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É preciso saber viver

Ela balança os cabelos de um lado para o outro e abre aquele sorriso que ocupa todo o seu rosto, só para me provar como a vida pode ser simples. E se pergunto o que é felicidade para ela, ela apenas cantarola o trecho daquela música que um dia eu também já cantarolei tanto. "Felicidade é um fim de tarde olhando o mar". E toda vez que a encontro, eu costumo lembrar como um dia eu já fui tão simples e calma e inteira. Como um dia eu já fui tão feliz. 

Lembro que um dia eu conseguia sair de casa sem estar cansada demais das rotinas dos meus dias. Sem estar cansada demais de qualquer dia, qualquer hora, qualquer pessoa. Lembro que um dia eu não tive tanta preguiça do mundo, tanta preguiça de gente, tanta preguiça de mim. 

E ela ri dos meus problemas, não por desdém, apenas porque ela acha que a vida é tão mais do que isso. E ela me convence tanto que a vida é tão mais do que isso. Mas depois eu volto para o meu mundinho que às vezes acorda tão nublado e cinza. E eu volto para o meu mau humor, e para as minhas dores de feridas que eu nem lembro mais quem fez. 

Então, toda vez que a vejo, acho que o tempo cura mesmo alguma coisa. Talvez para os outros. Porque para mim ele apenas tira de destaque, deixando a mágoa lá. Mas ela ainda dói. Afinal, toda mágoa dói, certo? Ela balança a cabeça negativamente e me diz: não guarde mágoas. E parece tão simples só porque ela tá falando. 

Aí eu prometo: não vou complicar mais nada. Não vou querer mais entender os problemas do mundo, não vou mais me importar com de onde a gente veio, pra onde a gente vai, qual o sentido disso tudo. Porque por mais que a gente goste tanto de ler as filosofias de tanta gente, por mais que a gente mesmo filosofe tanto, por mais que a gente tente entender a ordem no caos. Gente pesada pesa na gente. E cansa levar o mundo nos próprios ombros também.

E ela sabe ser tão feliz. Como eu também já soube ser um dia. No fundo, acho que ela é aquela parte de mim que eu deixo guardada, escondida, que o relógio e os compromissos e os planos não deixam aparecer. Acho que ela é aquela parte de mim que não quis crescer. Que queria conhecer a Terra do Nunca. Que queria ser a melhor amiga do Peter Pan. Acho que aquela parte de mim que ainda sabe mesmo ser feliz nesse mundo.

E eu a guardo, e eu não a deixo ir embora apenas para saber que alguma parte de mim ainda sabe como ser simples. E ela pede, ainda com seu sorriso brilhante e encantador: não esquece de mim, não. Como tanta gente já esqueceu. Metade de mim é criança. A outra metade se perdeu.

Comentários

  1. Ka, meu deus, o que eu digo? Me tocou muito, muito mesmo! Primeiro porque eu amo o Michael, né, aí você já tira uma idéia. E vê pelo lado de sempre: eu me identifico demais com o que tu escreve aqui. Logo... O que dizer além de um... Perfeito! Amei! Porra, Ka, você escreve muito e eu amo seus textos, principalmente quando me fazem acreditar, ou simplesmente me vejo neles... E, haha, to aqui escrevendo e subiu a plaquinha no msn "você recebeu um novo e-mail de karine rosa" daí fui ler o comentário, aheiahei, você que é foda, teus textos que são fodas e eu é quem quer um autografo. AMO isso aqui, sua linda! *-*

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  2. Menina, deixe sua metade criança achar a metade que se perdeu. Crianças são boas de esconde-esconde. E pode ser que sua não te deixe parar de sonhar.

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  3. Gente, você mata um desse jeito!

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  4. Lindo blog, achei ele por acaso e me chamou muito atenção! Vou me tornanr seguidor pra poder sempre passar aqui! Gostaria de convidara seus amigos e você para acessarem o meu, e quem sabe ate se tornarem seguidore, ficarei agradecido!

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