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Entenda - não posso e não vou contar aqui história alguma de amor, porque entre todas as meias-histórias da minha vida, nunca tive uma assim, dessas de filmes românticos e histórinhas de contos-de-fadas. Nunca tive nem algo parecido com uma histórinha romântica qualquer, de filme meia-boca ou daquelas que uma conhecida distante te conta sobre como conheceu o marido e você acha que pode acontecer com você também. 

Tenho pra mim apenas meia dúzia de cenas que me vem à mente quando alguém, descuidadamente, cita a palavra amor, assim, do nada. Minha mente vaga e aparecem três ou quatro caras que já julguei importante, que já julguei amor. Aparecem três ou quatro momentos em que eu achei que podia ter começado alguma coisa, algum sentimento, alguma ligação. 

Acho que nada nem ninguém conseguiu chegar tão fundo em mim a ponto de se tornar inesquecível. Ok, estou sendo injusta: tem aí uma dúzia ou menos de amigos importantes que são parte de mim, mas eu digo disso, dessa coisa de romance, de amar alguém tanto mesmo depois do fim, sabe? Não tenho isso, nunca tive e dá tristeza. É, tristeza mesmo, desculpa. Peço perdão aqui pela minha fraqueza: fico triste de não ter uma história de amor - mesmo essas mal-acabadas - pra contar. Tenho uns casinhos, umas histórinhas sem graça, sem fim e sem sentimento. Vale?

No fundo, no fundo mesmo, eu não espero um príncipe, um amor, um sentimento forte a ponto de me fazer desistir de toda a minha vida. Eu espero só uma história de filme romântico meia boca pra contar, sabe? Só pra ter pra mim que eu também posso viver algo bonito, algo eterno enquanto dure, algo brega. 

Quero meia dúzia de histórinhas românticas pra contar. E que no fim não acabe sozinha. Talvez seja carência, talvez medo, talvez vontade de sentir que alguém no mundo se importa. Talvez seja só essa necessidade absurda de atenção que tenho desde que nasci. Talvez seja só uma quantidade imensa de amor pra dar e ninguém pra receber. 
 

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