15 de setembro de 2014

A Primeira Colaboradora

Uma das coisas que eu disse que faria nesta “nova fase” do blog era adicionar colaboradores aqui. Ainda não escolhi as colaboradoras ocasionais entre as leitoras que comentaram neste post aqui (apesar de já ter alguns blogs favoritos), mas há alguns dias eu escolhi quem vai ser meu braço direito por aqui. A Paula é uma das minhas leitoras mais antigas e fiéis e, hoje, eu tenho o orgulho de falar que é uma das amigas mais leais e dedicadas que eu tenho. Exatamente por isso, rolou o convite dela me ajudar por aqui e ela topou.

Bem-vinda, Pá! 



Quem é: Paula Toledo

3x4: Estuda Direito e, como boa idealista, acredita que pode mudar o mundo. Também acredita muito no poder das palavras. E no amor. E na leitura. E na justiça. Juntar tudo isso pode virar uma bagunça? Pode. Mas ela faz mesmo assim.

Para acompanhar um pouco mais:

8 de setembro de 2014

Continua Girando

Olha, eu não queria falar nada, mas ainda há vida lá fora. E ainda que também haja colo, sempre que precisar, é preciso de si próprio para sacudir a poeira de vez em quando. Ferida de amor dói, ô se dói, algumas marcam pra sempre, algumas nunca passam, algumas doem mais que qualquer outra dor, mas ó: ó a vida passando, entre uma lágrima e outra, entre a indecisão de ficar aqui, seguro, ao lado dos próprios cacos, e ir. Sabe? Ir. Sabe-se lá Deus para aonde.

Superar amor envelhecido, remoído e maltratado é sempre uma tarefa mais nossa do que do mundo. Porque as horas ainda passam, ainda há dias de sol e de chuva (talvez nem tanto em São Paulo, mas há), ainda há nuvens pretas, e frio, e calor, e a primavera chegando. O mundo tá ali, fazendo a parte dele, cumprindo a tabela, esperando só a hora de você levantar e decidir fazer alguma coisa da vida. O despertador toca toda manhã numa pergunta sem fim: e aí, é agora que você vai cansar de ser infeliz?

Na teoria, sempre fácil. Mas é que dor emocional é coisa só nossa. Não tem merthiolate que dê jeito. No máximo, a gente arranja essas pessoas-curativo, que sempre parecem ser a solução de todos os problemas. Nada-como-um-amor-novo-para-superar-o-antigo, costumam dizer. E a gente esquece que band-aid arrancado da pele na pressa faz lembrar a dor do corte. Atrasa o processo de cicatrização. E não sara. Não passa. Cadê a cura?

Se a gente soubesse a fórmula de não se magoar por amor, talvez a gente também já tivesse inventado a vacina. E viveríamos assim: sem caras quebradas, mas também sem grandes paixões. Porque amor, no fim das contas, é processo de entrega. E se entregar é correr sempre o risco de cair no caminho. Quebrar. Chegar atrasado ao destinatário. Pior: correr o risco de ser devolvido ou trocado sem nenhuma consideração. 

Ou então correr o risco de receber, também, algo de bom em troca. Talvez, sei lá, um presente como um coração - pronto pra tudo.

Tudo isso pra te falar que: a maioria de nós, mortais, passa por isso. E tem choro, e tem grito, e desespero, e vontade de nunca-nunca-nunca-nunca-mais. Mas ainda há vida lá fora. Outras histórias. Outros porres. Outros amores. E dezenas de amigos. E gente que sabe, talvez só um pouco, o quanto dói por aí. E se ainda doer também por aqui, não tem problema: a gente sofre junto. Porque, como ouvi uma vez (em um contexto completamente diferente): na desgraça, a gente se abraça. 

E o mundo continua girando. 




Obs: Ainda quero conhecer seu blog! Dê uma olhada neste post aqui e deixe seu comentário. 

7 de setembro de 2014

O Blog

Se vocês me acompanham em outras redes sociais, devem saber que eu estava deixando o blog de lado porque estava cansada/enjoada dele. Não estava mais fazendo sentido para mim, eu não sabia que caminho dar a ele. Isto tem muito a ver também com minhas dúvidas sobre meus textos, mas este já é um assunto para um outro post. Bom, vocês devem ter reparado que o blog está mudando de aparência. Ainda não consegui fazer tudo o que estava planejando no final de semana (html não quis colaborar ainda), mas ele está ficando mais perto do que quero. 

E isto vai querer dizer mais algumas coisas também. Por exemplo, pela primeira vez estou cogitando escolher algumas colaboradoras para participar do blog. E não apenas com textos de comportamento, crônicas de amor etc, mas também com indicações de filmes, músicas e tudo mais. Quero colocar um pouco mais de cultura e viagens por aqui. 

Então, enquanto acabo de mudar a aparência do blog, quero saber de vocês: alguém aí tem interesse de publicar posts aqui no blog? Em um primeiro momento, vou publicar um texto de leitora por mês. O primeiro já está escolhido e editado e logo logo vai ao ar, mas quero dar uma olhada em mais coisas que vocês produzem.

Deixem os blogs de vocês aqui nos comentários, por favor. Durante esta semana (até domingo), irei dar uma olhada em tudo o que colocarem aqui. E vou montar um post de indicações de blogs também. Afinal, ajudar um pouco quem perde tempo lendo minhas besteiras não custa nada, não é? 

E se quiserem me acompanhar em outras redes sociais também basta seguir:

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E ah, agora vocês também podem seguir o blog lá no Bloglovin

27 de agosto de 2014

Sobre você ter ido e eu não

Eu podia falar que você não vai fazer a falta que eu acho que vai, mas seria mentira. Eu podia dizer que não doeu do jeito que você acha que doeu, mas isso não faria doer menos. Eu podia respirar fundo e continuar a vida como se você fosse só mais um amorzinho desses inhos que a gente tem enquanto fica procurando o tal do amor pra contar pros netos. Mas nada disso faria passar. Fingir que você não passou por aqui não vai apagar os rastros que você largou quando foi embora. Não vai.

Eu não tenho mais orgulho, não preciso manter as aparências, não me preocupo em sorrir pra todo mundo e dizer que, não, relaxa, vai ficar tudo bem, amanhã tô nova. Porra, pra que mentir que não dói quando tô aqui destruída olhando pra trás e ouvindo todas as músicas que a gente costumava ouvir junto? Eu tenho mesmo que ser essa modelete de vida perfeita que não sente, não chora, não grita, nem se joga na cama, bebe uma garrafa de vinho e reza pra passar?

Não, você não era tudo na minha vida. Ainda tenho a faculdade, o trabalho, o aluguel do mês que vem, o livro inacabado que todo mundo me cobra, as provas finais. Mas eu não posso tampar o buraco com uma cortina velha e fingir que não tá aqui. Eu não quero sorrir, entende? Eu não quero dizer que, ah, tô bem, quando não tô. Não quero mentir que não foi nada, que era só mais um caso qualquer, que eu não esperava um futuro com você, quando, na verdade, eu achei que cê era o tal do infeliz do cara certo. 

Eu ainda não acredito que eu tenho que ser feliz sem você. (Mas, relaxa, eu vou).

Eu vou tentar ser feliz sem você quando eu lembrar que tinha muita briga. Quando eu escutar seus surtos de ciúmes sem motivo algum. Quando eu fechar os olhos e pensar no tanto de paciência que gastei e desgastei com você, cara. No meio disso, vai vir um sorriso, um beijo, um abraço, um carinho e uma memória dessas que cê deixou gravado com caneta permanente aqui. E meu peito vai ficar partido ao meio porque uma parte minha vai querer muito ver do que eu me livrei, a outra ainda vai ficar martelando se não desistimos rápido demais.

E eu vou odiar quando eles disserem que, fica bem, ele não te merecia. Porque nunca foi sobre merecimento. Foi sobre você. Seu sorriso. Seu gosto musical. O que eu sentia quando te abraçava. O quanto eu ficava segura quando cê dizia que, porra, eu amo muito você. E não adianta o que eles falem, eu queria que você tivesse me merecido. 

E então vai ser um dia após o outro, uma lembrança boa seguida de uma ruim, uma saudade apertada e depois uma vontade de nunca mais te ver, sentir seu cheiro, ouvir falar sobre você. E então vai ser dia fácil e dia difícil. E eu vou me esquecer de você no horário comercial, nas reuniões, nas ligações com a minha mãe. Mas vou chegar em casa, deitar na nossa cama, abrir a garrafa do seu vinho preferido e nossa história vai voltar como um soco cruzado, direto na minha cara, quebrando todo o falso discurso que, não, relaxa, não vai fazer falta, não era nada.

Por isso, deixa pra amanhã essa história de passar.
Hoje eu quero só chorar pela história triste da vez ter sido sobre nós dois.
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23 de agosto de 2014

Não se pede desculpa pelo amor


Não se pede desculpa pelo amor. Pede-se desculpa pelos gritos, pelas brigas, pelos desentendimentos, os ciúmes excessivos, as pisadas na bola, a falta de respostas, pelos silêncios, pelas bebedeiras em que falamos verdades demais, pelas traições. Pelo amor não. Não há desculpa por amar. E é por isso que eu não me desculpo com você. 

Não se pede desculpa pelo amor. Não se pede desculpa pelo cuidado, pela insistência em acreditar em alguém que sequer acreditava em si próprio, por continuar ligando ainda que só tenha escutado a caixa postal. Não se pede desculpa por ter tentado até o último segundo, até a última gota de esperança, por ter amado até meu próprio peito questionar se valia a pena amar. O amor não deveria ser algo pelo qual eu acabaria me envergonhando.

Não se pede desculpa por ter achado que a distância não era nada, que o tempo aguentava, que você era capaz de prezar pelo o que a gente tinha ainda que tivesse que esperar. Não se pede desculpa pelo outro, pelas fraquezas alheias, pelo desinteresse daquele por quem dedicamos tanta importância. 

Não se pede desculpa pelos textos de amor, pelas frases bregas, pelos clichês baratos, por vinte documentos do Word destinados a você. Pede-se desculpa - aos outros - pela repetição, por só ter um assunto e repetir em cada parágrafo a mesma palavra: você. 

Não se pede desculpa pelo começo. Pelas nossas risadas. Pelo carinho que tinha. Pelas viagens, pelas danças, os abraços, os beijos, as noites em que o que a gente menos queria era dormir. Não se pede desculpa por tentado aumentar o tempo em que a gente era feliz.

Mas se pede desculpa pelo coração quebrado, por ter prometido e não aguentado, por não ter coragem de dizer que não dava mais. Pede-se desculpa por preferir fugir a enfrentar o olhar de decepção daquela que um dia você disse que tanto amou. Pede-se desculpa por toda a dor.

E eu não te peço desculpa.
Pois não se pede desculpa pelo amor. 

28 de julho de 2014

Where were you

Cheguei em casa. Puta que pariu, vou ser bem sincera, essa é a pior parte. No trabalho, tem as metas que me distraem. Tem o chefe, tem aquela amiga que quer me contar do final de semana, tem a galerinha da copa, tem o café, tem a lanchonete no térreo que tem um pão de queijo sensacional, tem meia dúzia de problemas que, caceta, tenho que resolver ou já posso começar a descolar os adesivos que grudei no computador.  Em casa não tem nada disso. Só tem você.

Tem você na minha cama porque foi você quem saiu pelas lojas daquele shopping de móveis lá da zona norte pra achar um colchão que não fosse ferrar com a minha coluna. Tem você na coleção de discos que cê resolveu me dar junto com a vitrola marrom que conquista todo mundo que visita minha (puta que la mierda, isso soa horrível) casa. Tem você nos cantos rachados dos pratos que minha mãe me deu quando resolvi morar sozinha e ainda não tive dinheiro pra substituir por outros. Tem você nas correspondências porque ainda tem os boletos da nossa viagem pra Buenos Aires – a última vez em que a gente foi feliz. Ou, sei lá, a última vez em que eu achei que a gente era.

Dica para o resto da vida: nunca dividir uma viagem em vezes o suficiente pra dar tempo do cara ir embora. Que daí cê só fica com a parte ruim da viagem. Que nem eu fiquei com a parte ruim de você.

É uma verdadeira bosta ainda ouvir falar de você. Mas vocês se amavam tanto. Mas ele parecia louco por você. Mas eu achei que vocês fossem casar. Mas vocês faziam um casal tão bonito. Que porra, né? Eu também achei tudo isso, só que ele não. Eu também sonhei com o conto de fadas. Eu também achei que, sei lá, eu fiquei aqui, na doença, na pobreza, nas ligações de cobrança, no dia do desemprego, no dia que o seguro-desemprego acabou, nas bebedeiras em que ele quebrava a casa inteira, nas ressacas em que ele pedia desculpas, então, não sei, achei que ele ficaria também.

E ele não ficou.
E cê arrumou as coisas, cansou e foi procurar outra novinha pra te dar tudo, pra sugar tudo, pra chupar até a última gota de sangue antes de sair pela porta e dizer: eu não tô a fim de lidar com os seus problemas. 

Mas ah, eu cheguei em casa. E tem uma faxina enorme que preciso fazer até te arrancar inteiro das paredes. Porque, porra, cê não tem ideia do mal que cê me fez. Mas espero, de verdade, que eu consiga ver, qualquer hora, algum bem nessa merda toda também.



Oh baby why did you run away?

I was there for you
In your darkest times
I was there for you
In your darkest nights

But I wonder where were you
When I was at my worst
(Maps - Maroon 5)

16 de julho de 2014

Sem querer

Tinha de ser daquele jeito? No meio de uma balada que eu fui só por ir, sem make pesada, sem paetê na roupa? Você viu o que quando olhou pra mim? A sapatilha sem graça? O batom clarinho? Alguma coisa te fez atravessar a pista e tentar, e não foi o meu sorriso, aposto.

A conversa gritada ao pé do ouvido não foi legal, me fazendo supor que como qualquer pessoa naquele lugar, você queria curtir. Previsível. Eu entrei na sua, dancei no seu ritmo e me deixei levar. Um beijo, dois beijos, três beijos. Ok, tira essa mão daí! (Eu não bebi o suficiente pra perder a dignidade). Piadas toscas, propostas ridículas. Telefone? Claro, passo sim. Hoje em dia isso nem é tão pessoal, ninguém liga mesmo. Que diferença faz?

A diferença é que era você. Com todo a pompa de alguém educado que perde a linha de vez em quando, se arrepende e tem a decência de querer se redimir. 

E cê tinha que me ligar no dia seguinte. Desrespeitar o protocolo. Fazer convites irrecusáveis. Insistir. Cê tinha que ser legal, desfazer a primeira impressão e me deixar confusa. Cê tinha que ser diferente quando tudo o que eu queria era um cara igualzinho aos outros, pra suprir a carência e ir embora sem pedir ou dar explicação. Só pra fazer um carinho e ir embora. Custava ser assim? Não, cê tinha que querer ficar. E ir ficando.

Mas tudo bem, se você quer quebrar as regras e se apaixonar por uma garota insegura que conheceu na noite, acreditar nisso por sei lá qual motivo, pensar realmente que vai dar certo...Ora quem sou eu pra duvidar? Na verdade sua fé me comove, num tanto que eu fico pensando se eu dormi em alguma parte da historia e não tô vendo o que você tá vendo na gente.

Vê se me entende. Você me pegou desprevenida, de repente, no susto. Eu tô acostumada a levar rasteira, não lido bem com essas surpresas que parecem fazer cócegas no coração. Não me impede de gostar, mesmo não entendendo e desconfiando disso.

Mas ó, tem paciência comigo, desiste não. Eu tô engatinhando ainda, não cresci o suficiente pra saber amar desse jeito real que você tá pedindo. Aceitar alguém que chega da maneira mais improvável na minha vida, que vai se aconchegando e fazendo morada. É esquisito. Você me ensina como eu faço?

Se você dizer que me entende e ainda assim fica, eu digo que tento e de quebra faço dar certo. Juro.

SOBRE A AUTORA: DÉBORA SVAIGER tem 20 anos, e acha que toda dor pode ser curada com um punhado de palavras. Tem mais fé do que coragem, se apaixona e desapaixona na mesma velocidade que troca de cor favorita. Gosta de música alternativa, filmes que ninguém entende e tardes ensolaradas. Prefere as pessoas leves e tem preguiça de quem tem o ego como bichinho de estimação. A indiferença é a sua armadura de ferro pra aguentar gente vazia, amores mal resolvidos, e desilusões do dia a dia. 

5 de julho de 2014

É difícil escrever sobre o amor

É difícil escrever sobre o amor porque parece que tudo sobre o amor já foi falado. E ainda mais sobre o desamor. E todas as dores, e todos os choros, e todas as brigas. Tudo já foi vivido. E falar sobre o amor é, aparentemente, uma eterna repetição. É falar do amor até quando o amor não existe. E o problema de escrever sobre algo até a exaustão é que todo mundo acaba um pouco cansado de ler sobre o amor. 

É difícil escrever sobre uma coisa que cansa.

É difícil escrever sobre o amor em tempos de guerra. Em tempos de Copa. Em tempos de eleição. Em tempos de posts enormes no facebook falando sobre qualquer coisa que, no fundo, eu não quero ler. Aliás, é difícil escrever sobre qualquer coisa em tempos em que as pessoas não sabem mais apenas ler algo, não gostar e seguir a vida. Elas precisam falar que não gostam e escrever respostas e fazer colunas e...aquilo tudo que dá tanta preguiça. Meu Deus, aonde eu estava com a cabeça quando eu resolvi gostar de escrever?

É difícil escrever e, mais, escrever sobre algo que eles dizem ser fútil. É difícil escrever sobre o amor porque sempre acham que falamos do nosso amor e, portanto, das nossas dores, das nossas traições, dos nossos chifres, das nossas lágrimas e dos nossos amantes. Sem entender que, na verdade, é tudo mesmo um pouco nosso, ainda que seja bem mais seu, ou dele, ou dela, ou de ninguém. Porque escrever sobre o amor é viver um pouco o amor que a gente nem viveu. 


É difícil escrever sobre o amor porque eu me questiono diariamente se eu posso dizer, sequer, que eu escrevo. Ou só se uno umas palavras e publico textos que nunca deveriam ser lidos. 


É difícil. E hoje eu queria falar sobre isso. 


Mas eu insisto.


Ainda que questionem. Ainda que achem fútil. 

Ainda que não entendam nada.
Ainda que achem sempre que é sobre mim.
Ainda que pensem que eu sou só mais uma babaquinha com dor de cotovelo que resolveu falar sobre seus chifres. 

Eu escrevo sobre o amor porque eu realmente acredito que o amor (em todas as suas formas) é o início de todas as soluções do mundo.


Eu escrevo sobre o amor porque eu realmente acredito que a gente só vai chegar a algum lugar quando aprender a amar o outro. E, por isso, aprender a se respeitar de verdade. 

Eu escrevo sobre o amor porque eu ainda tenho que acreditar em alguma coisa bonita no meio de uma imensidão de coisas feias.


E se eu sou uma babaca por acreditar em tudo isso: que seja.


Sou uma babaca. E eu escrevo sobre o amor.


Lidem com isso. 

28 de junho de 2014

Nem Lésbica Nem Puta: Apaixonada Por Futebol

Ser mulher e gostar de futebol é estranho, mas é engraçado. É aprender a lidar com olhares meio torto de marmanjo sem noção que acha que a gente tá tentando conquistar ao falar que, sim, a gente não só acha graça em 22 homens correndo pelo campo, como não perde um joguinho que se preze no domingo à tarde. Ser mulher e gostar de futebol é aguentar as perguntas imbecis: ah, você gosta mesmo de futebol? Então me explica o que é impedimento. Como se impedimento fosse algo muito difícil de se entender. E responder, com a maior paciência, dando vários exemplos, sendo irônica, com sorrisinho de canto ao ver o sorrisinho de canto do sacana diminuir a cada resposta correta. É saber que você tem que entender muito mais do que o rapaz que discute com você se quiser ter alguma moral com ele ao abrir a boca e falar que o time dele é, ó, uma merda e não tem nada a ver com o fato do time dele ser, ó, coincidentemente, rival do seu e sim com o fato do time dele ter uma zaga ridícula e um ataque pior ainda; que o técnico só faz substituição mal feita e que por isso ele tá no meio da tabela e não no topo –mesmo quando seu próprio time não está liderando aquela merda de campeonato –Inclusive, ser mulher e gostar de futebol é entender todas as limitações do seu time de coração, os pontos fortes, fracos, e mesmo assim, na pior da situação, tipo o São Paulo no ano passado no Brasileirão, fazer como eu e colocar um avatar no twitter com a blusa do time pra dizer que: pois é, amor é assim mesmo, meio maluco né?

Ser mulher e gostar de futebol é ser apresentada para os amigos do seu pai e ouvir dele um “mas se for discutir futebol com ela, toma cuidado, que ela sabe tudo”; é ter que entender de técnica, tática, história e por que raios tem três estrelas na blusa pra provar pro carinha que você sabe mesmo da coisa. É ser chamada de mulher perfeita pelo carinha que gosta de você porque além de bonita, ainda entende do esporte. Mas também é aguentar cantada chata quando você resolve assistir o jogo num bar cheio de marmanjo e eles acharem que você está lá só para ver coxas e braços e peitos e barriga. Aliás, ser mulher e gostar de futebol é entender sim de coxas, braços, peitos e barriga bonita, mas também acompanhar a bola dentro de campo, porque mulher, você sabe, mulher sempre conseguiu se focar em mais de uma coisa ao mesmo tempo.

É pular sem medo de se despentear, mesmo que você ande sempre arrumadinha, quando o adversário quase faz gol no seu time; é mandar o juiz tomar no cu, quando você é a bonequinha da família; é abrir mão da roupa da moda pra colocar a blusa do seu time; e é gritar É GOL CARALHO mesmo quando você nem fala tanto palavrão assim, no dia-a-dia. Porque nada bate falar um caralho, depois de um gol do seu time em cima do grande rival numa final de campeonato; é não impedir o namorado de ir jogar uma pelada, mas pedir pra ele fazer um gol só pra você na partida com os amigos (e se puder me levar, cara, me leva que eu juro que não reclamo não!).

É assustar os homens porque você entende mesmo da coisa ao mesmo tempo em que consegue a admiração deles por isso; é deixar o namorado morrendo de ciúme porque você ás vezes fala demais do jogador tal, porque você sabe que o Cristiano Ronaldo não é apenas um rosto bonito e que, por Deus, a seleção da Itália vai ser gata assim na minha casa, por favor! É ficar louca quando um jogador desmaia em campo porque, diferente dos homens, somos passionais e não conseguimos disfarçar isso mesmo quando o jogador é do time rival. Ser mulher e gostar de futebol é não conseguir ver uma bola e não tentar ir lá dar uma embaixadinha mesmo que a gente não saia da primeira; é ouvir da mãe um berro de “por que é que você não vê futebol que nem mulher?” e não entender o que ela quer dizer com isso ou ouvir da sua avó que ela desconfia que você é lésbica, porque você tá sempre no meio de muito homem assistindo jogo. Ou é lésbica, ou é puta. Que no meu tempo quem gostava de futebol era homem.

No seu tempo, vó, podia até ser. Mas hoje a mulher foi pra rua, conquistou emprego, independência, voto nas eleições e o poder de decidir do que gostar ou não gostar sem ser censurada por isso. Hoje, a invasão feminina no futebol é incontestável. E a paixão mais ainda. E não somos nem lésbicas nem putas (ou podemos até ser, mas não por ser apaixonada pelo esporte), mulher que gosta de futebol é mais feliz – porque, sinceramente, não tem como não ser feliz com uma seleção como a da Itália na Copa do Mundo com um uniforme colado no corpo, né?

BLOGAGEM COLETIVA: O tema dessa blogagem foi futebol. E assumo que foi bem difícil escolher um texto para postar, a concorrência foi bem acirrada. Por isso, apesar de ter escolhido o texto da Fernanda Campos, lá do UDC, como o vencedor desta vez, vou convidar mais duas leitoras para escrever um texto pro blog (entro em contato em breve com as meninas escolhidas). Enquanto isso, apreciem os textos da galera que participou:

Ah, o futebol..., da Érica Larissa
Apito final, da Daniela Martins 
Dentro das Quatro Linhas, da Débora Svaiger
Fim de jogo, da Carol Ruedas
Retranca, do blog Serenata a Capella




23 de junho de 2014

Perdoa, moço

Era início de inverno quando ela decidiu ir embora. Nem pensou na cama fria que deixava (que espécie de pessoa vai embora quando a gente mais precisa de alguém pra nos aquecer?). Tinha silêncio, que foi o que mais ela deixou. E tinha ainda um milhão de coisas pra falar, mas que cê nem falou. Quem é que fala com um nó na garganta? Quem é que pede pra ficar quando já sabe que não fica? Ela foi embora e você pensou: que vá pro inferno!

Você ficou com a dor, o desamor, a tristeza, a desilusão. Cê ficou com a raiva, embrulhada pra presente, esquecida debaixo da cama, fazendo um barulho que só por Deus. Eu vou odiá-la pro resto da minha vida, cê pensou. E eu só peço: ainda que seja difícil, moço, perdoa.

Perdoa se ela não teve tato pra te dizer, assim, que o amor não é incondicional como a gente pensa. Talvez ela não tenha conseguido ser a mulher que você queria que fosse – e, pior, talvez isso doa mais nela do que em você. Ou talvez, na verdade, ela só não tenha passado ainda pela dor de um coração partido desses que ela deixou no seu peito. E aí é irresponsável com os sentimentos dos outros como se quebrar o coração fosse que nem bater o dedinho do pé na quina da cama (ela só não sabe que, apesar de passar, dói como se fosse o fim do mundo – nas duas situações).

Mas perdoa.

Perdoa se, mesmo com o início repleto de lembranças lindas, tenha acabado com o mesmo fim triste e patético de suas outras relações. Perdoa os gritos, as lágrimas, os silêncios, o ciúme, as portas batidas, a indiferença, as vezes que ela não ligou, as vezes que ela voltou quando devia ter parado de tentar te machucar e, principalmente, perdoa por ela não ter mais voltado.

Perdoa o que teve de menos e por tudo o que houve demais. Perdoa se o anúncio oferecia tudo bem diferente. Perdoa por você ter limpado tudo, trocado os lençóis, ajeitado a vida, preparado comida e arrumado imperfeições, tudo pra ela se sentir em casa, se sentir bem e vir pra ficar – pra sempre.

Perdoa se não teve amor, se não teve nada. E lembra que, apesar de tudo, teve carinho. Bem pouco, talvez quase nada, ou talvez um montão. E guarda na lembrança o tudo que ela te deu antes de te deixar com o quase-nada – a não ser com as lembranças ingratas de um amor que quase foi. E, quando lembrar do último sorriso que cê deu antes de tudo, perdoa. Que, na verdade, quando a gente perdoa o outro, tá mais é se perdoando e aceitando: nem sempre dá pra controlar os nossos finais.