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Mostrando postagens de Fevereiro, 2012

A gente continua vivendo

Às vezes a gente acredita que não consegue viver sem certas pessoas. Sabe aquela sensação de que nada vai parecer completo e inteiro sem aquele alguém do lado? Aquela pessoa essencial. Eu tinha essa meia dúzia de pessoas que considerava essenciais em minha vida. Não sei como aconteceu. Não sei se por culpa minha, não sei se foi o tempo, a distância, as mudanças que ocorreram dentro de cada um. Fato é que, por um motivo ou outro, acabei me afastando dessas pessoas que eu acreditava serem essenciais.
Continuei vivendo.
Acho que a pior parte de se afastar de pessoas essenciais é perceber que você consegue viver sem elas. Uma amiga disse que talvez isso signifique que elas não acrescentavam nada. Acho que nem é o caso.

Acrescentaram, na verdade. Muita coisa. Durante muitos anos. Estiveram ao meu lado em inúmeras situações, deram a mão, limparam minhas lágrimas, me fizeram chorar de gargalhar. Estão na minha história, fizeram parte do meu passado, vão sempre estar no meu coração. Acho que é…

Toda ação tem uma reação, lembra?

Peço desculpa de antemão pela decepção que vou te causar. Mas não vai ser você que vai me derrubar. Baixa a bola aí. Desse lado aqui, já tive muito machucado para qualquer quedinha me deixar de cama, viu? Não, não pense que estou menosprezando minhas feridas. Só acho (melhor, tenho certeza), que depois de um tempo você aprende a conviver com curativos. Band-aid, merthiolate, pomadas: tão aí pra isso. Incomoda, não vou mentir. Mas você sobrevive. Juro pra você: você sobrevive. 
Então pode vir. Não vai ser você que vai me derrubar. To anestesiada. Pelo menos de você, que vamos combinar foi o que mais me machucou nos últimos tempos. Não tenho medo de ser sincera: passei madrugadas chorando, desacreditei em muita coisa, engordei horrores porque tive que compensar minhas frustrações na comida, passei uns dias em silêncio para colocar a cabeça no lugar. Mas não caí, tô de pé. E tenho orgulho disso, viu? 
Não acredito mais em você, desculpa. É só que eu me proíbo de acreditar em gente que não …

Solidão, meu nome é Sozinha.

Tomou um pouco de seu café. Mirou aqueles tantos corpos se abraçando em despedidas e reencontros. Gostava de aeroportos por isso. Aquela sensação cíclica de fins e recomeços. Dava uma certa esperança. Mais café. Era difícil ficar acordada depois de tantas noites de insônia. Mas obrigações, ela sabia, tinha que cumprir. Tudo bem. Mais café. Sem tempo de sentar, pensar, refletir sobre os erros. Quantos erros. Lembrou, com pesar, de cada pessoa que fora perdendo no caminho por não saber como lidar com os erros dos outros. Por não saber perdoar, por não saber respirar fundo, por ter sido mimada a vida inteira. Olhou para o lado. Nem um abraço. Ninguém para dizer "Oi, que saudade, bem vinda". Ninguém para dizer "Vai com Deus, te espero". Era o peso, ela sabia. Que a gente carregava por cada vez que não conseguiu engolir os sapos da vida e saiu por aí gritando com as pererecas. Sozinha. Talvez assim fosse que iria morrer.  Tudo bem. Pensou em seu pai. "A gente vem …

A história de uma amizade que não vingou

Acha triste. "Um dia voltará a ser como antes", ela escuta. Essa certeza que os outros têm de que o tempo consegue curar as feridas sem deixar marcas. Ledo engano. Ela olha as cicatrizes que tantos machucados foram deixando em sua pele e ri. Ri porque é ridículo acreditar que uma coisa que cortou tanto, que sangrou tanto, que ardeu tanto, pode ir sem deixar nenhuma marquinha pequena de que esteve por ali. Então ela nem se engana mais: sabe que quando passar, quando parar de doer, quando formar aquela casquinha em cima do machucado, sabe que ainda assim, vai lembrar. Vai lembrar o que causou, vai lembrar quem fez, vai lembrar o quanto doeu. E sabe que quando perguntarem "como você fez essa cicatriz?" vai vir aquele nó na garganta só de lembrar da dor. Sabe também que depois da fase da casquinha (aquela quando uma passada de unha mal pensada pode fazer voltar a sangrar), a cicatriz ainda vai estar lá. E não importa que ela faça tratamentos estéticos na pele, se 80% d…

Querida Saudade,

Antes de qualquer coisa, deixe-me retirar o termo "Querida". De querida, você sabe, não tem nada. Você parece dessas pessoas que sempre nos cercam, sempre estão por perto, mas nunca desejam nosso bem, querem só alimentar nossas feridas nessa intenção boba de ressaltar nossas fraquezas.  Sei que falando assim, até parece que você é de todo mal. Quando você chega devagar, pede licença pra entrar, dá uma de visita educada, dá até pra conviver com você. Porque aí só dá aquela saudade gostosa de sentir, de lembrar daquela fase na vida que passou e foi boa e deixou memória. Ou então daquela pessoa que marcou e foi especial. Dá até pra te aceitar quando você aparece assim. E como boa visita, se retira sem deixar bagunça, sem causar estragos, diz adeus e pronto.  O problema, Saudade, é que você gosta de causar impacto. Aí, na maior parte das vezes, chega com o pé na porta, invade a casa sem nem saber se a gente tá preparada pra te receber. E machuca, sem saber se a gente tem como se re…

Das coisas das quais me arrependo

Todo mundo sempre diz que se arrependimento matasse, meio mundo estaria morto. Por outro lado, tá cheio de gente por aí gritando aos quatro cantos que não se arrepende de nada do que faz. Também já fui dessas. Mas se for pra ser sincera, sem máscaras, te revelo: me arrependo. De muita coisa. Me arrependo de não ter largado tudo e ido viajar como eu disse que faria quando acabasse meu colegial. De não ter tido a coragem de me desprender da minha vidinha segura e me arriscar só um pouquinho, só pra variar. De ter ficado quando o que eu mais queria na vida era ter ido.  Me arrependo de ter acredito em muita gente. Gente que mentiu, que machucou, que falou mal, que fez intriga, que gerou ódio. Gente responsável pela minha gastrite. Gente que não merece nem que eu olhe no olho, mas que mesmo assim conseguiu meu perdão. Me arrependo de ter sido boba e perdoado - e aí ter quebrado a cara de novo. É muita acusação, muita fofoca, muita falsidade. Não tenho estômago pra tanta gente ruim. Me arrepe…