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A poesia das nossas conversas de travesseiros

Tenho que ir. Não, fica. Amanhã acordo cedo. Eu te acordo então, já até coloco o despertador. A gente vai perder a hora. Se você for, a gente perde também. Perde o quê? Sei lá, acho que tudo; tenho medo de, se você for embora de novo, a gente se perder de vez.

(...)

Você mudou o colchão. É, aquele já tava velho. Mas já tinha o formato do meu corpo. Não tinha mais, já tinha sumido. Já? Já – é o que acontece quando a gente vai embora da vida das pessoas: nossos rastros vão desaparecendo. Ah.

(...)

Eu desapareci? O quê? Eu desapareci da sua vida? Quase. Hm. Mas você tá aqui agora. É, tô aqui agora.

(...)

Você cortou o cabelo. Cortei, eu queria te esquecer. O que eu tenho a ver com o seu cabelo? Nada – ou tudo; sei lá, eu queria parar de ser aquela pessoa que eu era. O que tinha de errado com a pessoa que você era? É que ela amava você.

(...) 

O que a gente tá fazendo? Você sabe. Não, digo, o que a gente tá fazendo; já tinha acabado. Não tinha. Você me disse que se eu fosse embora, você ia me esq…
Postagens recentes

O que eu te prometo do mundo

Num mundo onde mensagens de texto são a forma principal de comunicação, onde um emoji de coração tem muito significado, onde temos urgência de publicar tudo o tempo todo e exigimos resposta rápida, onde um visualizado e não respondido nos magoa, onde nos comunicamos e entretemos através de memes, eu prometo deixar meu celular de canto e te olhar nos olhos.

Num mundo onde somos incompreendidos e não temos direito a opinar, onde compartilhamos sem ler, onde banalizamos o que sentimos, onde não respeitamos a opinião do próximo, onde cobramos o que não fazemos, onde aparência conta mais do que o que somos, onde números falam mais do que caráter, onde se importar é sinal de fraqueza, eu prometo ser verdadeira e me importar.



Num mundo onde buscamos por aceitação, em vez de felicidade, onde procuramos por ilusões, em vez de sinceridade, onde corremos porque é mais fácil do que ficar, onde fugimos porque é mais fácil do que enfrentar, onde nos omitimos porque é mais fácil do que assumir quem so…

Aos meus amigos que moram longe

Moro a mais de treze mil quilômetros dos meus amigos mais distantes. Na verdade, até cheguei a jogar a pergunta no Google e cheguei ao assustador número de 13.356,80 km entre mim e eles. Para ajudar, ainda tem o fuso horário na jogada: quando eu estou indo dormir, a galera lá do outro lado está, provavelmente, escolhendo o que vai almoçar. Isto levando em conta quando a gente fala a mesma língua – e quando um fala francês, a outra chinês e eu aqui me enrolando na língua que a gente herdou de Portugal? 

Não é fácil manter amizades assim, não vou mentir. 

Esses dias, soube que esfriou na cidade em que eu morava pouco mais de um ano atrás. Foi inevitável lembrar das tardes frias e nubladas no sofá do meu apartamento – filme na TV e uns dois potes de pipoca e Doritos, e todo aquele chocolate. A gente ficava horas ali, contando do passado, do presente, de tudo o que a gente queria fazer no futuro. Tinha tanto pra contar...

Quando você está em um lugar que ainda não pode chamar de “seu”, você …

Sobre Nossa (R)existência

Era sábado – sete da noite. Filme, pipoca e uns beijos perdidos na poltrona desconfortável da sala do cinema. Estava calor, então fui de short. O cara que sentou ao meu lado não era meu desconhecido, mas alguém que eu já saía há um tempo e apenas queria conhecer mais. Conhecer mais, vocês entendem? Beijar, se divertir, comer uma pizza depois, jogar conversa fora e, quem sabe, descobrir se havia chances para nós dois.
O cara não entendeu.
Fui eu quem não expliquei direito? Eu que não deixei claro que só queria a distração do fim de semana, como fuga da loucura da faculdade, da vida, da minha dor? Foi o jeito com que retribuí o beijo? Ou a risada que deixei escapar naquela piada idiota que ele fez? Foi como eu joguei o cabelo? Como inclinei a cabeça ou fiz carinho na nuca dele? Ou foi o jeito com que me vesti?
O fato é que, entre uma cena e um beijo, o cara, aquele que eu só queria conhecer um pouco mais, tentou passar a mão em mim. Do nada, sem aviso prévio, sua mão já estava entre min…