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"Janeiro já tá quase aí...."

Eu amo janeiro. É meu mês preferido e eu sei lá o porquê. Às vezes eu queria que fosse novembro, porque é o mês do meu aniversário e eu devia, sei lá, gostar do mês que eu nasci e essas coisas. Não sei. Novembro é sempre fim de ano, já ta tudo naquela correria insana que ronda dezembro. Janeiro não. Janeiro é leve. E não tem nada nesse mundo que eu goste mais do que coisas leves. Talvez por eu pensar demais, sentir demais, me pesar demais, goste tanto daquilo que quase voa, daquilo que quase me tira do chão. E janeiro voa. E me leva com ele. Janeiro é aquela garota de sete anos que abraça sua boneca e gargalha com alguma coisa que você nem sabe o que é, e te deixa curiosa, porque você queria gargalhar daquele jeito também. E janeiro é marcado por isso: crianças. Idéias crianças, sentimentos crianças, sonhos crianças. Tudo pequeno, tudo novo, tudo só planos que você quer colocar em prática. Janeiro é leve porque é fim e começo ao mesmo tempo. Não porque dia primeiro é o primeiro dia do ano. Não pra mim. Mas é que você coloca na cabeça: daqui pra frente tudo vai mudar. Quase nunca muda, mas a sensação de quase mudar é o que mais me deixa feliz. A sensação de que dá pra começar de novo, que pra tudo há volta, que nada é imutável. Janeiro é isso: é transição. De mim comigo mesma. A lista das coisas pra fazer que eu traço naqueles primeiros dias do ano fica quase intacta. Mas no fundo, no fundo, o que muda em mim é o olhar. O jeito de encarar a vida, o jeito de levá-la, as coisas nas quais acredito e naquilo que não acredito mais. O que muda em mim é o interno, sabe? Pouco a pouco, ano a ano, janeiro a janeiro. São as feridas que eu passo um mês inteiro só cicatrizando, só passando remédio, só na base do band-aid. Janeiro é meu band-aid. Não tem machucado que não acabe fechado com ele.

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