25 de junho de 2016

Por que a gente quer tanto engolir o mundo?



Eu queria ler todos os livros daquela lista gigantesca que fiz esses dias. Mas queria logo, porque ando assim nos últimos tempos: com uma necessidade de tudo para ontem. Preciso ver uns filmes que todo mundo já viu e ser contratada e subir na carreira e ter um salário que me deixe viajar pelo mundo inteiro porque, você sabe, a minha "geração" já conhece o mundo todo. Odeio textos que falem sobre uma "geração" em que eu quase nunca me encaixo, apesar de saber que, em algum momento, a gente realmente deixou essa pressa toda dominar, essa vontade de ser, de ter, de ver e tudo pra agora, tudo pra logo, tudo pra já.

Tenho dois livros iniciados e, esses dias, entrei em desespero porque não consigo acabá-los logo. E, se eu não conseguir acabá-los, como lutar pela publicação, como crescer, ser e aparecer? Como finalmente virar o que todo mundo à minha volta vive dizendo que eu poderia ser, porque parece que todo mundo vê um potencial que eu quase nunca consigo alcançar?

Vira e mexe acabo me comparando com gente da mesma idade que já faz muito sucesso na vida e questiono todas as minhas escolhas. Tipo olhar para quantas estatuetas de premiações diferentes a Jennifer Lawrence (que é apenas um ano mais velha do que eu) já ganhou. Ou pensar em quanto o Neymar (mais novo do que eu) ganha por ano. É difícil olhar pra eles e não pensar: o que é que eu tô fazendo da minha vida?, por mais que eu saiba que não é saudável fazer certas comparações. E aí a pressa só aumenta.

Outro dia, minhas amigas estavam falando sobre casamento e eu me vi em uma crise. E é normal as pessoas pensarem que foi uma crise porque eu tô solteira há muito tempo ou porque eu ando carente ou qualquer coisa assim. É difícil que entendam que não, não é medo de ficar solteira.

O medo que eu tenho é de ficar pra trás.

É medo de não ver o suficiente, não ler o suficiente, não viver o suficiente. Medo de não conhecer todos os lugares que queria, nem fazer tudo aquilo que eu sempre sonhei. É medo de não ter tempo. É medo de que o mundo não caiba em mim - ou eu não caiba no mundo.

Sei lá se é coisa de geração. Se é coisa de vinte-e-poucos, trinta-e-poucos, ou só dessa gente de muitos. O que eu queria de verdade era saber isso: como é que faz pra acalmar um pouco e fugir dessa corrida que a gente inventou que a vida precisa ser?




20 de junho de 2016

Indicação da Semana: "Stuck in Love"



Minha primeira indicação aqui no Isso Não É Um Diário vai ser um filme. O melhor filme que eu vi em 2014.

Filme de 2012, escrito e dirigido por Josh Boone. Com Greg Kinnear, Jennifer Connelly, Lily Collins, Nat Wolf, Logan Lerman e Kristen Bell.

“Stuck in Love” é um daqueles filmes incríveis que, por algum motivo, ficou no limbo dos lançamentos e não alcançou o sucesso que merecia. Somos apresentados a uma família de escritores em fases diferentes na vida. Um pai já estabelecido na profissão, com vários romances publicados. Uma filha no meio da faculdade, lançando seu primeiro romance. E um filho, no colégio ainda, em busca de encontrar sua voz como escritor. E todos eles têm suas diferentes visões e suas batalhas no campo do amor.

Sim, amor. É disso que "Stuck In Love" trata. Não o amor algo padrão e clichê, mas o amor em suas tantas visões e interpretações. É interessante ver como se constrói cada personagem baseada na sua visão de relacionamentos e com o próprio amor.

A direção é bem intimista e quente, o que faz com que você, enquanto assiste, se sinta em casa. Com certeza você vai se encontrar na jornada de um dos personagens principais, ou em todas talvez que tem momentos pontuados com uma trilha sonora sensacional.

Por fim, devo destacar a presença do Stephen King, meu romancista favorito, numa pontinha muito interessante. Recomendo para todos, mas especialmente para escritores. Foi nele que eu aprendi que um escritor é a soma de suas experiências, e levo isso pra vida até hoje.

Você provavelmente deve ter uma visão sobre o que é o amor. "Stuck In Love" te mostra outras. 




17 de junho de 2016

O que fica subentendido

Deixar ir. Virar a página. As páginas. Trocar o livro. A música. O disco. Difícil, porém, possível. Mas, em se tratando do coração, existe jeito fácil de realocar moradores, dar fim a sentimentos, se permitir esquecer? Fazer parar de doer? Existe?

Como é que se para, afinal, de sentir tanto sobre cada pequeno detalhe? Você ainda é a música na minha cabeça, é as entrelinhas nas coisas que eu leio, os pensamentos soltos durante o café que eu tomo incessantemente, a conversa na mesa do bar enquanto a cerveja esquenta.

Eu ainda quero te contar sobre os detalhes bobos do dia a dia e aquelas coisas que eu acho graça quando ninguém mais ri. Sobre uma teoria quase conspiratória que me falaram outro dia e sobre a qual eu ainda tenho certeza que você teria feito algum comentário escandalizado sobre os absurdos que as pessoas insistem em enxergar.

Também tenho certeza de que eu teria sorrido diante disso tudo, só porque eu adoro a forma como você reage às coisas que eu digo, mesmo quando nem sei o que eu tô dizendo. Ou dizia. Hoje em dia, a gente nem se diz tanta coisa. E, ainda assim, você é tudo aquilo que eu digo, não digo e o que fica subentendido. Você é aquilo que me falta.





15 de junho de 2016

Lembrar-se de quem a gente ama é urgente


Outro dia, pouco antes de dormir, eu me enviei um e-mail com as coisas que tinha que resolver no dia seguinte. "Urgente", coloquei no assunto. Entre as coisas da lista, eu coloquei uma inscrição de trainee que precisava fazer, uma relação de documentos que tinha que enviar para o banco, uma ideia de post para o blog e outra para um capítulo do livro que eu tô tentando escrever. 

Não tinha ninguém na minha lista de "urgente". Nem pensei em colocar naquele email "ligar para a avó", ou "mandar mensagem pras minhas amigas da escola", muito menos "perguntar pra Gi como tão os preparativos do casamento". São coisas que o tempo todo eu penso que tenho que fazer - ligar pra alguém, mandar mensagem, perguntar da vida - mas que, por correria da vida ou por puro descuido mesmo, nunca acabo fazendo. E aí, na minha lista de coisas urgentes, fica sempre faltando "quem". 

Contei esses dias para um amigo que ando passando por um ciclo bem difícil e complicado. E, nesse ciclo, recebi um monte de notícia de gente doente. Pra piorar: todas as notícias na mesma semana, pra dar aquela baqueada de uma vez só. E aí você pensa que receber notícias deste tipo te fazem repensar algumas coisas. É verdade, naquela semana, mandei mensagem para um monte de gente com quem andava sem contato. Mas na semana seguinte? Esqueci de novo. Mais um monte de e-mails "urgentes" na minha caixa de entrada, e aquela sensação contínua de que nada do que tava lá tinha realmente alguma urgência. 

Eu tava lendo este post aqui antes de começar a escrever este texto, em um blog que acabei de conhecer. E, enquanto eu lia, ia me dando esse nó na garganta, essa vontade de gritar ou então me olhar no espelho e falar: cê tá fazendo alguma coisa errada!, cê tá fazendo alguma coisa errada!. Porque a gente deve estar fazendo alguma coisa de errado quando tem uma lista de coisas urgentes para fazer no dia seguinte e não lembra uma vez sequer de colocar o nome de alguém ali. Não é?

E como eu acho que textos, muitas vezes, são tapas na cara que a gente precisa tomar, eu queria dividir duas coisas: a primeira é que eu acho que todo mundo devia perder um tempinho e ler este post aí de cima que me fez escrever este texto. A segunda coisa é esta: lembrar-se de quem a gente ama é urgente.

Anota na sua listinha aí. 




8 de junho de 2016

NA TELONA: Como Eu Era Antes de Você





Ontem, depois de muita espera, finalmente tive a oportunidade de conferir o filme Como Eu Era Antes de Você graças a uma parceria do site Papel Pop com a Warner. A sessão exclusiva rolou lá no Kinoplex do Shopping Vila Olímpia, em São Paulo, e ainda nos rendeu um livro dado pela Editora Intrínseca, lencinho de papel para ver o filme, pipoca, refrigerante e a melhor parte: uma meia-calça de abelha (você tem que ver o filme ou ler o livro pra entender minha felicidade em ganhar isso)!. 

Bom, depois de poder ver o filme em primeira mão, chega a parte mais importante: o que eu achei? 


"Você só tem uma vida. É seu dever vivê-la o máximo possível".


Esta é a frase que define a história de Como Eu Era Antes de Você, filme estrelado por Emilia Clarke e Sam Claflin e baseado no livro de mesmo nome da escritora Jojo Moyes. Nele, Louisa Clark (Emilia Clarke) é contratada para cuidar de Will Traynor (Sam Claflin), um bem-sucedido homem de negócios que se vê preso a uma cadeira de rodas após um trágico acidente que o deixou tetraplégico. Logo, no entanto, a extravagante Lou descobre que sua tarefa como cuidadora não é exatamente prezar pela saúde física de Will, e sim tentar tirá-lo de uma depressão e mostrar a ele que ainda existem razões para viver. 

Antes de tudo, preciso ressaltar como os atores se encaixaram bem em seus papéis. Esse é sempre um medo que tenho quando vou conferir adaptações no cinema - que os personagens fiquem muito diferentes de como imaginei quando estava lendo o livro, a ponto de me decepcionar. Isto não acontece em Como Eu Era Antes de Você. Sam Claflin faz um Will sarcástico e consegue passar bem as emoções nos olhares e sorrisos contidos do personagem. Já a atriz Emilia Clarke, para mim, é o grande diferencial do filme. Ela faz uma Lou bastante expressiva, leve, dinâmica e divertida. E a química entre os dois atores funciona muito bem. 

O filme tem uma pegada doce e, por mais que fale de uma improvável história de amor em uma situação trágica, é bem leve. Durante a exibição em que eu estava, conseguiu arrancar boas gargalhadas dos espectadores. Além disso, a história caminha para uma direção oposta ao que estamos acostumados em romances, o que a torna muito mais crível. 

O ponto negativo, para mim, é a rapidez com que tudo acontece, deixando de lado detalhes que eu considerava importantes. Claro que um filme adaptado nunca vai conseguir ser extremamente fiel ao livro, mas senti falta de pontos que, durante a leitura, foram essenciais para que eu entendesse melhor os personagens e me emocionasse com suas dores. Porém, apesar de não ter me arrancado lágrimas, o filme conseguiu me deixar com aquele mesmo aperto no coração que faz a gente questionar a vida e as nossas escolhas.

Vale a ida ao cinema, com toda a certeza.  




Depois que assistirem, compartilhem suas opiniões aqui comigo. Vou adorar saber o que acharam.