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7 de fevereiro de 2016

Detalhes



Na hora de levantar, quando você sentir falta dos meus resmungos porque o despertador toca cedo demais. Na hora de fazer o café, quando você me ouvir dizendo que são quatro colheres cheias de pó e três de açúcar. Da nossa briga, porque você queria três de café e quatro de açúcar. Da minha voz te explicando que café tem que ser forte e amargo, pra fazer com que a gente dê conta de encarar a vida lá fora a essa hora da manhã.

Você vai se lembrar de mim.

Quando você for cortar o cabelo e ficar na dúvida se corta mais ou menos, para parecer mais ou menos adulto. Na hora de fazer a barba, porque vai se cortar e se lembrar da minha risada te perguntando como você consegue ser tão desastrado com uma lâmina de barbear. Quando você for se vestir para sair e pegar aquela blusa azul, com cordas a serem trançadas, se olhar no espelho e ver que, agora, sem mim, você pode vesti-la com as cordas todas tortas como você sempre gostou.

Eu sei, é nessa hora que você vai lembrar de mim.

Na balada, quando alguma garota te jogar charme, e você fizer uma daquelas cantadas-nerds cheias de referências e ela não entender, você vai se lembrar que nunca precisava explicar nada para mim. E quando você a levar para casa, depois de um sexo maravilhoso, eu sei, você vai desabar sobre ela e, nesse segundo de satisfação-exaustão vai se lembrar de mim. E de como era bom não arranjar um jeito para fazer uma mulher sair da sua cama o mais rápido possível, sem ser mal-educado.

Quando sua nova namorada perguntar se você está bem e você responder que sim, mesmo não estando, você vai se lembrar que eu sempre sabia. E vai desejar que ela note que, quando você está mal, seus olhos sempre tremem ao dizer que está bem. Nesse detalhe, nesse mísero detalhe que você sempre achou que não faria falta nenhuma, eu sei, é exatamente aí que você vai se lembrar de mim.

E vai se perguntar, aonde quer que esteja, como é que eu ainda sei disso tudo sobre você. É que eu, aonde quer que eu mesma esteja, sempre me lembro de você também.


5 de fevereiro de 2016

Que sorte a nossa

Nunca entendi muito bem como funciona a tal da sorte. Sabe aquela sensação que faz a gente ficar feliz quando encontra um trevo de quatro folhas? Ou quando a gente cruza os dedos na esperança de fazer algo dar certo? Ou quando sua vó fala que ver um sapo é sinal de sorte? 

Passei boa parte da vida pensando em quando essa sorte ia bater na minha porta. E a gente vai procurando sinais, né? Faz simpatias, evita as superstições que supostamente trazem azar, olhamos pro lado, pro futuro, pro passado, tudo em busca de entender porque algumas coisas aconteceram, o que foi falta de sorte, o que foi coincidência e o que era pra ser, sabe? Aí entra aquele outro conhecido: o destino.

Será que ele e a sorte andam juntos? São amigos ou inimigos? 

Mas a sorte vem quando você nem tá pensando nela. Aliás, ela chega tão sorrateiramente que você nem vê, demorando um tempo pra entender o que tá acontecendo. A questão é que enquanto você procurar, a teimosa vai fazer questão de se esconder. Mas prometo que ela vai aparecer quando for a hora.

E quando acontecer, você vai saber. 

A sorte vem em várias formas diferentes, mas a minha veio em você. Veio naquele olhar que me conforta, no abraço que protege, no beijo que acende. Veio na paciência e no cuidado que você tem comigo, na calma e compreensão que você demonstra sempre. A minha sorte veio em forma de confiança. Sabendo que você não vai me machucar, que você vai estar lá sempre, que vai me ouvir e, acima de tudo, me respeitar sempre. 

A sorte vai ser aquela sensação discreta, escondida, que te faz pensar que tem algo de especial ali. O destino vai ser aquele sentimento que vai te mostrar que as coisas boas podem até demorar a acontecer, mas as coisas maravilhosas acontecem num piscar de olhos. O destino, ao contrário da sorte, vem rápido e intenso. Mas não se assusta não, por mais que dê medo, vai ser a melhor sensação do mundo. 

Não sei como a sorte vai aparecer pra você, mas posso dizer que a minha valeu a pena toda a espera, a angústia e o medo de não chegar nunca. A minha sorte veio vestida de amor, paixão, diálogo, carinho. Além disso, veio com um toque suave de destino. Aquela coisa que era pra ser, sabe?

Não importa quanto tempo vai durar ou se vai ser pra sempre, porque quando a sorte chega, a mágica está feita. Aí, ainda bem, as coisas nunca mais vão ser as mesmas. 

E que sorte a nossa. 






3 de fevereiro de 2016

Se quiser voltar, volta


A primeira coisa em que eu penso quando alguém me pergunta sobre você é da sua risada. Não é mais a raiva, o rancor, a mágoa. Tudo isso ficou pra trás, num tempo em que eu alimentava dores por muito tempo. Hoje, só sinto falta da sua risada. E dos colos que você me deu quando eu precisei de você. E dos conselhos. E dos abraços aconchegantes que você sempre soube me dar quando sabia – e você sabia bem – quando eu precisava. A segunda coisa em que eu penso quando alguém me pergunta sobre você é que algumas pessoas têm prazo de validade na nossa vida.

Às vezes, eu me pergunto se você conseguiria voltar. Se ainda teria espaço pra você na minha vida ou se você ia arranjar tempo pra mim na sua agenda corrida. Às vezes me pergunto se a gente ainda faria tanto sentido e se a gente ainda ia conseguir se entender com um olhar e se a gente ainda ia rir das mesmas piadas. Eu mudei no tempo em que você não esteve aqui, sabia? Cresci, dizem, enquanto você não olhava. E, enquanto eu não olhava também, sei que você mudou – e muito.

Será que seríamos amigas se nos conhecêssemos agora? Será que eu te contaria meus segredos, falaria da minha vida, das pessoas que me magoaram? Será que você me revelaria seus medos – do jeito que sempre fez? Será que a gente ia criar a mesma conexão que tinha? E será que a gente cometeria os mesmos erros e teria o mesmo fim?

Me perguntei se a gente tinha volta por muito tempo. E, por muito tempo, rezei que você não voltasse. Eu não queria enfrentar tudo de novo, abrir a ferida, lidar com o fato de que acabamos com uma coisa que era tão bacana. Só te quis no seu mundinho e quis me preservar no meu. A gente tinha perdido o timing.

Mas hoje me perguntaram sobre você. E, pela primeira vez, eu me toquei que não precisava ser igual. O passado ficou – com as coisas boas e ruins. Mas, talvez, talvez a gente se encontre num café numa sexta à tarde e sorria. E pergunte da vida uma da outra. E vire alguma outra coisa – alguma outra amizade. Talvez não seja igual – não vai ser. Mas hoje eu reparei que tudo bem. Porque eu não sinto mais raiva de você. Porque eu sinto falta da sua risada. E porque, eu sei, algumas pessoas passam na nossa vida e pronto. Mas algumas pessoas voltam. E o tempo se encarrega de colocar as coisas no lugar.

Por isso, se quiser voltar, volta.

Acho que eu consigo arranjar um espaço pra você. 


2 de fevereiro de 2016

Ano novo, blog novo


E o blog começa 2016 com gente nova na equipe.

Junto com a Paula Toledo, agora a Caroline Freitas e a Fernanda Campos também fazem parte do Isso Não É Um Diário. A Carol foi escolhida pelos leitores e venceu a primeira seleção de colunistas que fiz aqui nos últimos dias. Já a Nanz é minha amiga há anos, uma das escritoras que mais admiro e também uma leitora fiel.

Espero que vocês curtam os novos textos, as novas colunistas e a nova fase do blog.

E que 2016 seja incrível pra todos nós.



Conheça um pouco mais sobre a equipe: 




CAROLINE FREITAS
20 anos, de Minas Gerais e atualmente morando no Espírito Santo. Desde o ano passado, ela se dedica ao "Cartas, Cafés e Alguns Acordes", blog em que fala música, cinema, literatura e tudo mais o que lhe vêm à cabeça.





FERNANDA CAMPOS,
24 anos de sonhos cafeinados e amores engavetados (ou vice-versa). Meio indie, meio bookholic, meio escritora e meio psicóloga. Inteira, mesmo, só depois de um café. Sonhou em estudar em Hogwarts, mas foi morar no Condado, onde vive um amor com um hobbit. Em caso de stalker, nanzcampos para qualquer rede social. Oferece uma poção de Félix Felicis a todo mundo que indica seu blog, curte ou comenta seus textos. Não a levem a sério. Levem-na à Starbucks.


PAULA TOLEDO,
Estudo direito e aos 22 anos ainda não decidi se não me encaixo nas palavras ou se elas que transbordam de dentro de mim. Escrever traz um alívio pra toda dúvida que mistura com a intensidade de tudo que sinto, mas, ainda assim, não é o mais importante. Escrevo porque acredito. Acredito no amor, nas pessoas, na justiça, na vida. Pode ser que não dê pra descobrir o sentido das coisas - ainda - mas, escrevendo, dá pra chegar mais perto


25 de janeiro de 2016

#SELEÇÃO: O dia em que soltei sua mão para segurar meu mundo

Eu sempre acreditei em Happy Ever After. Sempre fui aquele tipo de garota que sonha em encontrar o garoto perfeito e ter um relacionamento perfeito, iguais aos dos contos de fada. Eu sempre acreditei na magia do amor mesmo em um mundo de copo sempre cheio e coração vazio.

E com você não foi diferente. Sonhei tudo isso e acreditei que daríamos certo. Seríamos o casal perfeito. E nós fomos, por algum tempo, o casal que eu sempre sonhei e idealizei.

Passaram-se meses até as brigas começarem e tudo bem, afinal casais brigam, não é? E você começou a controlar com quem eu saía, com quem eu conversava, que horas eu voltava para casa. E tudo bem, você só estava preocupado, né? Então aceitei, me curvei para todas as suas objeções, concordei com suas paranoias.  Aos poucos eu comecei a viver em um mundo onde apenas eu e você existíamos. Era eu, você e nosso mundo.

Foram longos meses aceitando todas as suas desculpas e entendendo todas as suas neuras. Você era só um namorado perfeito preocupado com a sua namorada. E tudo bem. Tudo bem, até aquele dia...

O dia em que você arrumava mais uma desculpa para sair e me deixar sozinha em casa. O dia em que, sozinha, deitada no quarto, percebi...havia me perdido. No meio do caminho, acabei me perdendo e não sabia mais quem eu era.

No dia em que não me reconheci, foi o dia em que me reencontrei. Nesse dia eu resolvi fazer o que, havia um tempo, não fazia. Resolvi me divertir. E eu dancei, cantei, joguei papo fora, bebi e dei risada. Naquele dia eu não precisei de nenhum namorado perto o suficiente para me salvar, pois eu já tinha feito isso por mim mesma.

Na hora que decidi sair daquela casa e me reencontrar, eu me salvei e descobri que o melhor de todos os contos de fadas é quando a gente se salva do nosso próprio dragão. Eu não precisava de um príncipe, pois eu nunca havia sido uma princesa, e foi nesse dia, quando percebi a força que tinha dentro de mim, que eu resolvi ser a mulher da minha vida. O dia em que eu soltei sua mão para segurar o meu mundo.


MARIA NATALY, 18 anos, São Paulo. Atualmente, ela escreve, inventa histórias e sonha acordada no "Mania de Maria".

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