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Mostrando postagens de Agosto, 2011

013 - ou: Marco Zero

MARCO ZERO
Por Karine Rosa
Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias. Quarenta idas ao nosso lugar preferido. Duzentas noites de sonhos com você. E nada. Nenhuma notícia, nenhuma carta, nenhuma ligação. E eu esperando que você, pela primeira vez na vida, resolvesse cumprir alguma de suas inumeráveis promessas. E nada.
Toda quinta-feira. Porque quinta-feira para mim é um dia angustiante demais por tudo que faz parte da minha rotina e também porque quinta-feira era o dia que a gente se conheceu e se você estivesse por aqui até as quintas-feiras de hoje iriam parecer lindas. Sentar em frente ao meu telefone em casa e esperar alguma coisa. Esperar que ele tocasse ou que eu saísse de minha zona de conforto e covardia e resolvesse te ligar de uma vez. Nada.
Confesso que algumas vezes ouvi um toque agudo e constante assim de longe e atendia correndo, achando que fosse você aí do seu lado do mundo querendo saber qualquer coisa de mim. Nunca era você querendo saber coisa alguma. Nunca era nem o…

012

Hoje minha mãe me disse que queria me ver no Big Brother só pra ver se me conhecia mesmo. Depois disse que talvez nem eu mesma me conheça. Taí um fato que concordo plenamente: ultimamente tenho cada vez mais certeza que não sei de fato quem sou. Não sei se é a crise dos 20 (existe isso?), não sei se é esse meu jeito exagerado, dramalhão, e mais velho do que sou de ser. Mas não me conheço. Não tenho idéia de quem eu sou. Pior: já nem sei mais quem eu quero ser. Fico pasma hoje quando digo que gosto de cara tatuado e me olham com um espanto do tamanho do mundo e berram: mas você nunca gostou de tatuagem. Acho que meu coração para de bater por uns segundos. Percebo que a imagem que eu passo não tem nada a ver com aquilo que acho que eu sou. Talvez eu tenha me maquiado demais. Talvez eu tenha me adaptado às situações. Talvez eu tenha ficado muito quieta. Talvez eu tenha me escondido demais atrás das pessoas. Mas acho que esqueceram de me ver. Ou eu esqueci de me mostrar. É bobagem, Ká. Se…

011

Fui perdendo os sonhos pelo caminho, enquanto fazia um esforço tremendo para conseguir encarar os atalhos em que fui obrigada a me meter. Acho injusto e cruel desmerecer os sonhos alheios, assim como não acredito que todo mundo é obrigado a aplaudir os sonhos dos outros. Acho, apenas, que ninguém tem nada no que se meter naquilo que os outros acreditam ou almejam. Pior: acho de uma crueldade sem tamanho tentar impor aos outros seus próprios sonhos e planos, como se todo mundo fosse obrigado a pensar igual ou desejar as mesmas coisas. Me dói horrores saber todas as coisas que fui deixando para trás, todas as coisas em que fui deixando de acreditar, todas as vezes que tive que parar e respirar fundo e desistir de algo que me era essencial. Mas ainda tenho em mim um punhado de sonhos e planos e desejos, porque sou dessas pessoas que só conseguem seguir em frente se tiver alguma luz no fim do túnel, se tiver algum objetivo final, maior ou qualquer coisa assim. Sou dessas pessoas que preci…

As surpresas que você encontra no caminho.

Uma palavra amiga vinda do nada, quando você já está de saco cheio de todas as outras pessoas ou de todas as outras coisas do mundo. Você se espanta, engasga, acha até estranho que alguém que nem deveria se importar se importe. O mundo é uma merda, as pessoas são uma merda. E aí alguém vai lá e te surpreende. Alguém que você nem esperava. Alguém que você nem conhece. Aprendemos com o tempo a levar porrada, a levantar das quedas, a sorrir apesar de. Acostumamos com o mais difícil (até se espantariam com o que nós somos obrigadas a nos acostumar). E desaprendemos a ter importância para os outros. 


Desacostumamos a nos sentir especiais para qualquer pessoa que não seja de nossa família, não esteja sempre por perto, não seja daquela lista de pessoas das quais dependemos. É difícil entender que algumas pessoas se importam pelo simples fato de se importar. Pelo simples fato de querer bem, de ainda ficar feliz em saber que o próximo está feliz. A gente não devia. Achar estranho que essas pess…