28 de agosto de 2016

Qualquer dia, eu te ligo


Qualquer dia eu passo em frente à sua casa e resolvo tocar a campainha. Pra te dar aquele abraço que eu fiquei devendo quando tava magoada demais pra querer acabar numa boa. E te devolvo aquela camisa que eu deixei escondida em casa porque não queria perder tudo o que eu tinha de você. Mesmo que só tenha sobrado uma camisa e as minhas memórias.

Qualquer dia eu pergunto de você pros nossos amigos em comum sem medo de que eles me digam que você seguiu em frente. E sem querer saber se você sente a minha falta. Só querendo saber mesmo se você tá bem, se realizou seus sonhos, se resolveu abrir seu próprio negócio...essas perguntas que a gente faz por pura preocupação sincera mesmo. E não por dor de cotovelo.

Qualquer hora eu apareço num aniversário do seu irmão – ele ainda insiste em me chamar, mas sempre rola um medo enorme de como vai ser reencontrar você. Vai ver uma hora eu paro de imaginar como vai ser ficar cara a cara com você de novo e simplesmente vou.

Uma hora, eu respondo aquela sua mensagem. “Não me odeia”, você pediu. E no dia eu te odiei. Naquele tempo, eu não entendi o desamor. Não entendi o querer-ir-e-me-deixar. Não entendi que acaba pra um e pro outro não. Mas depois de tanto tempo?

Qualquer dia, eu te ligo. E te conto que foi difícil, acho que sempre é pro lado que ainda ama. Mas que a vida foi passando, dei umas cambaleadas, tive que cuidar de uns arranhões...mas vai tudo entrando nos eixos depois. E te falo que doeu, bastante, mas aconteceu como todo mundo dizia: qualquer hora, passa. Qualquer hora passou: o amor. Ficaram as lembranças, uma saudadezinha doída de vez em quando, as fotos e as memórias pra contar. Mas só.

Qualquer dia te ligo. E te aviso: “não te odeio mais....”. 


26 de agosto de 2016

Pequenas grandiosidades

Vazia. Completamente vazia. Encaro a página em branco por alguns minutos e nada me vem à mente enquanto procuro por qualquer coisa grandiosa que possa preencher todo esse espaço. Nada. Nadinha. Às vezes tenho a vontade de injetar cafeína na veia, correr por aí à meia-noite ou fazer algo que eu não deveria só para ver se algo aparece. E eu sei que não vai.

Nada parece importante o suficiente quando o que se está procurando são pacotes completos de felicidade, de acontecimentos marcantes que poderiam virar filme, livro, lenda urbana, canção de amor. O que eu procuro, percebo, vem nos detalhes.

Como naquela vez em que minha avó me olhou e sorriu. Só isso. Isso depois de meses de saudade. Ou naquele dia em que eu peguei toda essa hesitação e joguei ao vento só para chama-lo para fazer qualquer coisa despretensiosa – e ele disse sim.

Ou no dia em que eu consegui terminar tudo que tinha que fazer minutos antes do deadline. Minutos estes que usei para tomar um café, que me fez desenterrar uma memória de anos atrás, num canto de mundo – ou de Minas. Lembranças de uma época em que tudo parecia mais fácil.

E é tão gostoso perceber que apesar de as coisas terem se tornado mais complicadas, continuo aqui – um tanto cansada, mas, viva. E grata por isso.

Só preciso reajustar minhas noções de prioridade.





18 de agosto de 2016

Então, deixa eu te contar: mudar é bom

Há uns anos, eu escrevi um texto e ele foi publicado em um site grande. Dezenas de pessoas começaram a me seguir, elogiaram o que eu escrevi, me mandaram e-mail, compartilharam no Facebook e no Twitter. Teve gente que me criticou também, mas na época eu nem liguei muito para as críticas porque eu não via problema algum com o texto (além de um erro de português que aconteceu bem na hora da edição). Eis que o texto era justamente sobre isso: falando sobre desilusões ortográfico-amorosas. Eu tava lá me achando muito engraçada e descolada escrevendo um texto em que eu reclamava dos erros de português dos outros. 

Bacana eu. 

O texto ainda circula por aí na internet e ainda continua publicado lá no site grande (não por vontade minha, mas eu concordei com isso quando eu enviei, então né…), mas ele não tá aqui, num espaço que eu controlo. Porque é mais um dos textos que eu me arrependo de ter escrito. É, tenho alguns deles. Já escrevi uns textos machistas e babacas, e esse: com preconceito linguístico. 

Tenho vergonha dele? Sim. Mas eu sei que ele não representa mais quem eu sou. Aquela era eu com 20 anos achando que sabia tudo da vida. Me achando muito descolada e me sentindo porque tava sendo publicada pela primeira vez em um site grande. Eu mudei de lá pra cá. Hoje eu acho aquele texto babaca e preconceituoso. E eu me incomodo quando eu ainda vejo ele compartilhado por aí com meu nome embaixo. 

Se alguém pegar meus tweets antigos, talvez ache um monte de coisa que hoje eu sou completamente contra. A gente muda com os dias, os meses, os anos, as experiências que passa e as coisas que lê. Que bom, né? Que bom que a gente não permanece com a cabeça fechada como se a gente tivesse todas as respostas do mundo no auge da juventude. 

Vez em quando, eu vejo gente pegando tweet antigo de gente famosa pra criticar. Pô, gente, tweet de 2010 pra ilustrar quem a pessoa é agora? Jura? Tá, tudo bem, é verdade: tem uns e outros aí que só pioram (a gente acompanhou recentemente um cantor aí que foi bem assim, né?). Mas a maior parte das pessoas - eu tento acreditar, pelo menos - mudam. Crescem. Amadurecem e abandonam pensamentos pequenos. Então que tal se a gente julgasse menos o passado dos outros? Se a gente parar pra olhar o nosso, talvez até se assuste.

Acho, de verdade, que o problema não é ter sido babaca no passado. Todo mundo já foi na vida. Sei lá, eu admito que já ri, compartilhei ou publiquei coisa babaca nas minhas redes sociais. Acontece. Acontece também que hoje eu tento ser melhor do que quem eu era. Porque isso é tentar evoluir. 

Não tem nada de errado em mudar. Na verdade, eu desconfio é de quem continua sempre igual. 




14 de agosto de 2016

Obrigada por isso


A primeira vez que quebraram meu coração, eu achei que não dava mais conta de amar. Sei lá, eu era nova e quando a gente é nova acha que as dores são as maiores do mundo. Não que eu queira minimizar a pisada de bola, não quero. Mas fato é que sobrevivi; venho sobrevivendo aos trancos e barrancos a mentiras, chifres, episódios de deslealdade e papéis de trouxa que nem cabem mais aqui.

Eu já era mais madura na segunda vez e tentei pensar que a gente sempre aprende alguma coisa quando cai. Mesmo que eu tenha caído feio, mesmo que tenha me ralado inteira, mesmo que eu tenha chorado escondido no quarto sem ninguém ver. Aprendi, eu acho. Que amar envolve reciprocidade, antes de tudo. E que eu não posso - e nem devo - convencer ninguém a me amar. Nem me ajoelhar implorando que o outro entenda o meu amor, que me ame, que fique. Quando a gente quer ficar, a gente fica.

A terceira, assumo: achei que o problema era comigo. Eu que amava errado, eu que não merecia o amor de alguém legal, eu que devia ter grudado chiclete na cruz ou qualquer coisa assim. Bom, eu pensei, acho que é isso: o amor não é pra mim. Porque deve ter isso (eu achava): gente que não nasceu pro amor; e tudo bem, eu era uma dessas pessoas. 

É verdade que eu nunca precisei do amor romântico pra ser feliz; eu tenho um punhado de amor em forma de amigos, família e irmãos. Mas doeu - acho que sempre dói - acreditar que o problema era meu. Me enxergar como não-merecedora de algo que tanta gente tinha e parecia tão feliz. Essa medalha não era pra mim, eu achava. Talvez outras fossem, essa não. E eu me achava um pouquinho pior a cada dia por causa disso.

Aí veio você. 

Veio você e foi fácil, depois de tantas vezes difíceis. Veio você e foi simples. Veio você e fez as minhas pernas tremerem e a garganta formar um nó porque, meu deus, acho que agora é amor-amor, não amor-meia-boca. Veio você e eu perdi o medo de amar. 

Não quero soar exagerada, cê sabe que eu não sou assim. Não tenho essa certeza toda que os casais têm que a gente vai viver junto o resto da vida. Não tenho. Talvez você nem seja o amor da minha vida. Talvez nossa história acabe daqui uns dois meses. Talvez eu chore, talvez você quebre meu coração, talvez eu quebre o seu. Relacionamentos são imprevisíveis e eu não coloco a minha mão no fogo por nenhum deles. 

Mas veio você. Sabe?

E depois de tanto tombo, depois de tanta lágrima, depois de achar que o problema era eu, você me fez acreditar que não, não é isso: eu também fui feita pro amor.  É, eu também mereço encontrar alguém legal e tirar fotos bregas no Instagram com legendas um pouco vergonhosas. Eu também mereço ser amada - quem não merece?

Você veio e me fez amar de novo. E me fez acreditar, pela primeira vez, que me amar não tem que parecer tão difícil. 

Obrigada por isso. 




11 de agosto de 2016

Verborragia

A parte complicada sobre não falar? O papel sofre. O papel sofre porque é nele que eu despejo todas as palavras que agonizam e nem mesmo passam pela boca a não ser em sussurros inaudíveis no meio da noite, quando ninguém vai ouvir.

Eu venho perdendo-me aos pouquinhos, numa tentativa de me encontrar. Eu sei, já disse isso antes. Mas, é que, dessa vez, surge uma nova percepção sobre isto. Por temer passar pela vida sem vive-la, estou me obrigando a sair da zona de conforto (mesmo que aos pouquinhos) e fazer aquelas coisas que eu sempre quis fazer, mas deixava de lado por medo.

Alguns momentos de ok, vamos lá” que tem me levado a uma série de outros momentos de pura e leve plenitude que, mais tarde, me jogam numa espiral de culpa e ansiedade e agonia porque eu não estou acostumada a me sentir assim. Certamente há um preço a se pagar pela liberdade, não? Alguma consequência, alguma coisa que vai me convencer de que eu nunca deveria ter agido?

O que mais angustia é que eu não sei. Não ainda. Por enquanto, só tenho medo. Medo do futuro enquanto tudo que eu queria era isto: poder ficar aqui, bem aqui, vivendo o agora. Pela primeira vez.