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A gente continua vivendo

Às vezes a gente acredita que não consegue viver sem certas pessoas. Sabe aquela sensação de que nada vai parecer completo e inteiro sem aquele alguém do lado? Aquela pessoa essencial. Eu tinha essa meia dúzia de pessoas que considerava essenciais em minha vida. Não sei como aconteceu. Não sei se por culpa minha, não sei se foi o tempo, a distância, as mudanças que ocorreram dentro de cada um. Fato é que, por um motivo ou outro, acabei me afastando dessas pessoas que eu acreditava serem essenciais.

Continuei vivendo.

Acho que a pior parte de se afastar de pessoas essenciais é perceber que você consegue viver sem elas. Uma amiga disse que talvez isso signifique que elas não acrescentavam nada. Acho que nem é o caso.

Acrescentaram, na verdade. Muita coisa. Durante muitos anos. Estiveram ao meu lado em inúmeras situações, deram a mão, limparam minhas lágrimas, me fizeram chorar de gargalhar. Estão na minha história, fizeram parte do meu passado, vão sempre estar no meu coração. Acho que é mais uma questão de “a gente continua vivendo”.

A gente continua vivendo. Mesmo se, bem no fundo, ficar aquela saudade de poder mandar mensagem no meio da madrugada dizendo “preciso conversar” e a pessoa te ligar mesmo morrendo de sono. Mesmo que trabalhe no dia seguinte e tenha que acordar super cedo. Mesmo se faz falta ter aquela pessoa com quem contar, em quem se apoiar, em quem confiar.

Então sim. Eram essenciais na minha vida. Eram. Foram. E quem sabe um dia voltem a ser. Agora, o que eu descobri é que eu consigo viver sem. É triste, é foda, é decepcionante: mas vivo sem.

É a vida, né? As pessoas entram nas nossas vidas, significam algo, acrescentam enquanto dão, seguram sua barra o máximo que der e depois viram só aquela lembrança boa de uma amizade legal. Mas é isso. Não choro, não fico triste, não vou morrer. Ainda guardo essas pessoas comigo e as portas estarão sempre abertas para uma reaproximação qualquer. Talvez lá frente, depois de um tempo, quando nossas vidas se ajeitarem, nossos caminhos se cruzem novamente e a gente consiga deixar pra lá todos esses motivos que foram nos afastando. Enquanto isso, vivo eu aqui do meu lado e vocês aí dos seus. Fim.


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