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Já ia fazer um ano e eu decidi que era hora de parar de ser orgulhosa. Juntei toda a minha força de vontade e comecei a jogar três ou quatro frases feitas na minha cabeça durante todo esse tempo. Aí a força de vontade passou, deu aquela preguiça de insistir em tudo de novo. Apaguei as frases, fechei a página. Deixei pra lá. Se você soubesse quantas vezes eu deixei pra lá. Guardei uma porção de coisas pra mim, não desabafei nem para as paredes. E não fui atrás. Chega né? Tem uma hora que cansa. Se eu fosse enviar cada e-mail que eu comecei a escrever para você, provavelmente você me acharia uma louca psicótica que persegue gente que já deixou bem claro que não me quer mais na vida. Mas aqui está a verdade: sou uma tremenda de uma idiota que precisa colocar nas palavras um pouquinho de sentimento para ver se a pessoa do outro lado entende, sente, atende. Cada linha, cada e-mail não enviado: era só um pedido surdo de “me ajuda, ta difícil sem você”.  Aí vão me falar: poxa, Ká, você é orgulhosa, você não pede ajuda, não pede desculpa, não corre atrás. Talvez eu seja. Na real, eu sou. Orgulhosa pra caramba. Mas não acho – e ninguém vai me convencer a achar – que eu sou a errada dessa história. Eu pedi, eu implorei, eu corri atrás. Fiz coisas que me envergonho. Insisti numa história que devia ter acabado há três anos. Colhi muita ferida por causa disso. Não acho que temos que sair por aí desistindo das pessoas. Só acho que não adiantar insistir em alguém que já desistiu de você. Não é questão de ser tarde demais para essa história. É só que chega um momento que parte, que quebra, que perde o encanto. Que me faz ter essa preguiça de insistir, essa preguiça de pensar, essa preguiça de falar qualquer coisa sobre o assunto. Hoje eu consigo dizer: to nem aí pra como você tá, onde você tá, com quem você tá. A coisa quebrou. O encanto quebrou. A mágica quebrou. Sei lá: só quebrou, sabe? Foi algo aqui dentro, foi algo meu, talvez você não tenha ação direta. Mas não te tiro a responsabilidade por cada ato seu, por cada falha, por cada vez que você também deixou para lá. Não vou querer aqui te explicar o universo complexo que eu sou porque isso exigiria muito mais do que uma páginazinha de texto (to achando que nem quando eu escrever um livro vou conseguir me explicar). Tudo o que você precisa saber é que aquela vontade passou. Que aquele desespero em saber o que vai ser daqui para frente com nós dois acabou. Só...acabou, sabe?

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