2 de abril de 2017

Slow down, you crazy child

Outro dia, recebi um e-mail de uma leitora antiga, que acompanha o blog há anos. Entre uma frase e outra, ela me jogou um questionamento: você abandonou o blog? Minha primeira reação foi pensar sim. Porque há tempos eu estava me sentindo culpada por não postar aqui, e até pior, por sequer acessar o blog para ver se o domínio ainda estava no ar.

Meu último post aqui foi no dia 1 de março. Meu último texto, de fato, foi em janeiro. Naquela época, eu ainda estava animada para publicar bastante por aqui, manter newsletter, fazer resenha, atualizar a página do Facebook. Aquelas metas que você sempre acha que vai cumprir quando começa um novo ano. 

Mas a vida foi um pouquinho mais difícil do que eu estava imaginando nestes primeiros três meses de dois mil e dezessete. Entre uma porrada e outra (no emocional, na vida financeira, na vida familiar etc), ainda me vi tendo que operar, me recuperar, sobrecarregada no trabalho e exausta emocionalmente. Eu abandonei o blog por um período porque eu simplesmente não tinha vontade de vir aqui. Eu não tinha vontade de escrever qualquer coisa, quando por dentro eu tava procurando um silêncio que não conseguia encontrar. 

É difícil admitir que você falhou. Mas admitir que eu falhei em cumprir o que tava me prometendo é uma forma de entender o seguinte: eu não tenho que abraçar o mundo de uma vez só. Tudo bem eu fazer as coisas em outros ritmos. Não tenho que ficar me comparando a ninguém, nem tentando fazer de tudo só porque vejo que outras pessoas conseguem fazer. De verdade, continuar assim só ia me deixar ainda pior. 

Enquanto eu tava me segurando da cirurgia, a Paula Toledo, que escreve às vezes aqui para o blog, me mandou no meio de uma conversa no whatsapp: slow down, you crazy child. É um trecho de uma música do Billy Joel que nós duas amamos (e que, inclusive, irei tatuar a qualquer momento). E foi quando ela me mandou isso que eu me toquei que podia desacelerar e tudo bem. Acontece. 

Então este post, na verdade, é um pedido de desculpas, mas também uma explicação que não consigo fazer de tudo e não vou me forçar a fazer. Em fevereiro, como eu tinha dito por aqui, comecei a escrever um livro lá no Wattpad. Posto semanalmente e ficaria muito feliz se vocês, leitores, aparecessem por lá também para ler, comentar, dar suas opiniões. Também continuo escrevendo uma vez por mês lá no Entre Todas as Coisas, blog do Daniel Bovolento que colaboro. 

Vou voltando aqui aos poucos, no meu tempo, quando conseguir encaixar os posts do blog no meu dia a dia novamente. Quanto aos leitores fieis, aqueles que sei que entram aqui com frequência, que não me abandonam apesar do blog abandonado, meu muito obrigada. Vocês são incríveis e se eu penso em voltar a aparecer por aqui é sempre porque sei que pelo menos um de vocês vai ler meu post. De verdade, sou eternamente grata por isto. 

E se quiserem saber de mim, ando por aí em quase todas as redes sociais e adoro receber mensagens de vocês. Vamos conversar mais sobre o que querem ver aqui, sobre os blogs de vocês, o que andam lendo e tudo mais!

Instagram: @kahrosawho
Twitter: @kahrosa

Livro que estou escrevendo no Wattpad: As Coisas Que Eu Não Esqueci

Sinopse: Hayley se recorda de pouca coisa sobre o seu passado. Ela não se lembra direito daquela noite em que o carro que sua mãe dirigia saiu da estrada e capotou. Nem consegue lembrar de si mesma fechando os olhos antes de tudo acontecer. As brincadeiras com Lily são apenas flashes de lembranças - se não fossem as fotos, talvez a garota chegasse a duvidar que a irmã gêmea realmente existiu. Aliás, talvez chegasse até mesmo a duvidar que um dia fez parte de uma família feliz - ou de que foi amada. 

Por outro lado, há uma lista de tudo o que Hayley jamais consegue esquecer. Como ter sido deixada sozinha em um orfanato aos cinco anos de idade. Ou ter ficado sem falar por mais de um ano depois daquele acidente. De todos os pesadelos e as vezes em que acordou no meio da noite, sem ninguém para acalmá-la. Ou do fato de que, se pudesse escolher, preferia viver nas histórias de todos os livros que lê a encarar a própria realidade. 

Mas há algo em especial que a vida nunca deixou que Hayley esquecesse: algumas dores nunca vão embora. E sobreviver ao passado, às vezes, pode ser uma tarefa bem difícil. Principalmente quando ele resolve se tornar presente outra vez.


23 de março de 2017

Eu penso se você pensa em mim

Eu penso se você pensa em mim. Será que você deita pra dormir e estranha o vazio que eu deixei? Será que você tenta me alcançar mesmo sabendo que eu não faço mais morada na sua cama? Será que o seu travesseiro ainda tem o cheiro do meu shampoo? Será que você pensa em mim? Em mais uma vez nós dois? Você pensa em aprender a dizer como se sente? Eu, por acaso, ainda pertenço aos teus pensamentos?

Eu penso se você pensa em mim. Se a nossa foto que eu te mandei pelo Correio ainda está no seu mural. Se você ainda olha pra essa foto e pensa em mim como uma pirralha. Se quando a manhã chega e você ainda recém acordado vai escovar os dentes, você sente falta da minha necessaire ali. Será que quando você lava o rosto com água fria você quer assustar o sono ou a minha presença dos teus pensamentos?

Eu penso se você pensa em mim. As vezes eu me pergunto onde você está ou como você está. Evito perguntar com quem você está. Mas volta e sempre eu penso se você está feliz e se continuas investindo nas cervejas artesanais. Se você lembra como o meu riso era fácil contigo. Se você está realmente com alguém ou simplesmente se rendeu ao casual. Se você está solto pela vida ou se está realmente fazendo valer.

Eu penso se você pensa em mim. As vezes fico imaginando se foi fácil pra você. Ou se doeu em você tanto quanto em mim. Se você pudesse apagar o que sobrou de mim na sua vida, você o faria? Ou você preferiria guardar a carta escrita à mão na gaveta das meias e os meus prendedores de cabelo na caixa das chaves, apenas como lembrete de quem eu fui e de quem nós fomos?

Eu penso se você pensa em mim. E talvez você pense, sem querer, quando você descobre algum aplicativo novo sabendo que eu iria gostar. Ou talvez, por querer, quando você consegue finalmente achar o caminho para aquele parque que a gente nunca chegou a ir. As vezes eu imagino se o seu coração fica mais pesado com os meus textos, tentando em vão procurar um sentido, um desfecho, um final feliz.

Eu penso se você pensa em mim. E é por isso que escrevi. E no meu texto e devaneio eu encontro lembranças nossas, segundos vividos e não muito conversados. Eu penso se você pensa em mim e isso me faz querer que você faça o mesmo. Eu penso se você pensa em mim e isso é suficiente para entendermos que finais acontecem, mas nem sempre felizes.


8 de março de 2017

Coisas Que Queria Dizer A Você



Esse texto é para você, que por um acaso pode ter sentido falta de mim nesses últimos tempos. Esse texto é para dizer que eu senti falta de você também.

Eu sei que você vai dizer que não – e tá tudo bem, sabe? Porque também sei que fui eu que sumi. Eu que fui deixando suas ligações de lado. Fui eu que não respondi as mensagens assim que elas chegaram. Fui deixando para depois, e quando o depois chegou já não fazia mais sentido te responder.

Mas eu quis. Eu pensei em você quando a dor bateu forte demais. Eu pensei em te ligar quando estava desesperada. Eu quis chorar no seu ombro ao invés de tentar me afogar debaixo do chuveiro. Eu digitei e apaguei e digitei e apaguei diversas mensagens que você nunca leu, porque nunca mandei. É que eu não quis incomodar, cê entende? É que eu não quis cansar você com meu medo, é que eu não quis que você se cansasse de mim e fosse embora.

Esse texto é para você – que talvez esteja se perguntando como foi que nos afastamos tanto, depois de tantas conversas, brincadeiras, risadas e a mão estendida para amparar o outro lado. Esse texto é para você que, por meu silêncio, talvez se pergunte se fomos real. É para dizer que sim, nós fomos. E sim, eu queria que ainda fossemos. Mas eu não consegui segurar a onda, me manter no lugar, te prender aqui enquanto a força me carregava correnteza abaixo.

Esse texto é para você – para eu dizer que às vezes a gente não se afasta por falta de tempo. Até porque, cê sabe, eu sempre fui do partido de que falta de tempo não é desculpa para deixar de falar – e não foi com a gente. Às vezes falta muitas outras coisas, é verdade, mas também não foi falta de alguma coisa que você não ofereceu. Foi falta minha – falta de coragem, falta de energia, falta de querer, também, porque as vezes a gente não quer. E relação é isso – relação é não ter obrigação de nada. E eu nunca quis obrigar a você.

Mas queria te dizer isso: queria te dizer que tá tudo bem, eu te desculpo por não entender. Nem eu mesmo entendo, e tá tudo bem. Você pode achar que é muito fácil digitar uma mensagem – mas às vezes não é. Não são só palavras, não são só frases, não são só dizer que eu ainda estou aqui. É claro que estou. E vou estar ainda, mesmo se você não quiser mais. Mas é muito mais do que isso – é um mundo de coisas, de sentimento, de pressão, de medo, de culpa, de desespero, de desamor, de tudo isso junto, que a gente fica sufocada e não consegue falar.

Então eu tô aqui falando. Tô aqui dizendo que não foi você, não foi eu, não foi a falta de tempo – foi a vida. Foi a dor. Foi eu tentando inutilmente te proteger do que me atacava. Foi por amor – e eu sei, é louco, mas amor não é isso? Amor não é tentar proteger o outro?

Eu tentei. E é por isso que te perdi – porque proteção demais sufoca, mata, desaba os alicerces e leva embora sem restar nada além de silêncio, de dor, de perguntas sem respostas, de lembranças descoloridas perdidas no meio das lágrimas. E esse texto é para quebrar essa barreira que ficou entre a gente – é para dizer que sim, eu ainda existo; sim, eu ainda sei que você existe; e, sim, eu ainda estou aqui. 

Talvez eu continue em silêncio. Talvez você não queira me ouvir. Mas tudo bem – vou ficar bem. E quero que você fique também.




1 de março de 2017

Canção de Ninar, Sarah Dessen #Leiturasde2017



"Não deixe ficar sério demais.
Não deixe ele partir seu coração.
E nunca, em hipótese alguma, saia com um músico". 

A lista de regras para não se apaixonar de Remy parece simples e vem dando certo. Há anos a adolescente desistiu do amor, depois de acompanhar tantos casamentos mal sucedidos de sua mãe (ela está indo para o quinto!) e de lidar com a decepção de nunca ter conhecido seu pai, um músico famoso que escreveu uma canção em sua homenagem. A garota, então, aposta em fórmulas para se relacionar com os garotos. Ela planeja quando e como acabar os relacionamentos, prevê como seus namorados irão reagir ao fim, e nunca - nunca - entrega seu coração. Isto lhe dá uma dezena de relacionamentos superficiais para contar história. Até que ela conhece Dexter. 

Dexter, para descontentamento de Remy, é um músico que se estabelece temporariamente na cidade com sua banda. Juntos, os dois começam a construir um relacionamento diferente do que a garota está acostumada - ainda que, por muito tempo, ela acredite que tudo está sob controle. A partir de então, Remy tem que repensar suas certezas, o que acaba fazendo com que explore feridas e traços de sua personalidade que tentava esconder. 

Uma Canção de Ninar, da Sarah Dessen, é um livro que fala sobre amor: não apenas o amor romântico, mas também o amor entre amigos e familiares. É também o segundo livro que leio da autora (já tinha contado antes aqui como eu amei Os Bons Segredos). Dessa vez, no entanto, tenho que admitir que a história me deixou um pouco decepcionada.

Apesar de ter gostado dos personagens e, principalmente, do casal principal, achei a construção da narrativa muito superficial. Não consegui, de fato, me apegar a ninguém, muito menos à Remy. Logo, ficou difícil entender suas dores, seus problemas, seus traumas e sua personalidade autodestrutiva sem um aprofundamento da personagem. Para mim, é bonita a mensagem de que o amor nos ajuda a superar certas coisas, mas não compro muito a ideia de que isso acontece da forma rápida e fácil que aconteceu no livro. Ainda mais quando se trata de problemas familiares de anos. 

É claro que não é um livro ruim - entretém bastante e a leitura é bem rápida. Como já disse antes por aqui, gosto muito da forma que a Sarah Dessen escreve, de forma muito leve e fluída. Mas, ainda assim, faltou alguma coisa. Não foi um livro que me fez ficar apaixonada. Uma pena. 

Livro 3: Uma Canção de Ninar
Título Original: This Lullaby
Autora: Sarah Dessen



Sinopse: 
Não deixe ficar sério demais. Não deixe ele partir seu coração. E nunca, em hipótese alguma, saia com um músico. Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento.
Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela.
Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor…


16 de fevereiro de 2017

Acorda Que É Cilada



Põe aquela roupa que ele não gosta. Passa aquele batom vermelho que você adora. Faz o tal do penteado que te deixa com cara de abusada. Não se intimide a dançar até o chão. Corta o cabelo se tiver vontade, não pede conselho ou explicação. Se quiser sair, sai. Vira a noite acordada, vira a noite bebendo, vira a noite como você quiser virar.

Não abaixa a cabeça para ordem de quem só quer te silenciar. Grita. E grita alto que do seu lado alguém vai estar pronta para te ajudar. Mas não permita que ele toque nas suas blusas, no seu jeito, nos seus gostos – não permita que o toque dele vire algema para você não ser mais você.

Relacionamento abusivo vem travestido de diversas formas: Você é mais inteligente que esse programa. Mais culta para ler tal livro. Mais recatada pra usar tal roupa. Você não é da rua para chegar tão tarde. Não é tão boa para aquelas suas amigas. Aquela festa não te merece. Quem merece sou eu, amor, que tô aqui do seu lado e sei o que é melhor para você. Aquela faculdade tá te mudando. Você tá perdendo a essência. Vai acabar me perdendo, hein? Não quero perder você.

Vê se não cai nessa cilada, mana. Coloca aquela roupa que você adora. Joga os cabelos para o lado. Para de esconder quem você é para agradar quem quer que seja. Relacionamento abusivo tem diversas frases ruins, mas tem uma que você pode ter certeza que é verdade: você é mais inteligente do que isso, para aceitar qualquer merrequinha disfarçada de amor. 

Você é maior do que o espaço que ele está oferecendo a você. Você é melhor quando não precisa se matar para ser amada. Nenhuma paixão supera a felicidade de ser você, sem ser punida por isso. Vai praquela festa que você quer tanto e dance até o mundo acabar.

Acorda, cai fora dessa, que, como dizia um grande pensador contemporâneo, não é amor, é cilada.