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Carta sem destinatário(a).

Eu não sei como eu deveria te chamar. 

Talvez, ex-amiga. 

Talvez ex-nada. 

Sem ex.

"Ex" me lembra exemplo. Exemplo de amiga não é exatamente o que você foi. 

Talvez eu também não tenha sido. 

Essa não é uma carta de desculpas. Na verdade não é uma carta, já que não vou te enviar. Talvez se você ainda lembrar desse blog, você veja. Acho difícil, você não lembra sequer de mim, né? Talvez eu seja uma puta injusta por tudo que ando falando sobre você, por tudo que senti de ruim sobre você, por tudo que eu não fiz pra manter uma amizade que era legal. Era legal, não era? Talvez eu tenha errado do mesmo jeito que você errou e talvez eu te devesse mesmo um pedido de desculpas. Você sabe, você teve coragem e pediu desculpas. E eu fui chata o suficiente para não acreditar nelas. E eu fui orgulhosa o suficiente para não pedir desculpas de volta. É, talvez eu não tenha sido um exemplo de amiga mesmo. 

Mas antes que tudo se inverta e eu seja a completa errada da história, vamos lembrar como as coisas foram. 

Fim de um ciclo e eu disse: "amizades não duram para sempre". Você revidou: "se você quiser, duram". E você prometeu. Foi você, lembra? Eu só ouvi, e do meu jeito cético, disse que iria esperar para ver. Talvez isso tenha te magoado. Mas eu não prometi nada. 
Você do seu canto e eu do meu. E eu querendo saber como andavam as coisas, como você tava, tudo mais. Eu marcando saídas que você sempre desmarcava. E a gente se vendo mês sim e mês não, mês não, mês não. E a gente se vendo, sei lá, duas vezes ao ano? Aí você deixou de me contar as coisas. Aí você deixou de ligar. Aí você dizendo que me amava mesmo aí de longe. Que merda é essa de amar mesmo de longe? Não é distância, cara. É importância. Sabe, se importar com uma pessoa o suficiente para ligar, sair, dar sinal de vida? Isso é amar de longe. 

Mas a gente sabe por que as coisas ficaram assim, não é? Você conheceu outras pessoas. Eu também. Você conheceu essa pessoa aí que parece que é a pessoa mais importante da sua vida. Eu fico feliz por você. Juro. Quer dizer, por ter conhecido alguém. Por estar feliz. Por qualquer coisa. Eu fico feliz por você ter me excluído da sua vida também. Mesmo. Talvez eu sinta um buraco, como se tivesse tudo sido bem mal resolvido. Sabe, uma amizade acabar por "ordens de terceiros". E eu fico com muita raiva de você por ter deixado que isso acontecesse. Raiva mesmo. E talvez por isso eu seja injusta e orgulhosa. E talvez por isso eu não tenha capacidade de "desculpar". 

Sabe de uma coisa? Peça desculpas a qualquer um, não a mim. Desculpas não vão mudar o fato de que você deixou. Me deixou. Sozinha. E sabe de uma coisa? Que bom. 

A gente se vê qualquer dia, qualquer hora, em qualquer lugar. Talvez eu sorria, dê oi pra essa sua pessoa especial e te deseje felicidades. Mas sabe aquela história de madrinha de casamento, madrinha do primeiro filho e tudo mais? Pi-a-da. Foi o que a gente foi. E tudo mais. 

Se cuida, 

Com carinho, 

Uma antiga-amiga (soa melhor, né?)

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