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Admito que deve ser difícil ler minhas entrelinhas. Sorrio na frento dos outros, mesmo quando morro de vontade de chorar. Abraço quando precisam, mesmo quando sou eu que preciso ser abraçada. Choro e falo que não é nada. Falo que foi o filme, o livro, falo que é por besteira. Não conto meus medos. Quando conto digo só que é medo de ficar sozinha. Brinco com minhas inseguranças. Dou risada enquanto falo mal do meu próprio nariz para não perceberem quão insatisfeita estou com minha aparência. Brinco que estou gorda, enquanto luto para não colocar para fora tudo o que como. Finjo que amo a vida mais do que tudo e esqueço de dizer que já pensei em cortar os pulsos. Pareço ser tão leve e superficial e carrego comigo o peso da minha profundidade. Carrego sozinha meus medos. Não acho que isso faça de mim alguém especial ou diferente. Acho, até, que me iguala a meio mundo de gente. E, por isso, nem deveria ser tão difícil me ler. Mas admito que é difícil enxergar o fundo dos olhos, é difícil saber o que machuca a alma de cada um. Admito que não me traduzo o suficiente para aqueles ao meu redor.Ao invés disso, me escondo em palavras que sei que não irão ler. Disfarço em metáforas que nunca entendem. Dou risada e faço de tudo brincadeira. Zombo do que me assusta, para não descobriram a garota apavorada que sou. E choro. Como criança mimada, porque tudo o que eu mais queria era que pudessem ver o que eu nunca tive coragem de contar.

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