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Você lembra?

Chegava cedo na sala. As camisetas amarelinhas ainda não eram tantas. Sentava no meu lugar e esperava. Esperava meus amigos, mas no fundo sabia que estava esperando você. E você chegava atrasado com seu moicano perfeito que deveria ter demorado horas para ficar pronto. E eu babava. Porque tinha essa mania chata de te achar o garoto mais fantástico do universo. Tinha essa mania boba de achar mesmo que você era a última bolacha do pacote. 

Fiz de você mais do que deveria ter feito. Mas era difícil pensar nisso enquanto você me dava aquele beijo estalado no rosto. Era difícil pensar nisso enquanto me abraçava. Ou enquanto você segurava minha mão e fazia meu corpo inteiro tremer. E eu não sentia minhas pernas, mas sentia tanto meu coração.

Eu sonhando com você. E você pedindo a fulana em namoro. E eu achando que eu era mesmo pouca coisa pra você. Talvez se eu fosse mais alta, magra, interessante, loira. Talvez se eu fosse muito menos eu e um pouco mais ela. Talvez se você olhasse para quem sempre esteve ao seu lado. Talvez se você lembrasse quem é que te abraçava quando você ficava mal. E você ficava mal. Mesmo querendo pagar sempre de bonzão. Mesmo se achando forte e macho e gostosão sempre e em todos os momentos. Você ficava mal. E era a mim que você procurava, lembra?

Mesmo não me achando suficientemente boa para você, embrulhei meu coração pra presente. Escolhi o melhor laço, a embalagem mais bonita. E você não quis aceitar. O coração caiu, se espatifou, se destruiu. Quebrou. E você seguiu seu rumo. Quis morrer em minha história assim como deve ter me matado na sua. Se é que algum dia eu tenha deixado de ser figurante em sua vida. Acabou minha novela. Tive que aposentar o protagonista. Outras novelas queriam entrar na programação.

Achei que eu não ia sobreviver. Sobrevivi. Com menos cor, menos riso, menos coração e menos você. Com mais vazio e mais saudade. Com mais achar que o amor era mesmo uma bosta e que eu não tinha nascido para isso. Com mais achar que eu não era boa o suficiente para ninguém. Por um tempo. Muito tempo. Só que tempo passa, lembra?

Eu fui tão forçada a aprender a viver sem você que aprendi. Tive tantas vezes que acordar e lembrar que você não iria estar lá que comecei a não pensar mais em você. Foram tantas vezes sem seu perfume, seu abraço, sua risada que fui sendo obrigada a esquecer essas pequenas coisas. E com o tempo, as grandes também. Fui tão obrigada a te matar em minha história que escolhi uma morte rápida e indolor. Dessas que não dá nem pra chorar. E te deixei no caixão. Por mais triste que seja. Mas me prender a você era o mesmo que andar em círculos. 

Fui tão forçada a aprender que eu não precisava ser boa o suficiente para ninguém que me tornei boa demais pra você.

Não sei.

Foi seu caminhãozinho que diminuiu ou minha areia que aumentou?

Comentários

  1. Li o início, tenho que sair do computador e depois venho comentar direito, hihi! Mas eu não podia deixar de comentar agora, tô com crises pseudofilosóficas hoje, heiaeihaei! Ka, você escreve MUITO MESMO, e eu vou te apoiar muito se seguir nisso (claro que apoio também se seguir outros caminhos, hehe) mas falo sério, AMO o que você escreve, porque além de ser correto, tem sentimento. Sinto que você escreve o que sente, como sente e eu me identifico, sabe... É muito bom poder se ver através dos outros, porque as vezes nós não nos encontramos. Então alguém é capaz de nos encontrar. E então encontramos esse alguém. Acho que é esse o primeiro passo pra nos encontrar... Nossa, to falando muito, :O Enfim, beeijos ;*

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  2. Rsrsrs! É, querida, o mundo dá mesmo muitas voltas!

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  3. Foi seu caminhãozinho que diminuiu ou minha areia que aumentou?

    ADOREI! Isso foi MUITO Tati Bernardi *-*

    ResponderExcluir
  4. VOCÊ É PURO ORGULHOO *-*

    Foi seu caminhãozinho que diminuiu ou minha areia que aumentou?

    ADOREI! Isso foi MUITO Tati Bernardi *-*

    (2)

    TE AMOOOOO

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  5. Caara, morri! Li tudo, aeae, *-* Sério, tudo lindo mesmo, como eu comentei antes, é bom demais se ver nas palavras... Amei.

    Beeijos ;*

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