28 de novembro de 2016

O agora é subestimado

Talvez seja a ocasião, mas, ultimamente, metade das conversas que tenho em algum momento chegam ao mesmo lugar: quais são meus próximos passos. Caramba... Eu não sei. Eu não sei o que vou fazer amanhã, semana que vem, ou, nos anos seguintes. Eu não sei! Frequentemente acontece de eu estar tão exausta que sequer consigo vislumbrar os próximos minutos. É como estar de volta à adolescência: uma criaturinha assustada sem saber o que fazer a seguir. E às vezes me pergunto se chegamos mesmo a descobrir... As coisas mudam com tanta frequência que tenho sorte se consigo acompanhar.

Eu, especialmente, tenho mudado tanto. Nos últimos meses, vivi tantas coisas que eu sequer havia imaginado que só o fato de eu manter minha sanidade (quase) intacta já me parece o bastante por agora. E o agora é sempre tão subestimado.

Tudo parece uma corrida. Uma história superficial em que cada momento é vivido em expectativa por algo que ainda não aconteceu; em que só o que existe é isso: expectativa. E às vezes nem é por tanta coisa assim. É só essa ideia de que a próxima pessoa, o próximo emprego, o próximo-seja-lá-o-que-for deve ser melhor. É um ciclo vicioso, me arrisco a dizer. E me mata lentamente.


Ao menos uma vez eu quero me deixar vivenciar exatamente este momento. Este bem aqui. Sem preocupações com o almoço de amanhã, o que farei quando acabar a faculdade ou o livro que comprei há semanas e ainda nem cheguei à metade. Minha vida já é estranha o bastante sem que eu precise adicionar uma dose extra de ansiedade. Eu só preciso estar viva. O restante eu descubro no caminho. Eu nunca lidei bem com roteiros, de qualquer forma.

* * *

O motivo da minha ausência por aqui é este: eu estava escrevendo um livro sobre a violência contra a mulher. Caso se interessem, ele está disponível para download neste link aqui: http://wp.me/p6p8qn-1vo.



20 de novembro de 2016

Meu mês de Kindle Unlimited


Já fazia um tempo que eu queria experimentar o Kindle Unlimited e eu estava bem curiosa para saber se eu iria curtir. Mas, como boa mão-de-vaca que sou, sempre enrolava e deixava para depois. Não porque eu ache o valor muito alto; na realidade, acho um valor bem justo. Acontece que eu tenho um certo apego com livros físicos e não sabia se queria pagar para ter acesso a ebooks emprestados que, depois, eu teria que devolver

Mas aí minha memória (ou a falta dela) resolveu trabalhar a favor da plataforma. Eu tinha me cadastrado para experimentar o mês grátis (em que você tem acesso a amostras dos livros) e, no cadastro, incluí o número do meu cartão de crédito. Não usei muito o mês de amostra, mas acabei esquecendo de cancelar meu cadastro. Quando o mês acabou, a cobrança do mês seguinte foi automática. Aí já era, eu tive que começar a usar para compensar o gasto, certo?

Para quem não sabe ao certo como funciona, o Kindle Unlimited é uma plataforma que te dá acesso a milhares de livros por R$19,90 por mês. Ele funciona mais ou menos como um Netflix de livros, que você pode acessar pelo Kindle ou por aplicativos no celular, computador ou tablet. Você tem direito a baixar até 10 livros de cada vez, e pode ir devolvendo quando acaba de ler para pegar outros. 

Ao contrário do que eu pensava, eu gostei muito das opções de livros que ele disponibiliza. No fim do meu mês, fiquei até bem triste porque faltava muita coisa que eu queria ler. 

O que eu li no meu mês de Kindle Unlimited


Harley & Rose, da Carmen Jenner
Ainda não sei dizer se amei ou odiei esse livro. Então vou ficar com o meio termo: gostei, mas com alguns poréns. O principal: a sinopse é horrível. Sério, acho que uma das piores sinopses que vi nos últimos tempos. 

Quando peguei o livro para ler, eu queria algo para a ressaca literária, leve e gostoso de ler. E o livro foi assim até a metade. Depois, rolou uma reviravolta do nada. Algo bem inesperado no início e que me deixou bem perdida. Eu fiquei tão puta que cogitei parar a leitura, mas já tinha me apegado aos personagens e continuei. 

E aí rolou toda essa relação de amor-e-ódio. Ri, chorei, me irritei e fiquei com vontade de jogar o ebook longe. Se quiser se aventurar na leitura, esteja ciente que a sinopse dele é ruim.

*Disponível em inglês



Peter Pan, do J.M. Barrie
Eu já tinha lido Peter Pan quando era mais nova, mas minha leitura anterior no Kindle Unlimited (Harley & Rose) cita Peter Pan muitas vezes ao longo da história, o que acabou me deixando com saudade. 

Reli e lembrei da infância, da quantidade de vezes que assisti aos desenhos e filmes do Peter Pan e de como eu adorava a história. Uma releitura bem gostosa de fazer. 

Para quem não conhece (existe alguém?), a história é sobre Peter Pan, a única criança que não cresce. É um clássico da literatura infantil que vem ultrapassando gerações e nos transportando para um mundo mágico de fadas, piratas, sereias e muito mais. 





Amor em Jogo, da Simone Elkeless
Eu já tinha lido Química Perfeita da Simone Elkeless e não tinha gostado muito. Apesar disso, resolvi dar uma chance para Amor em Jogo, porque muita gente já tinha me indicado. 

Achei um livro ok. Não super amei, nem super odiei. Na verdade, nem sei dizer ao certo o que me incomodou no livro, acho que ele apenas não me ganhou

Mas é uma leitura válida para quando você não sabe o que ler e é rápida, o que sempre é bom. Além de levantar a problemática sobre se rebaixar e se tornar submisso em uma relação. 





Adorkable, da Cookie O'Gorman
Esse é um ótimo livro para te entreter, exatamente o que eu gosto de ler depois de algum livro pesado. Algo fofinho, bonitinho e romântico. Adorkable preenche todos os requisitos para um bom livro para a ressaca literária. 

Ele conta a história de Sally, uma adolescente de dezessete anos que sofre com a pressão da mãe e da melhor amiga para arranjar um namorado. Depois de muitos encontros armados com caras estranhos, ela decide dar um basta na situação. Para isso, ela resolve se envolver em um namoro falso. E seu namorado fake é nada mais, nada menos do que seu melhor amigo, Becks. 

Essa é uma história de amor e amizade, em uma leitura bem leve e rápida. Indico! 

(Leia a sinopse)*Disponível em inglês



O lado feio do amor, da Colleen Hoover
Eu já tinha lido Métrica, da Colleen, mas não sei por que raios demorei tanto para ler mais livros da autora. Até porque tenho muitas amigas que amam tudo o que ela escreve e viviam me indicando. Resolvi mudar esse cenário com O lado feio do amor e não me arrependo. 

Não que eu tenha morrido de amores por esse livro, não morri. Na verdade, ele me irritou em diversas partes e eu não gostei muito dos personagens (para falar a real, os personagens me encheram bem o saco). O livro também não me surpreendeu muito, porque imaginei o que tinha acontecido logo no começo. Mas, apesar de tudo isso, a escrita da Colleen é muito boa e acho que foi a escrita que me segurou até o fim da história. 

Foi a escrita dela também que me fez ler o livro seguinte e que se tornou minha melhor leitura do mês (livro abaixo!!!!). 




Um Caso Perdido, da Colleen Hoover
Com certeza, esse foi meu livro favorito desse mês. Depois de ler O lado feio do amor, resolvi que ia me aventurar em mais livros da Colleen. Foi aí que vi que Um Caso Perdido (da série Hopeless) estava disponível no Kindle Unlimited e baixei o ebook na hora. 

Preciso dizer que grande parte da minha grata surpresa com esse livro aconteceu porque eu não li a sinopse nem nenhuma resenha, apenas comecei a ler a história de uma vez. Por isso, não vou falar muito sobre ele aqui também, desculpa. 

Só posso dizer que ele me envolveu, me deu muito assunto para pensar sobre o que considero certo e errado, além de ter me surpreendido. Leitura favorita do Unlimited. 





Sem Esperança, da Colleen Hoover
Esse livro também é da série Hopeless e conta a mesma história de Um Caso Perdido, mas pelo ponto de vista do Holder, o garoto que aparece no primeiro livro. Preciso admitir que eu tenho uma certa preguiça de ler a mesma história por diferentes pontos de vista, então não amei muito esse livro não. E também não gostei dessa capa. 

Maaaas...gostei bastante de alguns trechos da história e o livro me fez gostar mais ainda do personagem. 

Acho que eu teria preferido que, ao invés de um livro novo só para mostrar o ponto de vista dele, a autora tivesse incluído alguns capítulos dele em Um Caso Perdido





Cinder & Ella, da Kelly Oram
Esse foi o último livro que li no mês. Eu queria algo rápido para ler, porque só tinha mais 2 dias de Kindle Unlimited. E gostei da ideia de ler um livro sobre melhores amigos virtuais. 

O que posso falar desse livro é que achei que ele tinha tudo para ser melhor. Ele aborda diversas temáticas que me agradam, como bullying, amizade na internet, problemas com autoestima e superação de cicatrizes físicas e mentais. Mas achei que faltou alguma coisa para me segurar na história. Para falar bem a verdade, eu só acabei de ler porque não queria deixar minha última leitura incompleta e não ia mais ter tempo para começar um livro novo. Acho que foi o livro que menos gostei do mês. 

*Disponível em inglês



*Não paguei mais um mês de Kindle Unlimited porque eu realmente preciso voltar a escrever e, lendo um livro atrás do outro, não estava rolando. Talvez no ano que vem eu volte a assinar a plataforma e conto das minhas novas leituras aqui. 

E vocês, usam o Kindle Unlimited? Me contem o que acham e se têm indicações de livros.


14 de novembro de 2016

Oi, Karine de 15


O tempo passou e a gente chegou aos seus sonhados 25 anos. Preciso te falar a verdade: fazer aniversário não é mais tão empolgante - acho que aconteceu depois dos 18, quando a gente percebeu que ficar mais velha não era tão divertido assim. Sinto te informar, mas ser adulto pode ser bem chato. Você vai odiar pagar as próprias contas e declarar imposto de renda. Por isso, aproveite bem sua festa e sua idade. Você vai lembrar dela com um carinho enorme.

Tá tudo bem, se é o que você quer saber. Às vezes, tudo vai ótimo. Outras vezes, nem tanto. Mas a gente vem se virando bem nesse tempo todo, aos trancos, barrancos, tombos e risadas. Muitas risadas. Alguns choros também, mas tamo viva, Ká. Umas cicatrizes, é verdade, mas viva. Quem diria.

A gente não conquistou tudo o que você queria, sinto muito. Não casei, desculpa. Sequer tô em um relacionamento. Quem sabe você não descobre aí, no meio do caminho, o que é que a gente tem que fazer para parar de fugir quando a coisa fica séria. Ou melhor: como parar de ter dedo podre. Eu ainda não descobri. Nem tô pensando no primeiro filho, esquece. Mais pra frente a gente conversa sobre esses planos de novo, combinado? Por agora, tô bem tranquila do jeito que eu tô.

Você vai perder pessoas. Acontece com todo mundo. Algumas vão sair da sua vida por vontade própria  (não tente segurá-las pelos pés - quem não quer ficar, não fica nem se você se esforçar muito). Outras vezes, é você quem vai se afastar - não dá para continuar amiga das mesmas pessoas pra sempre. Mas você vai ficar bem, ok? Talvez chore e sinta falta de alguns amigos, mas vai ficar bem.

Algumas pessoas vão ficar doentes e não vão resistir. Outras vão embora sem aviso prévio, no auge da saúde. Por isso, não guarde sentimentos, está bem? Lembre as pessoas ao seu redor o quanto você as ama sempre que puder. Isso vai fazer toda a diferença. Ah, e aquelas histórias intermináveis do vovô? Escute-as até o fim. Você irá sentir falta delas.

Não chore tanto por não ter passado naquela faculdade pública que queria. A sua nota no vestibular não define quem você é. Se quiser deixar de ter uma religião, faça isso. Você vai se sentir muito mais próxima de Deus do que em todos os anos em que ficou dentro de uma igreja.

Continue fazendo ginástica ou algum esporte. Por favor, não abandone essa prática. Você não vai querer chegar aos 25 sedentária e sem nenhum preparo físico, sofrendo para fazer uma trilha simples quando estiver morando do outro lado do mundo, te garanto. Faça uma poupança - não para comprar um carro, um apartamento ou qualquer coisa assim, mas para viajar. Viajar vai ser uma das maiores paixões da sua vida.

Entre em um curso de espanhol. Você vai trabalhar com argentinos duas vezes ao longo desses 10 anos e ser fluente na língua faria toda a diferença. Continue assistindo muita TV - um dia, você vai trabalhar com isso. E não delete o seu blog - você vai conhecer muitas pessoas especiais por causa dele.

Ah, e um aviso: vá a um show da turnê de despedida do RBD. Você vai se arrepender de não ter ido, mesmo que ache que já parou de gostar. 

Toda vez que você pensar que as coisas nunca vão chegar a lugar nenhum, pense em mim. É, talvez não tenha acontecido tudo o que você queria, mas aconteceu tanta, tanta coisa. E nesse meio tempo, te juro, Ká: a gente foi muito feliz


10 de novembro de 2016

Indicação do dia: Little Nation

Você já ouviu falar da Little Nation? Se ainda não sabe nem do que eu tô falando, vem cá que eu preciso falar disso.
Fotos: Gustavo Arrais e Deborah Maxx/ Assistente de fotografia: Igor Testa  

Little Nation é um duo de folk-pop formado por Samille Joker e Henry Jack (ou Rique Azevedo, como ele também é conhecido). A primeira vez que eu escutei uma música da dupla foi bem por acaso, em um vídeo que a Samille publicou no Facebook. Como eu tenho amigas em comum com ela e eu já sabia que ela era cantora e compositora, resolvi parar e escutar. E não deu outra: adorei. 

O que eu acho mais legal das músicas deles é que tanto as que são em português como as que são em inglês ficaram igualmente lindas. Além de curtir muito as vozes dos cantores e as batidas das músicas, eu gostei bastante das letras. 

E aí, como virou um dos meus vícios musicais do momento, resolvi compartilhar. Quem sabe não vira o seu vício também. Vou deixar minhas duas músicas preferidas aqui, mas se quiser saber mais, você pode acessar o site, o canal deles no Youtube ou a página do Facebook

Ah, e quer saber de mais uma coisa super legal? A Samille e o Rique são os compositores da música "Sonha Comigo", uma das músicas temas da nova novela das sete da Globo, Rock Story. A música vai ser cantada pelo ator Rafael Vitti.







Se eu pudesse te eternizar em forma de texto

Uma vez, você me disse que eu sempre escrevia o que você precisava ler. Mas dessa vez eu não tenho ideia do que se escreve em momentos assim. Como a gente se despede de quem vai assim tão rápido, no meio da noite, de forma tão inesperada? Não deu pra me despedir. Ainda assim, escrevo. Escrevo porque foram as palavras que te trouxeram pra mim e com elas eu me despeço. Se eu pudesse te eternizar de alguma forma, eu te eternizaria em forma de texto. 

Em um daqueles textos bonitos que você gostava de ler, em um livro, em uma frase que você compartilharia nas suas redes sociais. Eu te eternizaria nas palavras mais lindas que o dicionário pudesse me dar, qualquer coisa que conseguisse retratar sua alma leve e entregue. O tanto de amor que você tinha pra distribuir de graça, sem cobrar nada em troca.

Fiquei te devendo um encontro. Um abraço. Aquele café e as horas de conversa. Mas você não ficou me devendo nada. Sempre me deu os elogios mais sinceros e o carinho mais puro. E, em todo aniversário, me desejava a mesma coisa: inspiração. Ô, Fê, meu aniversário vai chegar e a sua mensagem não. 

Um dia eu te disse que ainda escreveria um texto só pra você, com dedicação no final e tudo mais. Eu só não esperava que fosse ser logo o último. Espero que mesmo daí de longe, você ainda possa se encantar com as palavras e virar o texto mais lindo. É assim que eu vou me lembrar de você. 

*Essa semana, uma das minhas leitoras mais antigas faleceu. O mundo fica um pouco mais triste, mas o céu recebe mais sonhos, risos e amor. Fer, meu bem, obrigada por não ter sido nada menos do que incrível. Foi uma honra ter você como leitora.