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Mostrando postagens de Julho, 2011

010

Admito que deve ser difícil ler minhas entrelinhas. Sorrio na frento dos outros, mesmo quando morro de vontade de chorar. Abraço quando precisam, mesmo quando sou eu que preciso ser abraçada. Choro e falo que não é nada. Falo que foi o filme, o livro, falo que é por besteira. Não conto meus medos. Quando conto digo só que é medo de ficar sozinha. Brinco com minhas inseguranças. Dou risada enquanto falo mal do meu próprio nariz para não perceberem quão insatisfeita estou com minha aparência. Brinco que estou gorda, enquanto luto para não colocar para fora tudo o que como. Finjo que amo a vida mais do que tudo e esqueço de dizer que já pensei em cortar os pulsos. Pareço ser tão leve e superficial e carrego comigo o peso da minha profundidade. Carrego sozinha meus medos. Não acho que isso faça de mim alguém especial ou diferente. Acho, até, que me iguala a meio mundo de gente. E, por isso, nem deveria ser tão difícil me ler. Mas admito que é difícil enxergar o fundo dos olh…

009

Se eu morrer antes de você, faça um escândalo como se não fosse me ver novamente. Depois lembre-se que eu te espero do outro lado com os braços abertos e um sorriso no rosto. Se não for se despedir, reserve cinco minutos do seu dia para lembrar dos momentos que passamos juntos. Se for, não vá de preto. Se não conseguir se lembrar de mim, escute o que os outros ainda lembram. Não será de todo verdade, mas ajudará a ativar sua memória. Se quiser se lembrar melhor, leia meus textos. Muitos deles dizem mais verdades do que fui capaz de lhe contar. Se não tiver coragem de ler as verdades que escrevi, lembre-se então de minhas gargalhadas escandalosas. Minha felicidade morava ali.  Se não souber como suportar minha falta, encontre-me em seus sonhos e então conversaremos. Se tiver que chorar na minha despedida, não enxugue suas lágrimas - deixe que eu o faça pelo vento. Se puder, anime os que estiverem pior do que você. Lembre-os que foi somente a minha vida a que acabou, a de mais ninguém.  Sa…

008

A última das amigas a casar. Ou talvez aquela que nunca se case. A que escuta três mil teorias sobre por que está sozinha, por que foi a que sobrou, por que não arranja o caraque vai a pedir em casamento e acabar com todos os seus problemas. A coitada, a sozinha, a encalhada. Acho, pra começar, que o casamento em si não resolve problema algum - de fato, é mais um deles. Não porque eu sejacontra a instituição, acho até que eu sonhe em entrar toda de branco e coisa assim. Mas aunião de duas pessoas diferentes, com manias diferentes, com vidas diferentes, com cicatrizesdiferentes exige certa cautela e paciência. Ou pode dar muito problema. 
E a única madrinha solteira do altar é a que escuta como ela precisa do casamento. Porque alguém não consegue ser nada sozinha, certo? Não entendo - nem vou entender - a necessidade que algumas pessoastêm de cobrar relacionamentos alheios. Ah, mas nenhum namoradinho? Cuidado: vai acabar sozinha. E se acabar? Existe mesmo essa necessidade da aliança no …