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Então é Natal e o que você...ganhou?

O meu maior presente de Natal desse ano foi dado de mim para mim mesma. Foi uma troca entre meu coração e minha mente. Foi um pacto. Decidi perdoar minhas feridas abertas, as cicatrizes, as vezes que quebrei a cara com tudo no chão. Decidi perdoar meus erros, minhas escolhas, minhas lágrimas, meus amores não correspondidos. Decidi me perdoar de vez e perdoar todo mundo por aí que não soube me amar como eu esperava. Ou que não soube me amar de jeito nenhum. Decidi dar um fim em coisas internas, pouco a pouco porque sei que eu nunca consigo mudar de vez. Decidi que chega de tentar insistir em gente que desiste de mim antes mesmo de escolher tentar. Chega de ficar perdoando cada mísero erro - então decidi perdoar de uma vez só, todos que me machucaram, que erraram, que não se importaram. E decidi desistir dessas pessoas também. Chega de tentar ser muito amiga e não receber nada em troca. Eu sei que, supostamente, para ser uma pessoa melhor, eu deveria fazer as coisas por aí sem querer nada em troca. Mas eu não sou perfeita, não sou santa, nem idiota. Quando eu dou a mão, eu espero que entrelacem a mão na minha, não que puxem meu braço e o arranquem fora. Então decidi que: tudo bem. Se eu for amiga e não receber a amizade de volta. Se eu der amor e não for amada de volta. Se eu der a mão e não receber mão de volta. Se eu der carinho e não ter carinho de volta. Se eu der importância e não ser importante de volta. Se eu me doar e só ter vampiros em volta. Tudo bem. Caio, choro e levanto a cabeça. E me perdôo. Porque pelo menos eu tentei. Fui fiel aos meus sentimentos, aos meus impulsos, a minha idiotice de cada dia. Fui fiel a esse jeito ingênuo de acreditar – nas pessoas e que elas podem, sei lá, resolver de uma hora para outra mudar. Quanto à todos que não se deram de volta, que não amaram de volta, que não foram amigos de volta. Tudo bem. Não esperem mais do que meu respeito, minha educação e um quêzinho de pena. Porque um dia vocês vão querer as coisas de volta também. E não vão ter mais quem as dê.

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