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Que é isso de amizade?

Tem gente que acha que é isso de ligar qualquer hora em qualquer dia e ter alguém para conversar. Isso de alguém para escutar, dar conselho. Alguém pra calar. Isso de contar segredos, verdades, mistérios. Ou só alguém para tormar uma cerveja no fim do dia. 

Alguém que vai te convidar para uma balada qualquer. Alguém para ir naquele passeio de índio que você não está afim de ir sozinha. Alguém para dormir na sua casa, no fim das férias e assistir qualquer filme inútil com você. 

Isso. 

De sair pra qualquer lugar, qualquer dia, qualquer mês, qualquer ano. De passar anos e anos sem se ver e saber tanto e tudo ou nada. 

Tem gente que acha que amizade é poder contar. Contar na hora das dores, das feridas, das angústias. Das alegrias. 

Talvez seja mesmo contar. Nos dedos. Das mãos. 

Tem gente que acha que é sorrir. Mas há aqueles que sabem mesmo que é chorar. É sempre mais difícil quem consegue te ouvir chorar. Quem consegue te ouvir apaixonada. Tem gente mais chata que mulher apaixonada? Como diria minha mãe, amizade é quem consegue te ouvir. Mas também quem consegue falar.

E é por isso e por tudo e só, só por isso que é tão difícil. Deixar as pessoas passarem. Quando demora tanto para a gente se encontrar, fica difícil deixar sair. Às vezes é melhor. Fica mais leve. Tem gente que só pesa. E pesa e pesa e enche o saco porque amizade tem que fazer voar, não afundar. E é por isso, pra não afundar, que fiz minha faxina. 

Deixei que saíssem. Deixei voarem como as borboletas que sempre foram. Não porque não tenham sido importantes. Foram - enquanto deu. A gente tem que entender, de verdade, que as coisas são enquanto dão. Quando não dá mais, que seja! 

A vida sempre é feita do que é, não do que foi. E não vale a pena guardar quem só foi. Guarde as lembranças, as memórias, mas por favor, não guarde pessoas. Não colecione pessoas. Colecione amizades. O que é muito diferente. Pra isso, sim, seja exigente.

E não, não deixe que se aproximem pelo status da sua amizade. É que amizade, meu bem, não se pede. Se conquista. E, ah, vou dizer: se perde.

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