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Vou dar um jeito de ser.

Oi, tudo bem? Você se lembra de mim? Será que algum dia, algum minuto, alguma hora, algum segundo. Será que você lembra? Será que dá uma pontada no seu peito e um frio no seu estômago? Será que você sente vontade de vomitar? Será que tem um vazio dentro de você que você não consegue preencher com amigos, família, festas, bebidas? Nada?  Eu não queria, eu juro. Eu insisti mais do que deu, mais do que pude, mais do que devia. Eu tenho até vergonha do quanto eu insisti. Mas não dá mais, cara. Cheguei ao meu limite, entende? De algum jeito, sei lá como, o coração avisa: daqui não dá mais pra continuar. E eu não vou continuar. Eu desisti de você pelo motivo mais óbvio possível: eu preciso escolher, de vez em quando, a mim. Eu preciso deixar de escolher os outros. Eu preciso me colocar antes. Não "você e eu" mas "eu e você". E se não tiver troca, não dá. O coração não aguenta. Não mais. Eu não vou passar minhas noites e meus dias imaginando se você sente falta do mesmo jeito que eu. Se dói em você do mesmo jeito que dói em mim. Se o seu choro é mais forte do que o meu. Eu não vou viver esperando que você apareça. Que você dê sinal de vida. Que você resolva ligar. Eu não vou viver esperando que você se importe. Porque você não se importa. Então, cara, e aí, tudo bem? Manda lembranças pra família. E se cuida. Tem coisa que você odeie mais do que 'se cuida'? Você sabe que isso significa que eu não vou mais cuidar. E daqui eu vou me cuidar também. Fica bem. Também fico. Seja feliz. Eu, daqui, de algum jeito, vou dar um jeito de ser.

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