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Querida Saudade,

Antes de qualquer coisa, deixe-me retirar o termo "Querida". De querida, você sabe, não tem nada. 
Você parece dessas pessoas que sempre nos cercam, sempre estão por perto, mas nunca desejam nosso bem, querem só alimentar nossas feridas nessa intenção boba de ressaltar nossas fraquezas. 
Sei que falando assim, até parece que você é de todo mal. Quando você chega devagar, pede licença pra entrar, dá uma de visita educada, dá até pra conviver com você. Porque aí só dá aquela saudade gostosa de sentir, de lembrar daquela fase na vida que passou e foi boa e deixou memória. Ou então daquela pessoa que marcou e foi especial. Dá até pra te aceitar quando você aparece assim. E como boa visita, se retira sem deixar bagunça, sem causar estragos, diz adeus e pronto. 
O problema, Saudade, é que você gosta de causar impacto. Aí, na maior parte das vezes, chega com o pé na porta, invade a casa sem nem saber se a gente tá preparada pra te receber. E machuca, sem saber se a gente tem como se reerguer. Você não poupa esforços, não tem dó, não é compreensiva: ma-chu-ca. E o que é pior: nem pede desculpa. Faz a gente ter aquela sensação de buraco, de faltar alguma coisa muito importante na vida, de que a gente nunca mais vai conseguir ser feliz de novo. Dói. Desesperadamente. Nem todas as lágrimas do mundo acalmam a alma. Nem todas as ligações, nem todos os e-mails, nem todas as cartas. Nada te afasta, nada te leva embora. 
Não me entenda mal, Saudade. 
Não quero parecer grosseira ou mal educada. 
Mas acho que quando alguém maltrata o outro tanto assim, deve pelo menos pedir perdão. E deixar algum remédio para as feridas pra gente conseguir se recuperar. Se é que isso existe. 
Caso não existir, peço humildemente, mantenha distância, não tenho forças pra te aguentar. 

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