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Isso de ser amiga.

Não vou te cobrar retribuições de coisas que fiz por você. Minha mãe me ensinou - ou tentou ensinar - que a gente não deve fazer nada esperando algo em troca das pessoas. Mas foi mais na vida, na raça, no tapa na cara, que eu aprendi que não dá pra esperar nada  das pessoas. Entenda - eu sei disso, tenho consciência, aprendi na teoria, na prática e na dor. Mas existe isso de haver uma grande distância entre o que você sabe e o que você faz. E eu faço merda pra caralho. E eu espero coisas dos outros pra caralho. E não sei se você sabe, mas entre não te cobrar retribuições e não esperar retribuições há uma distância bem grande também. Sei lá, é bom saber que o outro faria o mesmo por você.
Eu vou servir de ombro amigo cada vez que você precisar desabafar. Vou comprar suas dores, suas brigas, suas inimizades. Vou ouvir cada besteira que você tiver para falar, e vou dizer que é uma besteira, mas não vou te julgar além disso. Se você quiser se jogar de uma ponte, te seguro e sento nela enquanto te convenço que deve haver ainda no mundo algo que realmente valha a pena. Se você quiser contar um segredo, tô aqui, vou guardar. Se você precisar que eu cuide de você bêbada e te dê banho, vá lá, odeio isso, mas eu faço. Se eu sou amiga, eu sou amiga mesmo, de verdade, de abrir as portas da minha casa pra você. Porque entenda, quando eu abrir a porta da minha casa pra você, se eu te apresentar minha vida mesmo, minha família, minhas manias, é porque eu já abri a porta do meu coração também. É porque eu te amo. E se eu te amo, eu te amo mesmo. Com todas as consequências que isso implica. Porque eu aprendi com o tempo que ser amiga é muito, mas muito mais do que gargalhar de alguma coisa, sair pra beber ou ficar em uma rodinha em frente ao bar. É muito mais. E eu faço o máximo que posso. Então desculpa, mas eu espero que você faça o máximo que pode também. Eu espero. Mas né, é o que eu disse, não dá pra esperar nada em troca das pessoas. Dá?

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