17 de maio de 2015

Cansei de brincar de ser trouxa

Eu cansei das mensagens visualizadas e não respondidas. De ter que estar pronta pra quando você quisesse, mas nunca poder contar com sua presença quando eu queria. Eu cansei de ser sempre tudo do seu jeito, de mendigar sua atenção, de tentar me encaixar entre um horário e outro da sua agenda, de me esforçar pra caber nuns buraquinhos esquecidos da sua vida. 

Cansei das idas e vindas, cansei da falta de atitude, cansei das vezes em que você disse que eu era tudo o que você queria, só não era agora, só não era a hora. Eu cansei de escrever sobre você, de dizer que ia te esquecer, de voltar atrás, de tentar mais um pouco, de insistir mais um tanto. Eu cansei naquela noite em que você não voltou. Naquele silêncio em que a gente não dividiu. Na madrugada inteira que você não me aqueceu e eu morri de frio. 

Eu cansei depois daquele seu olhar vazio quando eu apareci de surpresa. Eu cansei de achar que era você, e era eu, você só não sabia. Porque, quando é, a gente sabe desde o começo. Eu cansei naquela tarde, lá na casa da sua família, quando você me apresentou só como uma amiga. Amiga?

Eu cansei do quanto você me torna clichê. E, pelo amor de Deus, cansei do tanto que eu fico repetitiva por causa de você. 

Cansei de paixão barata, cansei dessa coisa de amor que dói, cansei de ficar mal por um cara que nunca sabe se vai ou se fica. Cansei de tudo isso: essa sua eterna indecisão de quem não quer agora, mas também não quer perder pra sempre. Cansei do chove-e-não-molha, cansei de gente que nem fode nem sai de cima. 

Eu cansei da palhaçada, cansei dos joguinhos, cansei de ter amor só até a hora que você quisesse. Fica aí no seu cantinho com tudo isso, não tem problema, quem sou eu pra querer que cê mude qualquer coisa por mim. Não é? Eu tinha que aprender mesmo que as pessoas não mudam pela gente. Eu que fui otária de tentar me mudar por você. 

Mas fica tranquilo: que eu cansei e tô pulando fora. Ou melhor: tô é te jogando fora da minha vida. Que até pra ser babaca tem prazo de validade. Então vai, pode ir. Pode sair por aquela porta ali. Que você não engana mais essa trouxa aqui. 

6 de maio de 2015

Por aqui, por ali e por aí

Eu sei que de vez em quando vocês reclamam que eu sumo por aqui (e eu sumo mesmo, é verdade), então vim relembrar vocês que vira e mexe tem post meu em outros blogs também. Vocês podem encontrar textos meus lá no Depois dos Quinze e no Entre Todas as Coisas também.


E vocês podem sempre me encontrar no twitter @kahrosa, no instagram @kahrosawho ou no snapchat /kahrosa.
E falando em outros blogs, tô querendo fazer um novo post de indicações. Então, se quiserem, deixem os links com seus blogs nos comentários para eu dar uma olhada.
Gracias,
besos

28 de abril de 2015

Tem amor, pequena

Tem um pouco de sol atrás das nuvens – você vai achar se olhar bem, pequena. Tem um pouco de carinho na gaveta do armário: deixei ali na minha última visita pra você encontrar na madrugada de uma terça qualquer, quando doer. Tem um pouco de nós dois em cada uma daquelas fotos antigas que cê guarda naquele seu mural cheio, na parede do quarto. Tem um tanto da gente nas doses diárias de ligações e mensagens. E tem amor, pequena. Tem sempre amor, um bocado, em qualquer canto que cê olhe e que eu olhe. Amor não há de faltar, daqui ou daí, nunca.

Tem saudade, pequena, é verdade. E eu pensando como é que cê tá aí do seu lado do mundo. E eu pensando que, ah, eu queria você aqui do meu. Tem uns choros escondidos no banheiro quando eu penso que ainda demora pra você voltar, meu bem, mas aí eu lembro que alguns amores aguentam. E o nosso é desses: daqueles que aguentam o que vier. E já veio tanto, não veio?

Tem uma certeza, pequena, que eu nem sei se devia ter. A gente não devia dar certeza quando se trata de sentimentos incertos, não é? Mas sabe o que eu queria tanto te dizer outro dia? Que eu vou te amar hoje e até o fim do mundo. Sabia? Amar você é daquelas coisas que eu preciso, pequena. Ouviu bem? Eu preciso de ti. Do jeito que der. Toda torta, com todos os dramas, com todas as neuras. E eu espero que cê precise de mim desse jeitinho todo errado que eu também sou.

E tem cuidado, pequena. Se cuida daí que não poder te cuidar é das minhas maiores dores. Mas tem sempre um tiquinho de cuidado em cada “eu te amo” que eu te solto, em cada “dorme bem” que eu te deixo. Tem um pouquinho de mim em você e eu guardo você aqui no peito com o maior cuidado de todos. E você volta – ou eu vou, não importa. Porque tem amor, pequena.


Tem sempre esse tanto de amor.



*Texto feito pra uma amiga que ficou um bocado de dias aqui e ele lá. Mas agora tá lá, sendo cuidada e amada. E agora eu que tô aqui morrendo de saudade.  

27 de abril de 2015

O problema é o que fica

Era pra este ser um texto feliz. 

Não era pra ser sobre você, de novo você, de novo as mesmas despedidas, de novo o mesmo adeus. Mas decidi que vou fazer texto sobre o fim até fechar o livro de vez. Assim, sem me julgar por mastigar dores, ou imaginar como seria você aqui, ou ainda sentir um tico de raiva de como as coisas foram. Disseram por aí que "este é o problema da dor. Ela precisa ser sentida" (A Culpa é das Estrelas). Eu completo: algumas vezes, o adeus também precisa ser dito, gritado, escrito: em letras garrafais.

Mas este não é um texto triste.

Este é um texto sobre recomeços. 

Você sabe qual o problema com eles? Não é o que vai. Não é você que foi. Isso dói no fim, isso dói na despedida, isso dói na briga, isso dói um dia após, dois, três. Depois de todo este tempo, não me dói mais você. Me dói o que ficou. Me doem as lembranças, me doem as fotos espalhadas pelo quarto, me doem as memórias postadas em todas as nossas redes sociais. Me doem as perguntas que ainda fazem sobre você. Por onde anda? O que anda fazendo? Nunca mais?

Me dói não ter o que responder.

Me dói o quarto vazio, me dói o tempo necessário para me refazer, me doem as músicas que continuam me lembrando de nós dois. Me doem as cartas que esqueci de rasgar e me doem os filmes que a gente ficou de assistir. Me dói o que a gente foi, não mais o que a gente poderia ter sido. 

Mas você sabe qual a solução para os recomeços?

Os que prometeram e cumpriram, os que deram ombro-amigo, deram lenço, deram abraço, deram colo. Os que aguentaram a barra, os que limparam as lágrimas, os que disseram que já voltavam e voltaram. Os que entenderam o que era amizade, os que brigaram, alguns gritaram, mas não deixaram de amar. 

O carinho de quem cuidou, o amor de quem esperou que eu me refizesse, a compreensão de quem sabe que dói, dói sim, mas passa. A solução foi quem ficou.

A solução foi a força que eu tirei sei lá de onde, e um pouco do orgulho que me manteve em pé, junto com a certeza de que, às vezes...só às vezes, perder alguém é, no fundo, se livrar. Porque a gente tem mesmo é que rezar pra que essa gente que só atrasa e diminui mantenha a maior distância possível. 

E com tudo isso, eu aprendi:

O problema dos recomeços é o que fica.
A solução, também. 


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AVISO IMPORTANTE: Acho que todo mundo aqui está ciente de como as coisas estão tristes e complicadas no Nepal após o terremoto que aconteceu por lá, não é? Muitas vidas perdidas, muito sofrimento, muitos problemas. Eles estão precisando de muita ajuda do mundo inteiro pra se reerguer. Por isso, se você puder, te peço de coração pra ajudar com uma doação aqui, ó: https://presentedobem.org/plumsocial. Você pode fazer muita diferença!

13 de abril de 2015

O fim nunca é

Você foi embora. Assim, sabe? Sem toque poético ou despedida artística ou um daqueles abraços de meio de filme em que a gente diz: se um dia quiser voltar, volta. Você foi embora. Simples. Seco. Do jeito que o correr do cotidiano foi nos deixando. Arrumou as coisas e foi como vai um qualquer depois que cansa e não tem mais nada a dizer. E a gente não tinha, não é? As palavras foram todas caladas numa mistura de fim e de começo. Eu vou ter que aprender a ficar sem você.

Você foi embora. E eu não tenho muito o que dizer. Que amores acabam? Porra. Sabia disso no começo? Amores acabam, porra. E, depois que acabam, o silêncio que fica é insuportável. Meu cachorro late te procurando e eu olho com aquela cara de dó de quem olha o marido traído que é o último a saber. Sabe? Como eu conto pra ele que você não vai voltar? Como eu conto isso pra mim?

Ele foi embora.

E essa nem é a parte que dói. Talvez seja só a parte que alivia. O que doeu foi todo o resto. Antes dele ir, sabe? Doeu durante os gritos, durante as brigas, durante os choros descontrolados. Doeu nos jantares em que ele não apareceu, nos encontros entre amigos em que fui sozinha, nas madrugadas em que esperei e ele não deu as caras. Doeu nos dias em que eu estava tão cansada pra encarar tudo que me esqueci no trabalho até tarde da noite. E nos almoços de família em que eu não tirei o sorriso pra ninguém reparar. Doeu quando eu vi que não tinha mais jeito, doeu enquanto eu achei que ainda tinha, doeu enquanto a gente tentou se salvar e tirar a água do barco furado.

Doeu pra caralho.

Mas o depois, o depois do fim é até libertador. Quando você arrumou as coisas e foi. E eu quase te amo de novo pela coragem. Abandonar um amor é sempre se abandonar um pouco. E você se abandonou. Deixou um pouco de você em cada canto que é pra eu me questionar se ainda não dava. Mas não dava, a gente sabe que não. Nosso fim foi corte seco de edição.

Você foi embora. Sem toque poético ou despedida artística ou abraço em que eu digo: se um dia quiser voltar, volta. Não volta. Por favor, não volta. Deixe que nossa história acabe porque uma vez na vida eu preciso me livrar das vírgulas e colocar um ponto final. E eu preciso que você vá. De vez. 

Eu só te transformei em texto pra fingir que foi bonito.
Mas você sabe: o fim...o fim nunca é.

4 de abril de 2015

2015: o ano em que eu quis sumir

Eu sumi. Dizem. Por dois ou três meses, me escondi em mim, dei uns perdidos na vida, não quis conversar, não quis contar nada, não quis saber da vida de ninguém. Me concentrei em mergulhar na imensidão de dúvidas que eu vinha abafando já há um bom tempo: o que eu quero da vida, quem eu quero ser, o que eu quero fazer daqui pra frente, por que eu nunca sou boa o suficiente pra ninguém ou pra nada, por que dói se devia estar tudo bem? Eu precisava me encontrar com um “eu” que não queria ver pra tirar certas coisas a limpo.

Pra ser sincera? Andava um pouco me culpando pelas escolhas que fiz, pelas pessoas que deixei escapar, pelos caminhos que tomei. Andava ficando meio amargurada, sabe? E não tava bem, não tava. Fugi dos outros não pelos outros – por mim. Eu estava mesmo um saco, eu sabia, e ninguém tinha que aturar, ou entender, ou aguentar. Certos monstros são só nossos – a gente que tem que saber lidar. E eu não tava sabendo.

Eu sumi, dizem. Fui resolver uns problemas comigo, fui entender no que eu queria melhorar, o que eu queria mudar. Precisei de um tempo pra mim, entende? Sei que doeu em alguns ficar sem notícias, sei que doeu em alguns me sentir fria, sei que doeu em alguns não saber de mim. Por isto, peço desculpas. Juro mesmo: desculpa. Eu só estava tentando me encontrar.

Resolvi umas neuras na cabeça. Sofri uns baques, lidei com umas mortes, revivi umas dores e tive que correr pro meu lugar preferido na vida pra recuperar as energias. Mas passou. Uma hora passa, sempre passa. Uma hora, a gente faz curativo nas feridas, engole a dor e segue em frente. Tô aqui pra dizer que segui.

Como disse esses dias: a gente vai ser feliz, vai sim! E, quando não der pra ser feliz, que pelo menos passe rápido. Que passe.

2 de abril de 2015

Pra vocês por quem eu torci (num tal de BBB)

Este desabafo é pra você. Você por quem eu torci neste reality que eu acompanho – e sou fascinada – por tantos anos. Você que, disseram, foi tão errado, ou tão torto, ou tão vilão. Você que xingou, que brigou, que amou, que gritou. É pra você que eu quero falar hoje, assim, por desencargo de consciência. E é, principalmente, pra todo mundo que torce e acompanha aqui fora também – e esquece de um tanto de coisa.

Não, vocês não foram errados, nem tortos, nem vilões. Foram gente. É que público de reality, às vezes, esquece. É que público de reality gosta de apontar, mas ninguém está disposto a olhar pro próprio umbigo, nem escancarar os próprios defeitos, nem assumir os próprios erros. É todo mundo perfeito demais aqui fora, tão perfeito que a gente se acha no direito de falar das falhas alheias como se não falhasse um tanto na vida real.

É que a gente é hipócrita, sabe? O ser humano é. Por isso que é errado quem transa, quem se apaixona loucamente, quem se entrega, quem dança, quem mostra os defeitos, quem demonstra as feridas e dores que acumulou ao longo da vida. Bacana é quem não erra. Bacana é quem é de porcelana.

Mas eu nunca gostei de gente perfeitinha. Nem cheguei a acreditar, um dia, que essas pessoas existissem. É que eu cresci sabendo bem, como diz Chico Buarque, que “todo mundo tem: pereba, marca de bexiga ou vacina, e tem piriri, tem lombriga, tem ameba”. Só o público de reality que não tem.

Não, vocês não são horríveis, nem piores que ninguém pelos erros que cometeram num reality show. Não, ninguém que aponta é melhor que vocês também. Um dia, talvez, daqui uns 15 programas, a gente aprenda que há uma diferença, uma grande diferença, entre torcer para alguns e derramar ódio gratuito por outros. Talvez um dia a gente aprenda que não precisa odiar ninguém, não precisa ser machista nos nossos comentários, nem xingar, nem torcer que “nada dê certo aqui fora”.

Talvez um dia a gente aprenda a ver reality show com mais leveza e entenda que o nosso ódio por participantes diz mais sobre a gente do que sobre aqueles que a gente diz odiar.


Enquanto isso, eu só queria lembrar: não, vocês não foram errados, nem tortos, nem vilões, nem putas, nem vadias, nem nada. Foram gente. E eu torci – e ainda torço – muito por vocês.

25 de março de 2015

Sem tocar no seu nome

Outro dia me perguntaram sobre você. Quis dizer um tanto de coisa. Quis dizer que uma hora cê voltava. Que a gente voltava a ser como antes. Que ainda dava tempo, que ainda dava jeito, que ainda tinha salvação. Aí caí em mim e vi que não tinha. A gente passou da hora. 

Sem volta.

Finito.

É difícil dizer adeus pra algo que a gente queria tanto ainda na vida. Mas acho, de verdade, que a gente só amadurece mesmo quando começa a deixar as coisas – e as pessoas – irem. Sabe? Como dizia Caio: let it go. Deixei você ir mais por vontade sua do que minha. Mas também talvez mais por orgulho meu do que seu. Mais pela vida, sei lá. Às vezes, as coisas acontecem como tinham que acontecer.

Mas, escuta, não lembra de mim com raiva, viu? Não guarda tanto rancor. Se perguntarem de mim, não precisa comentar com carinho, mas tenta lembrar os momentos bons. Porque teve momentos bons, não teve? A gente foi amiga quase até o fim. É só que desandou.

Mais uma vez, pensei em escrever um email de despedida. Desisti no meio do caminho. Acho que, pra você, a gente já se despediu há tempos. Quem ainda precisava da cerimônia de adeus era eu.

Por isso: fica com Deus. Sucesso, viu? Que você alcance seus sonhos, que conquiste tudo aquilo que sempre quis. Aqui, de longe, ainda torço. E te guardo: com um carinho enorme, desses que a gente só tem por quem já foi muito importante na vida. E cê foi na minha, cê sabe que foi. Sabe que, de algum jeito, ainda é, sempre vai ser.


(Mesmo que, a partir de agora, como eu prometi, eu não toque mais no seu nome).


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Desculpem pelo sumiço, pelo abandono e por tudo mais. Alguns probleminhas pessoais me deixaram afastada de tudo, mas volto aos poucos, ok? Obrigada pelo carinho de sempre. 

18 de dezembro de 2014

Com você eu não preciso de batom

Ontem, exagerei na maquiagem porque eu sabia que não iria te encontrar. Carreguei no rímel, deixei as bochechas bem rosas de blush e o batom vermelho passei pesando a mão. 

Você sabe. Não gosto de te beijar e te deixar cheio de batom. Só de vez em quando. Por você, fico sem batom. Com você, eu não preciso de batom. 

Rímel é um perigo ao seu lado. O suor, as lágrimas de paixão e riso e a quantidade de vezes que você me faz piscar deixam meus cílios sendo suas maiores vítimas. Vai borrar. Por você, eu fico sem rímel. Com você, eu não preciso de rímel. 

"Blush dá uma aparência mais saudável" diria aquele maquiador ótimo da perfumaria. Mas, você sabe. Eu prefiro quando suas ações me deixam corada.

Quando as suas palavras me deixam vermelha. Quando os seus olhares me deixam saudável. Por você, fico sem blush. Com você, eu não preciso de blush. Você é o meu blush. 

Com você, não preciso de maquiagem. Não preciso retocar defeitos, disfarçar olheiras. Com você, não preciso de máscaras, de metáforas. Com você tudo é naturalmente natural. Pra que tentar dizer aquilo que não existe? Por que não ser a verdade com você? 

É no encontro das nossas imperfeições que mora a liberdade de sermos quem somos.


1 de dezembro de 2014

Este texto é pra te dizer que doeu

Dizem por aí que escorpianos são muito rancorosos. Não que eu realmente acredite em horóscopo, nem que eu realmente guarde rancor, mas eu demoro mastigando algumas dores – isto é verdade. Mas eu também perdoo – mesmo quando nem pedem perdão. E este texto é, uma parte, para te dizer também que eu te desculpo. 

Seria hipocrisia, porém, te dizer que eu não senti raiva. Mais ainda mascarar que, na verdade, eu ainda sinto. E que, a cada novo silêncio seu e meu, a coisa crescia um pouco aqui dentro. Talvez fosse melhor sentar e falar tudo e colocar toda a merda em pratos limpos. Talvez amizade escancarada fosse um pouco mais eficaz do que dar tempo para a bola abaixar. Ou talvez render um assunto que já devia ter morrido só nos arrastasse ainda mais para os erros de cada uma – e daí talvez chegasse o momento que não tinha mais volta. 

Por enquanto, ainda tem, é claro. Ainda tem o mesmo carinho, a mesma amizade, o mesmo amor. Aquele abraço de sempre, te juro, ainda se encontra guardado aqui. Junto com um montão de outras coisas. Um montão de outras dores. 

Mas sabe quando as decepções vão acumulando? Sabe quando a pessoa vai mudando e, por amizade, você se força a não ver? Sabe quando um amigo vai se afastando e deixando de contar e de dividir e de querer perto e de frequentar os mesmos lugares e de te falar daqueles segredos? Sabe? Cê sabe? Quer dizer: você ainda sabe? É que eu, já eu, deixei de saber de você. E, olhando para trás, isso já foi há tanto tempo. 

Te escrevi um e-mail outro dia e apaguei. Achei que ali apagava também todo o mal entendido entre a gente. E todo o clima estranho que se formou. Achei que uma hora voltava ao normal. E a gente ia rir daquela piada sem graça e tudo ok. 

Mas tudo ok nada, né? Eu fiquei puta. E você deveria ter me procurado ali. Era o momento mais certo pras coisas voltarem ao normal. Mas cê não procurou. Aí eu peguei bode. Sabe? Preguiça? E cada ação tua me fazia sentir um pouco mais de vontade de me afastar. Mas eu te procurei mesmo assim. E cê deixou a oportunidade passar sem me dar a mão. 

Este texto é pra te dizer, basicamente, que eu desisti. De correr atrás, digo. A porta, por enquanto, ainda tá aberta. Eu, ainda, tô no mesmo lugar. Mas você que venha, eu não vou. Já fui muito, aliás. Mas, se quiser vir, venha logo. Que a preguiça a gente ainda consegue afastar. Que os erros a gente apaga. Que as falhas eu perdoo. Que eu esqueço que cê disse que minha amizade não era tão importante assim. 

Só não demora. Que, quando o bode passar, a coisa toda passa também. Que quando a preguiça acabar, vem aquilo que eu não quero admitir: o fim. E aí eu já não perdoo mais nada – não vai ter mais nada a perdoar. E aí eu sigo em frente, te deixo no passado e continuo a minha vida sem nem tocar mais no seu nome. Sem nem falar pra ninguém o quanto cê me magoou. Sem nem jogar na sua cara que cê tinha tudo pra ter minha amizade pra sempre – mas não teve. 

Por enquanto, este texto é pra te dizer que doeu. E ainda dói. E ainda tem um pouco de jeito. Este texto é pra te dizer que cê me matou um pouquinho, mas a gente consegue, a gente recomeça, a gente arranja uma saída. Este texto é pra te dizer, aliás, o que eu já te disse: eu tô aqui e vou ficar aqui, o tempo que der. Mas este tempo não é pra sempre, nem nunca vai ser. E isso você não pode esquecer.