29 de outubro de 2014

Não dá pra continuar amando você

Outra noite de sono perdida. Há semanas que eu tento entender em que momento, no meio do caminho, a gente deu errado. Faço e refaço nossa história, passo a passo, e tento descobrir quando você deixou de me amar. Aí o pensamento mais assustador (aquele que tenho guardado bem lá no canto escuro do coração) surge: será que, algum dia, você realmente me amou?

No criado-mudo não tem mais o porta-retrato com a nossa primeira foto. No chão do quarto não tem mais a calça jeans que você costumava deixar por lá, sempre com preguiça de guardar no armário. No banheiro não tem mais seu desodorante, nem seu creme de barbear. Na cozinha não tem mais o complemento vitamínico que você me obrigava a tomar.

Em mim, no entanto, você ainda está.

Aqui eu carrego sua calça jeans, seu desodorante, nosso porta-retrato. Ainda durmo do meu lado da cama, mesmo que agora eu a ocupe sozinha.

Como é que alguém pode se tornar tão dependente do outro como eu me tornei de você, não é mesmo? Como é que alguém pode continuar a chorar, mesmo depois de você ter ido sem a menor consideração? Como é que pode alguém sofrer por alguém que sequer se prestou a dar satisfação? Eu-não-amo-mais-você era válido. Só não sair sem dizer o motivo.

Mas você foi embora. E eu fiquei. O que me resta é ficar da mesma forma que a casa ficou: vazia de você. Uma hora acontece. Uma hora eu te esqueço. Porque pelo menos uma coisa eu aprendi: não dá pra recriar uma história que já acabou.


Não dá pra continuar amando alguém que nunca pensou em voltar.




27 de outubro de 2014

Ontem conheci um rapaz

Ontem conheci um rapaz. Ele me olhava e eu ficava corada. Eu nunca mais tinha me sentido assim. Quando você foi embora, de alguma forma, uma parte de mim resolveu ir junto. Alguns podem até achar loucura, mas é verdade. Antes de você, eu gostava de rosa, domingos e dias de chuva. Vivia na praia, não reclamava do emprego chato e não me importava em não trabalhar. Tinha mais tempo para hidratar o cabelo, ler livros e escrever um.

Agora, nunca mais Taylor Swift na playlist. Nada de paixão por frituras e parei de escrever cartas (por falar nelas, joguei as suas fora). Você destruiu a minha vontade de acreditar no amor e eu não sei por que ainda acredito em você.

Eu disse que ia parar de falar de você, mas talvez eu tenha exagerado um pouco. Nem minha avó aguenta mais. Mas você também fez algumas promessas e não cumpriu. Ia ser diferente, lembra? No fim, você foi igual aos outros, não durou nem noventa dias.

Nós dávamos certo, mas você sempre foi o errado. E você sabe como eu odeio cometer erros. Talvez você se arrependa um dia como eu me arrependi. Quem sabe um dia você pegue o telefone e me procure só pra dizer que foi a maior besteira que já fez na vida. Talvez eu dissesse que você foi meu pior erro, mas eu cometeria de novo se pudesse.

Nem sei por que ainda dói tanto. Olha aquele rapaz tagarelando e eu apenas dando respostas curtas. Até quando vai ser assim? Não é justo eu ficar com o peso maior. Não é justo só eu ter o coração partido. Talvez eu deva começar a seguir em frente, não é? 

O rapaz continuou falando e, então, eu resolvi sorrir por alguns instantes para dar uma chance para a vida. E, em alguns milésimos de segundo, a imagem de nós dois, ou melhor, de você, sumiu. E esse foi o melhor instante do meu dia.


QUEM ESCREVEU: Aline Araújo tem 19 anos e é dona do De Repente Dezessete. Baiana, libriana e apaixonada por comédias românticas, praia e suco de laranja. É estudante de jornalismo, louca por cinema e fotografia. Tagarela e metida a escritora. Coleciona cartas e amores e seu maior sonho é poder realizar todos os sonhos e poder ter a família e amigos por perto. Ela é também leitora do Isso Não É Um Diário e topou escreveu alguns textos para o blog em uma participação especial ;) 

23 de outubro de 2014

Se você tivesse dito sim

Poderíamos estar deitados em uma rede, no meio de uma praia qualquer, curtindo a vida e nos amando. Às vezes me pego pensando nesta imagem: como seria se você tivesse dito sim. Será que estaríamos juntos? Ou nosso namoro não ia vingar e acabaria rápido? Será que acabaria bem e continuaríamos amigos? Será que acabaria?

Ainda penso naquela noite em que demos o primeiro beijo. Você estava linda, como sempre, mas de um modo diferente. Era claro que algo havia mudado em você. Talvez, depois de tanto tempo, tinha aceitado a ideia de que fomos feitos um para o outro. Talvez tivesse entendido que, apesar de todas as garotas que tive e de todos os caras da sua vida, era a hora, finalmente, da nossa história. Porque eu estava pronto para nós dois. E quis acreditar que você também estava.

Foi aí que me enganei. A nossa vida, as nossas viagens românticas, os jantares, eram coisas com as quais só eu sonhava. Coisas que só eu queria. Naquela noite, no primeiro beijo, lembro de pensar: é isso, consegui! Seu sorriso, seu olhar...algo neles dizia que você estava na mesma página que eu.

Mas, no fim, você nunca quis. E eu nunca soube se teríamos sido incríveis. Nunca soube se teríamos nos amado até dizer chega. Nunca soube se estaríamos juntos até agora. Se teríamos uma vida construída em cima de um amor intenso de colegial.

Porque você não disse sim. Mas me fez entender, muito bem, o seu não.


14 de outubro de 2014

Jornalista: ser ou não ser, eis a questão


Quando eu decidi fazer jornalismo, um pouco mais de 4 anos atrás, muita gente questionou minha decisão – até eu mesma, para ser sincera. Para ajudar, o diploma parou de ser exigido pela profissão. Ou seja, meu período pré-vestibular foi repleto de perguntas do tipo: você tem certeza?; mas por que fazer um curso que não precisa de diploma?; por que você não faz outra coisa?. Mesmo assim, decidi me arriscar e dar a cara para bater. Fiz jornalismo, me formei e trabalho com comunicação. Mas e aí, valeu a pena?

Muita gente me manda email querendo saber um pouco mais da profissão, do curso, da faculdade, da parte legal (jornalismo!) e da parte chata (serei pobre?). Por isso, separei as dúvidas mais frequentes que as leitoras me enviaram e preparei um post sobre jornalismo. Espero que ajude os indecisos de alguma forma. 

1) Não ter o diploma mudou alguma coisa?

Para falar bem a verdade, não. Assim como em muitas outras profissões (administração, publicidade, rádio e tv, RH etc) ter um diploma não faz de você o melhor da sua área. Não ter um diploma também não quer dizer muita coisa – você pode aprender muito no próprio mercado de trabalho. A verdade é que a faculdade não torna você melhor nem pior do que ninguém – são apenas trajetórias diferentes.

Para mim, porém, a faculdade foi um período enorme de aprendizado. Não apenas da parte teórica e prática do jornalismo, mas de visão de mundo em geral. Nestes quatro anos, entrei em contato com outras realidades e aprendi a debater com ideias totalmente diferentes das minhas – o que, muitas vezes, me fez repensar sobre minhas certezas.

Também é na faculdade que você consegue conhecer mais gente da sua área – professores, colegas de classe e amigos de outros cursos que envolvem comunicação – que podem te indicar, futuramente, para alguma vaga bacana de estágio ou emprego.

2) Qual a pior parte do curso?

É difícil falar por todo mundo, então vou ser bem particular na resposta. No meu caso, uma das coisas mais difíceis da faculdade foi desmanchar a imagem romântica do jornalismo. Antes, eu tinha essa ideologia de que o jornalismo podia mudar o mundo. Durante a faculdade, quando fui confrontada com os interesses das empresas por trás do discurso de imparcialidade jornalística, fiquei meio cética. Este momento foi dolorido, porque foi quando rolou uma dúvida enorme se eu realmente queria trabalhar com isso.

Por outro lado, foi um processo importante de crescimento. Desconstruir a imagem que eu tinha do jornalismo me fez entender que ele pode até não mudar o mundo (de vez), mas tem um importante papel social para as pessoas e suas comunidades. E foi por isso que eu insisti nele.



3) Do que você precisa gostar para fazer jornalismo?

Eu sempre odiei aquelas perguntas de: “por que você decidiu fazer jornalismo?”. Muita gente respondia “porque eu gosto de escrever”, mas você pode ser um escritor, não precisa ser jornalista. “Porque sempre fui criativo”, e podia ter feito publicidade. “Porque sempre sonhei em trabalhar na empresa X”, e aí descobre que a tal empresa não é tão legal quando parecia.

Acho que nossas escolhas envolvem paixões e jornalismo é um pouco questão de paixão. Talvez você precise gostar de escrever, de ler, talvez precise ser criativo, talvez precise gostar de investigar, talvez, como eu, seja apaixonado por contar histórias. Ou talvez escolher uma profissão seja pesquisar todas as partes boas e ruins de cada carreira e, ainda assim, conseguir pensar: “é, eu faria isso”.

Na minha opinião, você não precisa gostar de nada especificamente. Você precisa gostar do jornalismo em geral.

4) Como é trabalhar na área?

Quando você faz jornalismo, você tem um leque enorme de opções de emprego. Atualmente, por exemplo, eu trabalho com comunicação e internet, acabei me afastando um pouco do jornalismo. E adoro o que eu faço. O que também não me impede de mudar de ares e ir para outros caminhos daqui um tempo. Acho que a parte legal de trabalhar com comunicação é que você pode se reinventar e ir para lados totalmente diferentes.

5) Vou ser rica(o)?

Não. Quer dizer, talvez você seja aquele 0,1%. Talvez seja âncora de um jornal e ganhe um salário de abrir a boca, mas não escolha jornalismo por isso. O piso salarial não é alto e, na maior parte das vezes, você sequer vai encontrar uma empresa que cubra o piso.

Para ser sincera (e sem querer desencorajar ninguém), o mercado de trabalho anda bem difícil e ninguém sabe direito o que vai acontecer (se você pesquisar um pouco, vai ver que algumas ondas de demissões rolaram nos últimos tempos).

Por isso que falei antes, aquela coisa da paixão, sabe? Pesa bem mais do que qualquer questão financeira. Porque para conseguir uma grana legal, talvez você tenha que suar bastante (em um emprego somado com alguns freelas).



E aí, mais alguma dúvida? Deixe aqui nos comentários que tentarei responder e ajudar.

7 de outubro de 2014

Pra falar o quanto eu te amo

Eu tinha tanta coisa pra te falar. Toda noite, quando deitava a cabeça no travesseiro, eu me revirava ali pensando em tudo o que você ainda significava. No tanto que ainda significa. Na quantidade de amor que eu te dedico. E como eu te quero bem.

Nunca tive a coragem de te falar, olha, admiro você; você é incrível. Nunca consegui expressar a minha alegria de ter você na minha vida. O mundo (o-meu-mundo) era um lugar melhor porque você fazia parte dele. Você, alguma vez, teve noção disso?

Nunca te falei nada porque é isso o que a gente faz depois de quebrar muito a cara: não fala. A gente tem medo da rejeição, sabe? De ficar com cara de idiota, de fazer papel de boba.

Mas era em você que eu pensava quando acordava. E você, mesmo que só em pensamento, já me fazia tão feliz. Quer dizer, eu nunca conheci ninguém como você, e disso você sabia. O tamanho do seu coração, da sua bondade e da sua alegria sempre foi algo infinitamente maior do que a minha capacidade de te colocar em palavras. Mas se eu tivesse que te definir em uma frase, seria essa: Você espalhava amor pelo mundo.

Se eu pudesse voltar no tempo, acho que esta seria a única coisa que eu mudaria: eu teria falado, todos os dias, o quanto eu te amava. Com cada célula do meu corpo. De um jeito assustador, diferente de qualquer outra coisa que eu já senti na vida. Eu teria te falado que, às vezes, até doía, mas, mesmo assim, eu nunca abriria mão de te amar. Se eu pudesse voltar no tempo, eu gritaria minha admiração no meio de uma sala lotada. Seria a romântica incurável. Teria transformado nós dois em Romeu e Julieta.

Eu não sei aonde você está agora. Mas eu espero que você saiba disso: eu te amo mais do que as palavras podem traduzir. E eu não vou parar de te amar – nem quero. A dor de te perder é a mais profunda e intensa que eu achei que poderia aguentar. Mas nunca, jamais, será maior do que o amor que eu sempre vou sentir por você.

3 de outubro de 2014

Blogs de leitoras

Dar satisfação pra quem acompanha a gente, de vez em quando, faz bem, não é? Pois bem. Fiquei doente e sem internet nos últimos dias, por isso dei uma sumida básica. Mas foi bom para decidir algumas coisas. 

Lembram que disse que estava pensando em formas de ter colaboradoras temporárias por aqui (além da Paula, que já começou)? Pois bem. Vai funcionar assim: escolherei uma leitora para colaborar durante um mês. Nesse mês, ela publicará um texto por semana. Ou seja, cada colaboradora terá quatro (aproximadamente) textos publicados por aqui. No mês seguinte, escolho alguém diferente. Assim, dá pra dar oportunidade para mais pessoas. Gostam?

As primeiras leitoras estão sendo escolhidas pelos comentários deste post aqui. Por enquanto, peço para não mandarem mais blogs, ok? Senão ficarei louca. Escolho entre essas primeiro, depois "convoco" mais leitoras lá pra frente. 

Estou programando certinho também os posts da Paula. Para não ficarmos tanto tempo sem atualização aqui.

E para que vocês conheçam mais blogs, deixo aqui os links de todas as leitoras que participaram da "seleção" para colaboradora. Muito blog legal para guardar nos favoritos. 

29 de setembro de 2014

Entre o Começo e o Fim

Quando alguém me pede para me lembrar de você, não me lembro do nosso primeiro beijo. Do primeiro encontro, o primeiro abraço, o primeiro eu-te-amo. Não me lembro dos últimos também. Não me lembro da primeira vez em que você visitou a casa dos meus pais, todo sem graça, sem saber direito como agir com aquele que, na época, durante nossa adolescência, tinha poder pra te mandar pra bem longe. Nem lembro de quando você bateu a porta e me deixou em meio a tantos questionamentos: "que raios eu tinha feito de errado pra você deixar de me amar, assim, do nada?" (sem saber que, na verdade, a gente deixa de amar aos pouquinhos).

A primeira coisa que me vem à cabeça quando alguém fala seu nome não é nosso começo conturbado, nem nossos fins reticentes. É o nosso meio. É ali que eu te encontro. Naquele durante em que eu já te conhecia o suficiente para te amar como louca, mas sabia pouco da vida e, por isso, não tinha deixado de te amar ainda. 

Eu me lembro dos sorrisos que você me dava tarde da noite, na escuridão do quarto, antes da gente cair no sono no meio de uma semana qualquer. Eu me lembro das conversas sem sentido que a gente tinha depois de ver um filme com alguma reflexão filosófica no fim. E do quanto a gente sempre gostou de ler livros ao mesmo tempo para, depois, poder discutir o que cada um achou sobre ele. 

Eu me lembro de você na rotina, no dia a dia, de segunda-a-sexta, quando a vida não era tão feliz e fácil como nos finais de semana. Porque eu sempre achei que tinha um pouco de vitória nos casais que conseguiam se amar na normalidade da semana, na ausência de grandes novidades, no amor sem grandes declarações. 

Foi no meio que você me disse que eu era um pouquinho a sua salvação. "É por sua causa que eu vou passar nessa vida acreditando no amor. Porque tem coisa mais triste do que viver todos os dias e não acreditar nisso?". E eu nunca te disse de volta que você tinha me salvado também. Amar você, ainda que por tempo determinado, foi saber que o amor existe. O louco, o desenfreado, e o calmo e tranquilo. O amor que queima e o amor que apaga. Você me mostrou os dois.

Eu não sei te odiar pelo fim porque eu sempre lembro do entre. Entre o "eu te amo" e o "me esquece". Entre o "pra sempre" e o "nunca mais". Entre o "casa comigo?" e o "vou providenciar os papéis do divórcio". Entre o "eu cuido de você" e o "se cuida". Entre o "o único amor da minha vida" e o "foi só meu primeiro amor". É pelo o que existiu entre os nossos extremos que eu te amei tanto. E é também por ele que, de alguma forma que eu não sei como explicar, eu continuo amando: a lembrança do quanto a gente foi feliz. 

26 de setembro de 2014

Séries viciantes – e que tem na Netflix!

A sexta-feira chegou! Se você decidiu ficar em casa ao invés de sair, separei 3 séries viciantes que estão na lista da Netflix e valem a pena:

Covert Affairs
Nunca fui daquelas que gosta de ser a donzela em perigo que precisa ser resgatada. Acho que é por isso que gosto tanto de Covert Affairs.

Esta série fala sobre uma agente da CIA, Annie Walker, que é tirada do treinamento precocemente para começar a atuar na agência. Ela acaba descobrindo que havia segundas intenções em seu recrutamento, ligadas ao grande amor de sua vida, que desapareceu repentinamente. A série tem comédia, romance e muita ação.

Necessary Roughness
Essa série é pouco conhecida e tem apenas três temporadas (duas delas disponíveis na Netflix). Mas é tão boa que eu assisti tudo em menos de uma semana.

Dani Santino é uma terapeuta que vê sua vida perfeita desmoronar ao descobrir várias traições do marido. Enquanto se divorcia, ela é chamada para ajudar um jogador de futebol americano do renomado time New York Hawks. E acaba percebendo que a vida de divorciada, mãe em tempo integral e terapeuta de um time de futebol não é tão fácil quanto parece. A série rende boas risadas e junta comédia, drama e romance em 40 minutos por episódio.

Orphan Black
Uma série canadense, com roteiro original, que te deixa vidrado na tela, sem piscar.

Sarah Manning vê sua vida (que já não é nada fácil) virar de cabeça pra baixo ao presenciar o suicídio de uma mulher exatamente igual à ela. Ela decide assumir a identidade desta mulher para tentar começar de novo, mas começa a descobrir os motivos do suicídio e percebe que sua vida está em perigo.

Série ideal para quem gosta de suspense inteligente.


E vocês, que séries acompanham na Netflix? Indica aí pra gente também!