Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2011

021

Se você tivesse me procurado, como disse que faria, assumo que toda essa história teria sido bem mais simples e mais fácil. Eu fiquei esperando, enquanto fingia para todo o resto do mundo que eu não tava nem aí, que tinha os filmes, que tinha os livros, que tinha as baladas, que tinha a vodka. Fui me enchendo de coisas e pessoas e situações para não lembrar de alguns sentimentos. Assim, no plural. Porque deixou de ser só amor. Era amor, confesso. Mas era raiva, era ódio, era tristeza, era decepção. E era vergonha na cara. Mais do que tudo, era vergonha na cara. Porque eu jurei para mim mesma que eu nunca mais ia correr atrás. Você viu, tá de prova. Não liguei, não procurei, não fui atrás. Fiquei aqui, na minha, vivendo minha vida cheia de festas, bebidas, pessoas, risadas. Não parei de viver, não chorei horrores, não fiquei me lamentando. O que não significa que não tenha doído da mesma maneira. O que não significa que eu não tenha sentido uma falta absurda. O que não significa que eu…

020

Eu sentia borboletas no estômago na primeira vez que eu iria ter a oportunidade de vê-los de perto. Era para ser uma tarde de autógrafos e eu havia dormido pouco, pois eu e minhas quatro melhores amigas não conseguíamos dormir de jeito nenhum. Quase cinco horas da manhã, saímos todas e seguimos em direção ao fim do mundo – é, porque ô lugar longe que eles resolveram fazer aquele evento. Evento também não é uma palavra para descrever o que toda aquela confusão foi. E reservo aqui o direito de dizer apenas isso. Não, não gosto de lembrar. A sensação que me vem toda vez que fecho os olhos e me lembro de pessoas caídas é horrível. Não foi nada do que a gente imaginou. Mas por pior que possa parecer, a gente os viu. Ali, pertinho, pela primeira vez. Foi péssimo e ao mesmo tempo surreal. Depois dessa vieram outras vezes. Horas e mais horas nas filas. Comprar ingresso, praticamente acampar na porta do Morumbi. Quase ninguém entendia. Mas não precisava. Eu entendia – era suficiente. Veio o pr…

019

Foi um frio na espinha que eu nunca tinha sentido antes. Acho que nunca vou saber se aquele arrepio significava que ele era o cara certo ou se eu deveria tomar cuidado. Reservo para mim essa dúvida eterna de se eu deveria ter insistido nele. A gente sabe quando deixou o amor da vida passar assim, de bobeira, e ele pode estar agora nos braços de qualquer uma? Vale se arrepender de ter deixado de graça para quem quisesse ver um sorriso que foi dirigido só para a gente? Mas ah!, eu penso: talvez o destino colabore e a gente se esbarre de novo por aí nesse mundão de meu Deus. Quem eu quero enganar? Acredito nada nesse negócio de destino não. Às vezes a gente simplesmente deixa uma oportunidade passar e não tem como voltar atrás.  Aí decido que vou ligar para ele. Vou ter coragem, vou correr atrás, quem sabe. Quem sabe, quem sabe. Quem sabe não é "ele"? Quem sabe não é agora que vou sentir meus pés saírem do chão e achar que encontrei alguém especial? Quem sabe não chegou minha vez…

018

Já conheci muita gente Gostei de alguns garotos Mas depois de você os outros são os outros Ninguém pode acreditar na gente separado Eu tenho mil amigos, mas você foi o meu melhor namorado Procuro evitar comparações entre flores e declarações Eu tento te esquecer A minha vida continua, mas é certo que eu seria sempre sua Quem pode me entender?
Ela vivia ouvindo aquela música que dizia que depois dele os outros são os outros e só. Quem é que acreditava naquele fim de relacionamento? Eles sempre voltavam no final. Saíam por aí dizendo que não, não era nada, não foi nada. Mas depois os amigos encontravam os dois juntos, fingindo que era mentira o que todo mundo falava: que eles tinham nascido um para o outro. Ninguém acreditava nos dois separados. Nem ela acreditava nos dois separados. Ele então. Os dois sempre tentavam lembrar por quais motivos não estavam mais juntos. E sentiam uma saudade absurda, uma vontade de ver, vontade de ligar, vontade de procurar. Mas a vida tinha passado, o tempo tinha…

017

As pessoas olham para ela sem entender. Para que todas essas crises sem motivo? Para que essa necessidade eterna de gritar? Cansa toda hora ter que ouvir os murmúrios de reclamação de alguém que costumava estar bem o tempo todo. Que saco. Antigamente ela era tão leve e tão feliz e tão simples de conviver. Agora tá aí com essas crises baratas de quem não sabe o que quer, o que é. Mas ela continua: tem um buraco dentro de si que ela não consegue preencher, então fica aí, nessa dúvida se é isso mesmo, se é isso aí. Quando ela era criança, ela queria ser cantora. Depois quis ser presidente. Depois quis ser atriz. Depois quis ser jornalista. E foi ser jornalista, olha só. E todo mundo disse, mas, ah, que legal, parece você mesmo. E depois todo mundo disse, mas, ah, que coragem de fazer um curso que nem precisa de diploma. E ela sente esse medo desesperador do jornalismo ter sido só mais uma dessas vontades de menina mimada que não sabe o que quer ser quando crescer. E se ser jornalista não …