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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

É isso.

Passei grande parte da minha vida achando que você teria sido o cara certo para mim.  Olha só que coisa ridícula e sem sentido: apesar das suas mancadas, apesar dos seus avisos, apesar dos nossos amigos que gritavam que você não era bom para mim, eu insisti nessa minha mania idiota de amar o cara errado.  Acho que eu nunca falei isso em voz alta (e nunca irei falar, pois agora já não é mais do que passado): Eu amei você.  Talvez o que tenha me bloqueado a falar isso aos quatro ventos tenha sido o mesmo motivo que te impediu de se entregar a mim: alguma parte da gente sabia perfeitamente que a gente não se encaixava, não dava certo, não ia para frente. Mas a gente insistia porque é triste desistir tão cedo de uma coisa que a gente demorou tanto para conquistar e quis tanto e sonhou tanto.  Talvez em algum outro momento da nossa vida, talvez em outra vida, eu teria sido a sua garota. Nessa, aqui, não.  Ainda machuca te ver tão longe de mim pelo motivo mais óbvio: não suporto que …

Sobre como redes sociais acabam com minha admiração pelas pessoas

"Mereceu. Se não sabe beber, por que bebe?" "Foi estupro sim, tem que expulsar esse negro" E eu do lado de cá, vendo a galera pecar nos excessos. 

Desde que eu era criança, aprendi uma coisa que tentei nunca mais deletar da minha vida: cada um pensa da maneira que bem entender e tem sua própria opinião; você pode até discordar totalmente da pessoa, mas estamos em uma democracia, logo, lute para que ela tenha sempre todo o direito de expô-la. Ok, então é isso, desde criança, que fui tentando fazer. É claro que, como todo mundo, eu discordo, retruco, discuto. E que, como boa impaciente que sou, desisto e deixo a pessoa falando sozinha quando vejo que não adianta gastar minha saliva. Fica a pessoa achando que tá certa do lado de lá, eu achando que tô certa do lado de cá e fim. Vida que segue.  Acontece que aí inventaram o twitter e o facebook e fudeu. Explico: sempre fui da opinião de que se a rede social é sua, você tem o direito de expor sua opinião do jeito que lhe co…

Mãos dadas

Não poucas vezes esbarramos com o nosso destino pelos caminhos que escolhemos para fugir dele.  (La Fontaine)
Recostei a cabeça na janela e me permiti ver. Um mundo que estava deixando. Não estava prestando atenção a nada. Não havia nada ao que prestar atenção. Havia dentro de mim muitos mais sentimentos e confusões aos quais deveria me atentar.  Então me deixe explicar assim: não é nada feliz, nem alegre, nem libertador, nem novo, nem nada. É vazio puro, na verdade. Não é questão de amar ou deixar de amar, ou de ainda sentir algo por ele. É só o peso de uma aliança que não estava mais ali. É só que não é feliz o fim de algo que tinha tanto sabor de começo.  – Com licença. – ouvi ao meu lado. E então senti minha cadeira se movimentar com o peso dele sentando-se tão próximo. Tentei evitar, mas foi como um imã, meu olhar foi puxado a ele e eu o vi. Primeira vez. 
Meu estômago retorceu. 
A gente sabe quando encontra alguém especial? A gente sente? Alguém avisa? Há sinos? Há borboletas? Há algo…

Das resoluções pra 2012

Passei da fase de fazer listinhas do que quero conquistar nos próximos anos. Melhor: passei da fase que faz qualquer tipo de lista, de qualquer coisa, em qualquer situação. Descobri, com o tempo, que sou o tipo de pessoa que lida melhor com a vida me levando do que querendo levar a vida. Talvez pelo simples fato de que quase nunca saiba para que lado quero levar minha vida. Talvez porque eu não queira levar minha vida para lugar algum além de uma praia calma, com tranquilidade e água de coco.  Quando pulei as sete ondas na praia, na última virada de ano novo, não desejei aqueles velhos desejos de anos passados. Nada de namorado, mil viagens ou coisas do tipo. Desejei, apenas, que fosse fácil, simples e leve. Leve. Taí uma coisa que eu não vinha sendo nos últimos anos. Desejei uma leveza sem tamanho, e por isso me permiti também ser leve naquela noite e agradeci por todos os outros anos que me levaram até ali. E fui leve o suficiente para pular as sete ondas sem ficar me questionando po…

Eu?

Crio romances improváveis na minha cabeça. Minha unha demora mais pra crescer do que de todas as outras pessoas do universo. Tem dia que tudo é feito exatamente para estragar minha vida. Tem dia que é feito para dar tudo certo. Meu cabelo um dia fica do jeito que eu quero - mas esse dia ainda não chegou. Tenho uma alma vingativa, mas insisto em dar mais chance às pessoas do que elas merecem de fato. Gosto de abraços, apesar de que sinto alguma espécie de bloqueio em abraçar as pessoas. Morro de vontade de ir numa psicóloga e não sou doida - eu acho. Ainda não escolhi o que quero fazer para o resto da minha vida. Ainda nem sei se vou ter resto de alguma vida pra viver. Se me perguntassem o que eu gostaria de fazer antes de morrer, eu responderia: comer.

Beijo, bem.

Eu tenho uma porção de coisas entalada na garganta que queria te falar. Uma infinidade de sentimentos reprimidos que queria jogar na sua cara, te dar uma esbofetada com minhas palavras e um chute no estômago com as minhas lágrimas. Eu queria botar pra fora tudo isso que tá remoendo aqui dentro, que tá acabando comigo, que tá me fazendo chorar. Eu queria que você tivesse a coragem de enfrentar todo esse tempo de amor unilateral e que tivesse peito pra ouvir e responder o que eu tivesse pra falar. Ao invés disso, você preferiu ouvir um pedacinho do que eu gritei e virar as costas me achando a pior pessoa do universo. Sabe de uma coisa? Você é um puta de um covarde filho da puta. Que não teve culhões para ouvir tudo o que merecia e gritar suas desculpas. Você só virou a cara e resolveu nunca mais falar comigo. Quando dizem que indiferença é o pior sentimento de todos, eles têm razão. Eu achei que fosse morrer por não ouvir uma simples manifestação tua. Mas quer saber? Indiferença vem e i…

À procura

Passo o lápis e esfumaço no canto do olho. E depois o batom e arrumo a roupa e coloco o salto 15. Uma parte de mim sabe exatamente o que eu vou fazer. Procurar em todos os outros rostos encontrar algum traço que possa se assemelhar à você. Procurar em todas as outras bocas alguma que possa me fazer sorrir como a sua. Procurar nos abraços, nas conversas, nos beijos. Procurar você enquanto nem sequer me encontro. Uma parte de mim não queria. Uma parte de mim acha que não vou te encontrar nunca em outros rostos, outras bocas. Mas não dá para te esperar. Não dá para sofrer esperando que o vazio preencha, que você volte atrás, que você me note. A outra parte tá aqui, ó. A outra parte vai procurar outros rostos. Outras bocas. Outros sorrisos. E uma parte conversa com a outra: _Nunca mais vou encontrá-lo em ninguém. E a outra responde: _Mas essa não é a idéia? Achar alguém melhor? Arrumo a roupa e salto 15. Porque de salto, se resolverem pisar em mim outra vez, eu piso de volta. E dói, viu?