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Quem foi que disse que tem que engolir o choro?

Tem esse nó na garganta que ela tenta engolir com uma necessidade absurda. Tanta fome e essa coisa entalada não desce. É um vazio que dói lá no fundo e ela tenta mentir e enganar porque quando a gente tá feliz e convivendo com isso tudo parece tão mais bonito e alegre. E mais um dia, mais uma tonelada de risadas, mais uma necessidade absurda e gritante de ser feliz, parecer feliz, estar feliz. Essa necessidade de tudo e de todos de mostrar um tudo bem que não tá bem. Às vezes não é tudo bem. Às vezes um dia, uma tarde, uma noite - mais à noite porque parece que dói mais. Às vezes tpm, às vezes qualquer coisa. Às vezes uma tristezinha de leve que dói como uma depressão eterna só por minutos. Fazem parecer como se fosse a pior coisa do mundo, mas ela só queria ficar triste um pouco. Fazem parecer crime, mas ela não queria chorar anos ou se matar. Ela só queria poder se permitir ficar triste um pouquinho e tirar o sorriso do rosto e parar de dar altas gargalhas. E contar para qualquer um que à noite doía mais do que qualquer outra coisa. E abraçar alguém que fosse se importar de verdade. E ter alguém que saberia o que ela estava sentindo sem que ela precisasse explicar um livro inteiro. Ela só queria se permitir sentir enquanto fosse durar. Não tudo bem. Chega de tudo bem. Não era o fim do mundo. Não era a maior tristeza do mundo. Era só uma dorzinha que incomodava. Era dela. Ninguém entenderia, mas aqueles amigos entenderiam. Uma dorzinha que nem dor de dente, pequena, que vai e volta, mas tem a capacidade de estragar o dia. Uma desilusão que não chega a ser amorosa, mas dói tanto quanto. Um sonhar demais que faz desaprender a sonhar. E seu coração que nem folha amassada: não importa o quanto a gente passe com o ferro, nunca desamassa por completo.

Comentários

  1. Oi linda amei seu blog ta lindo já estou seguindo viu, faz uma visitinha no meu ai se você gostar me segue também ta, beijão simara
    http://plantaodabeleza.blogspot.com/

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