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Mostrando postagens de Agosto, 2010

Quem foi que disse que tem que engolir o choro?

Tem esse nó na garganta que ela tenta engolir com uma necessidade absurda. Tanta fome e essa coisa entalada não desce. É um vazio que dói lá no fundo e ela tenta mentir e enganar porque quando a gente tá feliz e convivendo com isso tudo parece tão mais bonito e alegre. E mais um dia, mais uma tonelada de risadas, mais uma necessidade absurda e gritante de ser feliz, parecer feliz, estar feliz. Essa necessidade de tudo e de todos de mostrar um tudo bem que não tá bem. Às vezes não é tudo bem. Às vezes um dia, uma tarde, uma noite - mais à noite porque parece que dói mais. Às vezes tpm, às vezes qualquer coisa. Às vezes uma tristezinha de leve que dói como uma depressão eterna só por minutos. Fazem parecer como se fosse a pior coisa do mundo, mas ela só queria ficar triste um pouco. Fazem parecer crime, mas ela não queria chorar anos ou se matar. Ela só queria poder se permitir ficar triste um pouquinho e tirar o sorriso do rosto e parar de dar altas gargalhas. E contar para qualquer um…
"É certo que as pessoas estão sempre crescendo e se modificando, mas estando próximas, uma vai adequando seu crescimento e sua modificação ao crescimento e à modificação da outra. Mas estando distantes, uma cresce e se modifica num sentido e outra noutro, completamente diferente, distraídas que ficam da necessidade de continuarem as mesmas uma para a outra.
Uma pessoa quando tá longe vive coisas que não te comunica e tu aqui vive coisas que não comunica a ela. Então vocês vão se distanciando e quando vocês se encontram, vocês vão falar assim: oi, tudo bom e tal, como é que vão as coisas? E aí ele vai te falar por cima de tudo o que viveu e, não sei, vai ser uma proximidade distante. Não adianta, no momento que as pessoas se afastam elas estão irremediavelmente perdidas uma pra a outra."
Caio F. Abreu

A última sobre isso; ou "aceitei o fato que amizades acabam".

Perdemos tempo demais pensando em como as pessoas mudam. Perdemos tempo demais contabilizando como certas pessoas tem a capacidade de nos magoar - e o fazem com frequência. Perdemos tempo ficando bravos, irritados, magoados. Perdemos tempo tentando desesperadamente entender certas escolhas que, aos nossos olhos, não fazem sentido algum. Talvez nunca faça. Não precisa fazer sentido.
A grande graça de seguir em frente na nossa vida é que nossas escolhas não precisam fazer sentido para ninguém além de nós mesmos. E então precismamos reconhecer quando erramos e tentamos ver sentido na vida alheia, quando não precisa ter. Reconheço. Perdi tempo.
A gente sempre tem mais o que fazer além de tentar entender quem quer que seja. Não tem que entender. Acho que a única coisa verdadeira que podemos fazer é aceitar. Não precisa entender, compreender, concordar. Só aceitar o direito do próximo de tomar a decisão que quiser. Mesmo que essa decisão nos magoe. Mesmo que essa decisão nos decepcione. Mes…

"Agora eu vou curtir a vida"

"Obrigada pelo seu tempo e já me vou antes que eu perca mais um segundo do meu". 

Agradeço a preocupação, o medo de que eu quebre a cara, o pé atrás. Agradeço essa falta do que fazer e essa necessidade imensa que tem de cuidar da minha vida. Agradeço porque não atendeu o telefone na última semana quando minha crise existencial chegou ao ápice. Agradeço que você não soube e não sabe nada do que se passou em minha cabeça e vá lá o coração. Agradeço que tudo o que senti, senti sozinha. E para não ser injusta, com meia dúzia de amigos de verdade que nunca me fizeram promessa alguma, mas que sempre estão aqui mesmo sem prometer. Agradeço que você não tentou me animar, mas ao invés disso, tive essa dúzia de pessoas que ganharam espaço na minha vida que me fizeram dar altas gargalhadas. Agradeço principalmente o seu não-esforço, pois foi ele exatamente que me fez perceber que certas pessoas não valem tão a pena. E que outras que eu achei que não valiam, talvez o façam um pouquinho.…

Larga tudo e voa

Uma dezena de barbies guardadas em um lugar alto no guarda-roupa a chamavam para voltar a ser a criança de antes. Colocar de novo os sapatos grandes da mãe e pintar a boca borrada de um batom vermelho que demorava pra sair. Vontade da época que o grande sonho de sua vida era só poder brincar o tempo que quisesse. Saudade de brincar: essa coisa maravilhosa que é poder não ligar pra nada e só se divertir com alguma coisa sem importância. Um sufoco dentro do peito dizendo que as coisas estavam fora do lugar. Que os brinquedos podiam até estar certos, mas estavam nas prateleiras erradas. E ela soltou os cabelos e deixou o vento soprar o que quisesse dentro de seus ouvidos. Tentou escutar lá no fundo qualquer coisa que fizesse o nó na garganta diminuir. E o desejo de jogar tudo para o alto e recomeçar. Fazer seu novo final, iniciando qualquer outro começo. Mas antes, precisava descobri qual era o objetivo. E correr. Correr. Mirar na lua e esperar acertar uma estrela qualquer. Uma que o bri…

E há o karma...

Um dia ela já vai achar o cara que lhe queira, como você não quis fazer. Sim, eu sei que ela só vai achar alguém prá vida inteira como você não quis...
Ela vai lhe dar tudo o que de mais bonito tem em si. Tudo aquilo que ela guardou durante os anos que esperou um grande amor. Ela vai lhe fazer cafuné no final da tarde, enquanto vocês ficam em silêncio assistindo a qualquer merda na televisão. Quando você estiver cansado, ela vai ficar quieta mesmo tendo trezentas mil coisas que queria lhe contar. Quando ela estiver de tpm, ela vai te irritar mais do que você conseguia imaginar que alguém pudesse fazer. Ela vai ser cruel de vez em quando, porque ela acha que tem o direito de fazer quem ela mais ama sofrer quando ela não está bem. Ela vai planejar um futuro com você e contar para todas as suas amigas o quanto você a ama. E aí um dia você vai cansar de todo o teatrinho, vai cansar da tpm dela, vai cansar de desfilar com uma aliança no dedo, vai cansar de ver todos os seus amigos solteiros …

Tequila, limão e sal.

Ela tentou se lembrar, antes de dormir, os nomes das bocas que tinha beijado naquela noite. Nada. Tentou se lembrar se eles tinham rostos, além de bocas que beijavam. Nada. Só sorrisos e nada mais. Não se lembrava ao certo o que tinha conversado com nenhum deles. Deles? Quantos eram mesmo? Ela se virou em sua cama e abraçou o travesseiro. Ninguém por ali para conversar agora, abraçar. Nem tinha nenhum beijo agora. Só o tunts tunts ressoando em seus ouvidos e seus pés latejando, a lembrando que dançar muito com o salto 15 não soava tão boa ideia agora. A roupa, que antes cheiraria cigarro, só tinha cheiro da quantidade de álcool que tinha derramado ali, porque tinham feito uma tal de lei anti-fumo em sua cidade. A noite passava em alguns lances em sua memória e parecia que existia o antes e depois da tequila. Três beijos ali, mais um aqui, acolá, assim assim. Nada de grandes memórias. Nem tinha muito o que contar. Agora só silêncio, o travesseiro e a lua que aparecia na janela. Tinha …

Quer saber pra quem é?

Tá vendo algum nome aqui? Alguma vez eu falei que era um diário? Não tenho tendência a abrir todos os meus pensamentos a todas as pessoas que me cercam e já passei da fase "Oi Diário", então esquece se você lê meus textos e fica tentando adivinhar para quem é. Esquece. Primeiro porque a maioria dos meus personagens não são uma pessoa só que conheço, mas uma mistura de várias pessoas. Segundo, porque nem tudo é sobre mim, às vezes é sobre conversas da rua, sabia? Imaginação fértil, sabe como é. E terceiro, só para dizer, que alguns até são para uma determinada pessoa, mas preste bem atenção aos sutis detalhes. Porque enquanto você ficou pensando que era para ciclana ou fulana, no fundo, meu bem, era para você. Mas o espelho só mostra o que Narciso quer ver, não é? Dessa vez, eu sei, você vai saber que é destinado, enviado e irritado. Como diz Tati Bernardi: "Nos meus textos nunca dou nome aos bois. Mas adoraria dar nomes às vacas."