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Nossa caminhada


É triste, não é? Essas voltas que a vida dá sem nem perguntar se a gente está mesmo preparado para todas essas mudanças que virão.

Essas novas fases, apesar de poderem ser muito boas e muito divertidas e muito gostosas, normalmente implicam em algumas perdas. Certos amigos, excluindo aqueles meio eternos - que estão contigo aonde você for, independente de tudo -, só fazem parte dessas fases que surgem em nossas vidas. 

Alguns amigos passam todo o primário com você. Você aprende a escrever ao lado deles, mas após anos e anos, você sequer sabe o nome deles para poder escrever. Alguns outros brincam dias e dias contigo, e depois somem como se nem tivessem existido. Há aqueles que passaram pelas mesmas coisas que você: as mesmas dúvidas, os mesmos sonhos, os mesmos professores. Há quem tenha enfrentado o mistério do primeiro beijo ao seu lado - e depois você nunca mais revê para poder beijá-lo novamente - na boca ou no rosto. 

Tem aqueles que enfrentaram o saco e a diversão do colegial com você. Fizeram aquelas viagens, aqueles passeios, aquelas histórias. Passaram por tudo, te ajudaram, aconselharam. Te ajudaram a estudar para o vestibular. Ah, o vestibular...ê fase para se perder amigos. Vê-los indo às festas que você não acaba indo porque está ocupada demais estudando.

Sinceramente, não acredito no que as pessoas dizem: que todos nós temos medo das mudanças. Pode até ser, por um lado, talvez um pouco. Mas o que a gente tem medo mesmo, de verdade, é de perder. 

Perder tempo, a juventude, a animação, a felicidade, o amor, os amigos. Perder o que nos cerca, o que supostamente temos, o que supostamente somos. Sabemos que mudanças também trazem alguns ganhos, mas temos medos das perdas que inevitavelmente trazem.

Temos medo de nunca mais ver, nunca mais ter, nunca mais ser. É triste que o mundo gira. Apesar de ser uma das melhores coisas do mundo. É que conforme vai girando, as pessoas vão indo e vindo e sumindo.

É a lei da vida - a gente sabe. Mas perder é sempre ruim. 

Por isso, a gente tem que aproveitar as pessoas enquanto podemos. Sim, porque a qualquer momento elas podem morrer - não é o que todos sempre dizem? Mas, principalmente, porque elas podem nos deixar. Talvez não pela escolha de nos abandonar, mas pelas trilhões de escolhas que fazemos na vida e que acabam nos levando a caminhos diferentes. Aproveite para que um dia, quando olhar para trás, ter a certeza de que você não caminhou sozinho. E que, mesmo que os passos tenham se separado, um dia, eles já estiveram lado a lado.

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