca do início, nem de uma maneira em que eu ainda pudesse ficar com você.

Mas, de algum jeito que eu não sei explicar ao certo, eu ainda te amo. Eu só preciso ir.

Eu preciso ir porque eu não quero que a nossa história acabe repleta de mágoas e frases que a gente não queria ter dito. Não quero olhar pra trás e me arrepender de ter te magoado em um desses fins feios que acontecem quando a gente prolonga demais o que já acabou. E a gente acabou, querido. Você sabe disso.

Talvez seja mais difícil no começo – para mim e para você – porque é difícil se acostumar com a ausência. Eu vou sentir falta da sua risada (acho que vai ser a minha maior saudade). Eu queria poder dizer que, um dia, a gente se reencontra. Mas talvez isso não aconteça. Talvez você siga a sua vida e eu a minha, porque é assim que é.

Mas não esquece isso: eu amei você. E eu tô indo embora justamente porque eu ainda quero guardar o tiquinho de amor que restou.

Por isso, meu bem, guarda esta carta com você. 
Parece que não, mas é uma carta de amor.



5 de setembro de 2016

Bienal do Livro de São Paulo

Bienal Internacional do Livro de São Paulo - A 24ª edição da Bienal do Livro acabou ontem em São Paulo, depois de 10 dias de evento. As sessões de autógrafo, os lançamentos e as vendas de livros acabaram, e agora fica a saudade, certo? Mas tem mais uma coisa que a Bienal sempre acaba deixando: uma lista de livros pra ler.

Daniel Bovolento autografando o livro Depois do Fim, lançado pela Editora Planeta

Visitei o evento no sábado (03/09). Infelizmente, meu orçamento estava bem apertado e o ingresso da Bienal já não era tão barato (apenas a entrada inteira custava R$25, tirando o dinheiro para comer alguma coisa lá dentro), o que fez com que eu me controlasse nas compras.

Livros comprados na Bienal do Livro 2016

Eu fui para o evento, principalmente, para prestigiar dois autores nacionais e comprar seus livros: a Iris Figueiredo e o Daniel Bovolento. E pude adquirir os livros deles: Confissões On-Line, da Iris, e Depois do Fim, do Dan, que aparecem na foto acima.

Encontro com a Iris Figueiredo, autora de Confissões On-Line 1 e 2
Sessão de autógrafos do livro Depois do Fim, do Dan
Assim que eu terminar de ler os dois, vou preparar resenha aqui no blog para contar o que achei. Enquanto isso, quero saber de vocês: visitaram a Bienal do Livro 2016? Que livros compraram? Essa última pergunta vale também para quem não foi: quais livros estão na sua lista de leitura?

Conta tudo pra gente nos comentários <3





Só pra finalizar, uma foto com minha companheira de Bienal. Obrigada, Miq, por andar a Bienal pra lá e pra cá comigo.





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