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Sobre como redes sociais acabam com minha admiração pelas pessoas

"Mereceu. Se não sabe beber, por que bebe?"
"Foi estupro sim, tem que expulsar esse negro"
E eu do lado de cá, vendo a galera pecar nos excessos. 


Desde que eu era criança, aprendi uma coisa que tentei nunca mais deletar da minha vida: cada um pensa da maneira que bem entender e tem sua própria opinião; você pode até discordar totalmente da pessoa, mas estamos em uma democracia, logo, lute para que ela tenha sempre todo o direito de expô-la. Ok, então é isso, desde criança, que fui tentando fazer. É claro que, como todo mundo, eu discordo, retruco, discuto. E que, como boa impaciente que sou, desisto e deixo a pessoa falando sozinha quando vejo que não adianta gastar minha saliva. Fica a pessoa achando que tá certa do lado de lá, eu achando que tô certa do lado de cá e fim. Vida que segue. 
Acontece que aí inventaram o twitter e o facebook e fudeu. Explico: sempre fui da opinião de que se a rede social é sua, você tem o direito de expor sua opinião do jeito que lhe convir, e se eu, enquanto seguidora ou amiga, não concordo, te dou um unfollow, um block e pronto. Sem grandes dramas, sem auê. Só que é fácil fazer isso quando é um ator qualquer, um blogueiro qualquer, uma "personalidade da mídia" qualquer. De boa. O foda é quando é uma pessoa do seu convívio, da sua lista de amigos, daqueles que você admira. 
Ontem eu vi uma quantidade de merda sem tamanho no meu twitter. Daquelas coisas que embrulham o estômago, que dão repulsa, que te fazem desacreditar no ser humano. Vi uma quantidade de machismo que me doeu a alma, uns julgadores de plantão que sabem de tudo e esquecem daquela parte que diz "todo mundo é inocente até que se prove o contrário". Resumindo: nojo. Dei unfollow em blogueiro de futebol que extrapolou minha paciência. Cada um posta o que quer, eu sigo quem quero. Só que a merda veio de amigos meus também. E que decepção.
Outro dia tava conversando com uma amiga sobre como o twitter pode te fazer deixar de gostar de algumas pessoas. Ontem tive a prova. Tive repulsa de uma galera. Repulsa mesmo, vontade de nem falar mais, deixar quieto, não olhar mais na cara.  Aí respirei fundo e evitei o excesso. Não ia deixar de falar com gente que eu gostava porque não curtia uma opinião. Aliás, não era a opinião que me dava repulsa, era a maneira que era exposta. 
Ontem, entendi isso: redes sociais te fazem enxergar opiniões com lente de aumento. Tem que ter muito estômago, paciência e sabedoria para não começar a odiar todo mundo. E frieza para dar unfollow em amigos, para o bem da sua sanidade e da sua amizade. 

Sobre o caso do BBB: deixo que tenha sua opinião, e reservo o direito de preservar a minha. Mas saiba que o caso é sério demais para pecar no excesso, seja para qual lado for. 

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