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Nosso jeito mulherzinha

Tem mulher que sempre dá segunda chance. É ridículo e a gente sempre acha que não é assim, mas na hora H a gente sempre dá. Talvez porque a gente tente acreditar que as pessoas mudam. A gente só esquece que elas não costumam mudar para melhor. Não sempre, pelo menos.

É sempre assim: com aquele sapato que machuca toda vez, mas a gente acha bonito demais pra deixar de usar. Aquela roupa que a gente guarda no armário para o dia que emagrecer e puder usar de novo. Aquela bolsa que já saiu de moda, mas a gente insiste em levar de um lado para o outro, só porque é maravilhosa. A gente é assim com a cor do esmalte, com a cor do cabelo, com o blush.

Mulher que é mulherzinha dá a terceira, a quarta...quantas chances for preciso. Acho que é pra colar o coração despedaçado várias vezes e ver se na última consegue preencher todos os buracos e não deixar entrar de novo. Mas a gente sempre deixa. Seja pra preencher nossos vazios ou por sermos idiotas mesmo. É que a gente sempre fica com aquela dúvida: E se...? Vamos então pensar no pior: e se ele for uma cafajeste de novo? E se ele machucar de novo? E se você sofrer de novo? Vai valer à pena?

A gente tem mesmo essa coisa, esse jeito bem mulherzinha de ser: acreditar que pela trigésima vez, talvez dê certo. Todas as outras vezes não deu pela imaturidade, pela falta de bom senso, mas agora tudo mudou. Ele cresceu em tão pouco tempo, vocês já podem escrever uma história juntos. Aquele seu amor unilateral e imprudente agora virou amor de uma mulher de verdade que agora pode ser correspondida. Tudo de novo. Aquele filme, aquele livro, aquelas mesmas frases piegas. E você acredita. Que dó.

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