Pular para o conteúdo principal

Crtrl + Z

Deletei seu número do meu celular. Como se fosse a coisa mais normal do mundo. Não teve nenhuma parte de mim dizendo que eu devia pensar melhor, que seu número talvez ainda fosse importante. Não senti remorso, nem culpa, nem nada. Era a coisa mais óbvia a ser feita.

Chegam momentos na nossa vida que a gente tem que aceitar certas verdades: o tempo não volta, todo mundo envelhece, o mundo dá voltas e as pessoas mudam. Principalmente, as pessoas mudam. Talvez, sem a gente se dar conta, a gente vai perdendo nossas relações que antes pensávamos ser eternas. Tornam-se apenas parte de um tempo que já foi. Melhores amigos tornam-se só meros desconhecidos. A gente não sabe por onde anda, o que faz, quem ama. Aquela pessoa que sabia tudo da gente às vezes some. E a gente tem que aceitar. Por mais bonito, mais sincero, mais verdadeiro que parecesse - amizades e amores muitas vezes não são para sempre.

Às vezes simplesmente acaba. Talvez com uma discussão, uma briga, um grito. Mas tenho para mim que a pior maneira de acabar com qualquer relacionamento é com o silêncio. É o silêncio que dói pra quem antes costumava ouvir e falar tanto. É o silêncio que dói pra quem sabia tudo. As pessoas acabam com tudo do jeito mais óbvio e mais comum - com o esquecimento.

Foi o seu erro comigo. Você esqueceu. De quem eu era e de quem eu fui - pra você.

Não retornar as ligações, não responder os e-mails, não dar notícias ou não procurar saber: tudo bem. Pelo menos que lembrasse. De uma história que eu achei que era nossa, aí vi que era só minha. Mais um desses casos de amor unilateral que eu venho carregando nas costas sem me dar conta. Mais um "você" que eu pensei tanto que fosse "nós".

Comigo fica só a saudade: das ligações no meio da madrugada, das saídas, das risadas, dos segredos, do seu jeito que eu conhecia tão bem. Fica apenas a lembrança da pessoa que costumava me conhecer inteira, e hoje não sabe nada sobre mim.

Deletei seu número do meu celular. E, infelizmente, deletei você da minha vida também.

Comentários

  1. Já deletei o número do meu "você" do meu celular também, mas mesmo deletando, eu tenho ele na memória. E uma vez, sem querer, fui ligar para uma amiga, e acabei discando o número dele. Foi uma sensação estranha. Às vezes me parece um defeito essa mania que a gente tem de decorar as coisas.

    Gostei do lugar! Beijos!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …