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Tequila, limão e sal.

Ela tentou se lembrar, antes de dormir, os nomes das bocas que tinha beijado naquela noite. Nada. Tentou se lembrar se eles tinham rostos, além de bocas que beijavam. Nada. Só sorrisos e nada mais. Não se lembrava ao certo o que tinha conversado com nenhum deles. Deles? Quantos eram mesmo? Ela se virou em sua cama e abraçou o travesseiro. Ninguém por ali para conversar agora, abraçar. Nem tinha nenhum beijo agora. Só o tunts tunts ressoando em seus ouvidos e seus pés latejando, a lembrando que dançar muito com o salto 15 não soava tão boa ideia agora. A roupa, que antes cheiraria cigarro, só tinha cheiro da quantidade de álcool que tinha derramado ali, porque tinham feito uma tal de lei anti-fumo em sua cidade. A noite passava em alguns lances em sua memória e parecia que existia o antes e depois da tequila. Três beijos ali, mais um aqui, acolá, assim assim. Nada de grandes memórias. Nem tinha muito o que contar. Agora só silêncio, o travesseiro e a lua que aparecia na janela. Tinha um tempo que fazia corações no caderno e sonhava com o príncipe encantado. E então tinha decido correr atrás de todos os lobos maus que lhe aparecessem. Tinha um tempo que coca-cola era melhor que vodka. Agora a ideia era misturar e ser feliz. Era uma princesa vestida como a chapeuzinho-vermelho. A bela adormecida tinha acordado há muito tempo. Tinha sonhado com contos-de-fadas tanto tempo que agora aquelas histórias a enjoavam. Felizes para sempre? Quem foi que falou em sempre? Quem foi que falou em final? Mas a noite foi ótima. E valeu a pena? Tinha sido como ela esperava? Nem lembrava. Quantas bocas mesmo? E vazio. Então ela entendeu: nenhuma daquelas roupas, nenhuma daquelas baladas, nenhuma daquelas tequilas. Beijo nenhum. Ela entendeu: boca nenhuma acabaria com o vazio do amor que nunca teve. Simples assim. E prometeu a si mesmo: uma dia ia ser amada, mesmo que não amasse de volta. E virou a tequila. Limão e sal. Enjoy it.

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