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Confesso

Confesso, acordei achando tudo indiferente
Verdade, acabei sentindo cada dia igual
Quem sabe isso passa sendo eu tão inconstante?
Quem sabe o amor tenha chegado ao final?
Não vou dizer que tudo é banalidade
Ainda há surpresas mas eu sempre quero mais
É mesmo exagero ou vaidade
Eu não te dou sossego, eu não me deixo em paz
Não vou pedir a porta aberta, é como olhar pra trás
Não vou mentir, nem tudo que falei eu sou capaz
Não vou roubar teu tempo, eu já roubei demais
Tanta coisa foi acumulando em nossa vida
Eu fui sentindo falta de um vão pra me esconder
As poucos fui ficando mesmo sem saída
Perder o vazio é empobrecer
Não vou querer ser o dono da verdade
Também tenho saudade mas já são quatro e tal
Talvez eu passe um tempo longe da cidade
Quem sabe eu volte cedo ou não volte mais
(Confesso – Ana Carolina)


Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente .. um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade... quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: “calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.” Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você. Suas confissões.
(Caio Fernando Abreu)



Desculpa, mas eu fiquei pensando: se eu confessar todos os meus segredos, vou ter que pedir perdão no final? Não tô acostumada com isso de contar tudo, de colocar pra fora, de te contar meus podres. Sei lá se tenho podres. Ando meio desacreditada na vida, isso conta? Tenho vontade de deitar a cabeça e esperar passar. Não as dores, a vida. Esperar, sabe? Fico perguntando: ‘vai demorar muito?’. Às vezes eu acho que vai acontecer alguma coisa muito boa, ou eu vou conhecer alguém muito especial, ou uma alegria súbita vai me preencher e tudo vai ficar azul de novo. Eu sei, é papo de emo ou deprimido, ou depressivo, ou suicida. Não sou nada disso, só acho que às vezes eu tenho o direito de não ter esperança, não tenho? Eu tinha planos que eu queria colocar em prática e hoje eu nem sei se ainda são meus planos. Não tenho mais planos. Melhor: tenho um. Esperar. Não é acreditar, não é desesperar: esperar, sabe? Quem sabe uma hora acontece. Coloca no automático e vai, Karine. Coloca na 2° e vai. Uma hora desengata. Uma hora entra no caminho certo. Uma hora o trânsito acaba. Vai sinal, vai. Acelera. Deixa eu correr, deixa eu viver, faz o carro morrer. Mas me tira do automático. Mas me tira da rotina. Mas me tira do cansaço. Confesso: ando muito cansada, sabe? 


Confessei.

Comentários

  1. Gostei do blog (:
    E também do jeito como escreve.
    E estar cansado pode ser ás vezes pq a vida anda lá sem novidades.

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