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Toda ação tem uma reação, lembra?

Peço desculpa de antemão pela decepção que vou te causar. Mas não vai ser você que vai me derrubar. Baixa a bola aí. Desse lado aqui, já tive muito machucado para qualquer quedinha me deixar de cama, viu? Não, não pense que estou menosprezando minhas feridas. Só acho (melhor, tenho certeza), que depois de um tempo você aprende a conviver com curativos. Band-aid, merthiolate, pomadas: tão aí pra isso. Incomoda, não vou mentir. Mas você sobrevive. Juro pra você: você sobrevive. 

Então pode vir. Não vai ser você que vai me derrubar. To anestesiada. Pelo menos de você, que vamos combinar foi o que mais me machucou nos últimos tempos. Não tenho medo de ser sincera: passei madrugadas chorando, desacreditei em muita coisa, engordei horrores porque tive que compensar minhas frustrações na comida, passei uns dias em silêncio para colocar a cabeça no lugar. Mas não caí, tô de pé. E tenho orgulho disso, viu? 

Não acredito mais em você, desculpa. É só que eu me proíbo de acreditar em gente que não perde a oportunidade de falar por trás, de andar com a faca na mão, de cutucar minhas feridas. Tentei até onde deu, juro. Desse ponto pra frente, desculpa, abandono o barco. Não pense que é descaso, não pense que é falta de importância, não pense que é indiferença. Mas a gente tem que saber a hora de soltar a mão de alguém que só puxa a gente pra baixo. Tô soltando.

E não te dou o direito de me machucar mais. Não, não vai ser você que vai me derrubar. Pode vir. Tô pronta. Pode ser até que você deixe minhas pernas roxas com seus chutes. Mas rasteira? Rasteira você não me dá mais. Perdoe esse meu jeito. Mas, você sabe, tudo isso é só uma reação a suas ações. 

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