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Mostrando postagens de Julho, 2009

Voo 6747

Olhei pela janela bem rápido, só para sentir mais um pouquinho como era estar longe do meu universo. E então, puft. As férias acabaram e o avião já não estava mais no chão. Eu ainda estava muito leve e muito alegre para me importar que agora tudo iria voltar ao normal mesmo que o normal andasse me parecendo tão chato. E por isso ainda não estava triste. Mas também estava muito indisposta e com uma dor insuportável por ter ficado fora de mim e ter comido de tudo e em todas as quantidades que não deveria na última semana. E por isso não estava mesmo feliz. 

Peguei o livro que deveria ler para o vestibular só porque gosto tanto de fingir que eu consigo ser eu um pouquinho mesmo quando estou muito cansada de mim. Mas não consegui ler mais do que duas páginas porque eu estava com muito sono e no dia seguinte a rotina voltaria ao normal. Fechei os olhos e fiquei imaginando as pessoas me empurrando na Sé e decidi que eu deveria me dar o direito mais vezes de não ser a menina do sorriso amarel…

Que é isso de amizade?

Tem gente que acha que é isso de ligar qualquer hora em qualquer dia e ter alguém para conversar. Isso de alguém para escutar, dar conselho. Alguém pra calar. Isso de contar segredos, verdades, mistérios. Ou só alguém para tormar uma cerveja no fim do dia. 

Alguém que vai te convidar para uma balada qualquer. Alguém para ir naquele passeio de índio que você não está afim de ir sozinha. Alguém para dormir na sua casa, no fim das férias e assistir qualquer filme inútil com você. 

Isso. 

De sair pra qualquer lugar, qualquer dia, qualquer mês, qualquer ano. De passar anos e anos sem se ver e saber tanto e tudo ou nada. 

Tem gente que acha que amizade é poder contar. Contar na hora das dores, das feridas, das angústias. Das alegrias. 

Talvez seja mesmo contar. Nos dedos. Das mãos. 

Tem gente que acha que é sorrir. Mas há aqueles que sabem mesmo que é chorar. É sempre mais difícil quem consegue te ouvir chorar. Quem consegue te ouvir apaixonada. Tem gente mais chata que mulher apaixonada? Como di…

Você x O idiota que sabe ser

O que eu queria de você? Não era um presente no dia dos namorados, um convite para o cinema, uma aliança de namoro, um passeio no shopping, um restaurante caro, um vestido novo, um ursinho de pelúcia. 

Não era a promessa de um compromisso eterno. Nem você atender a ligação às três da manhã quando eu esquecesse porque era interessante viver. Não precisava desfilar de mãos dadas comigo na frente dos seus amigos ou falar com toda aquela força: é ela. Não precisava nem de eu te amo. 

Apesar de que uma hora ou outra eu iria querer essas coisas. Mas, até então, não precisava. 

A gente ainda tinha tanto pra viver antes de tudo isso. A gente ainda tinha tanta coisa pra dizer antes de tudo isso. 

Então o que eu queria de você? Verdade. 

E que dissesse com atos ou palavras o que eu queria ouvir. Algo como: haja o que houver, eu estou com você. Pode baixar a guarda agora. O erro foi meu, é verdade. De ter baixado a guardo sem você ter dito nada. 

E agora sou eu a ficar escutando músicas românticas biz…

Sapato velho

Essa roupa não lhe serve mais. Você cresceu. Engordou. Ela saiu de moda. Ela diz como se eu não soubesse. A gente, normalmente, sabe quando uma coisa não serve mais. Finge que não, disfarça. Coloca aquela blusa velha, pequena, que mostra a barriga. É que ela costumava ficar tão bonita. Não ficava? As pessoas costumavam elogiar tanto. Talvez ela ainda sirva. A gente sabe. É que, mesmo com toda aquela ladainha de não poder se apegar a bens materiais. É que mesmo com toda aquela ladainha...é tão difícil. 
Deixa aí. Vai, não custa nada ficar dentro do guarda-roupa, no seu canto, certo? Não tem problema guardar uma coisinha ou outra. Deixa dentro do armário, no fundo da gaveta. Talvez eu não use agora, mas depois...quem sabe. Talvez eu emagreça. Talvez na próxima estação isso volte a ser fashion. Deixa aí. Essa blusa da Hello Kitty que ganhei com doze anos, esse sapato com a sola desgastada. Ele ta velho, mas deixa eu te contar um segredo? É o meu favorito. Não uso, não tiro do lugar, não …

É preciso saber viver

Ela balança os cabelos de um lado para o outro e abre aquele sorriso que ocupa todo o seu rosto, só para me provar como a vida pode ser simples. E se pergunto o que é felicidade para ela, ela apenas cantarola o trecho daquela música que um dia eu também já cantarolei tanto. "Felicidade é um fim de tarde olhando o mar". E toda vez que a encontro, eu costumo lembrar como um dia eu já fui tão simples e calma e inteira. Como um dia eu já fui tão feliz. 

Lembro que um dia eu conseguia sair de casa sem estar cansada demais das rotinas dos meus dias. Sem estar cansada demais de qualquer dia, qualquer hora, qualquer pessoa. Lembro que um dia eu não tive tanta preguiça do mundo, tanta preguiça de gente, tanta preguiça de mim. 

E ela ri dos meus problemas, não por desdém, apenas porque ela acha que a vida é tão mais do que isso. E ela me convence tanto que a vida é tão mais do que isso. Mas depois eu volto para o meu mundinho que às vezes acorda tão nublado e cinza. E eu volto para o m…