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Mostrando postagens de Janeiro, 2011

Fios rompidos

De vez em quando a vida te dá umas notícias que entalam na garganta de um jeito que parece que você nunca mais vai conseguir respirar direito. Fica esse nó entalado no peito, essa falta de ar, esse medo do fio se romper. Acho que na verdade a gente caminha todos os dias, todos os segundos, com esse medo absurdo do fio se romper. Qualquer fio. O fio que junta um casal. Que junta os amigos. Que junta a família. O fio da vida. Acho que cada vez que a gente respira é uma tentativa desesperada que esse fio não se rompa. Que ele aguente mais um pouco. Que dê tempo de dizer, de gritar, de fazer. Que esse fio dure tempo suficiente. Como se existisse mesmo essa coisa de tempo suficiente. Acho que a gente caminha por aí segurando a ponta do fio e esperando que do outro lado tenha alguém segurando também. Que esse alguém não vai soltar. Que não vai te deixar sozinho. Que não vai desistir de segurar ali também. A gente se agarra a esse monte de fio temendo que não dê pra costurar nada com eles no…
Um desanimo. Uma lerdeza. Um oco. Aquela velha sensação de estar jogando fora a vida.
- CAIO FERNANDO ABREU.