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E se fosse eu?

Assisto a filmes românticos me imaginando no lugar da mocinha. Fico pensando: podia ser eu. Enquanto tenho uma infinidade de amigas lendo livros de vampiros e bruxos e anjos, me concentro em meus romances que parecem muito mais reais do que qualquer outra coisa. Vampiros e bruxos e anjos talvez - vá saber, né - nunca cheguem em mim, mas o romance, talvez, se eu acreditar de verdade, aconteça. Finjo o tempo todo que eu não acredito mais no príncipe encantado, mas no fundo tudo o que eu queria mesmo era alguém que me abraçasse sem eu ter que pedir, que me entendesse sem eu ter que explicar. E não, não leia "príncipe encantado" e entenda "cara perfeito". Eu já entendi que não existe cara perfeito, porque não existe ninguém perfeito. Leia príncipe encantado e entenda: alguém que ame de volta. Alguém que te escute. Alguém que tenha ciúme de você, mas que tente - porque você vai perceber - não demonstrar. Leia príncipe encantado e entenda: a ligação no meio da madrugada não pra dizer boa noite, mas pra dizer "eu amo você". Entenda: o beijo no meio da discussão homérica. A gargalhada quando você fizer alguma besteira. E o beijo na testa quando você estiver brava com a risada dele. E aí eu assisto ao filme romântico e leio o livro de romance e penso: e se fosse eu? E imagino: pode ser. Porque, eu sei, ainda sou dessas idiotas, românticas bregas, iludidas: eu ainda acredito no amor. E que um dia, se eu esperar, ele vai chegar pra mim também.

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