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O BBB12 já acabou...

Entraram em um acordo que as pessoas de coração bom torciam para a Praia nessa última edição do Big Brother. Entrei num conflito interno: primeiro porque não sabia que minha torcida em um reality show definia quem eu era, segundo porque se sim definia, então eu não tinha nada de coração bom. Achei a Praia um saco o programa inteiro e você tem todo o direito de discordar. Essa é a graça, você torce por quem quer e eu torço por quem quero. Por mais que eu não goste de um time de futebol, eu não tiro o direito desse time ter uma torcida. Di-rei-to. 

Mas não me deram o direito, igualmente, de torcer para a Selva. Fui julgada como sem caráter, que apóia gente falsa, sem índole e coisa e tal. Fiquei com uma preguiça eterna, até porque não é tão fácil ver personalidade de ninguém em um programa de televisão em que se coloca pessoas em situações limites. Situações limites: foram essas as cenas que fomos obrigados a encarar aqui fora, onde você sim é quem é, porque não concorre a um milhão e meio de reais e não deveria defender tanto com garras e dentes um mero participante de um jogo. Mas, no BBB12, tanto a Selva quanto seus torcedores foram julgados categoricamente: são os vilões.

Sou vilã, então, sem problemas. E abaixo a cabeça e dou parabéns aos envolvidos. Aqueles que, com muita dedicação a eliminar um por um os membros mais divertidos e que renderam na edição, me fizeram jogar a toalha e desistir. Desistir de assistir, desistir de torcer, desistir de defender meu direito de não gostar dos "coração bão". 

O Big Brother acabou antes da hora. Pelo menos pra mim e meia dúzia de pessoas que também não vai aguentar o tédio de um jogo previsível e sem graça. Os que aguentam, parabéns pela força. Depois vocês me contem, por favor, quem ganhou. Já que meu time tá fora do campeonato, vou nem assistir aos próximos jogos, nem pra torcer contra. Acho uma eterna falta do que fazer. 

Mas não tenho medo de admitir que tive "Selva" escrito na testa até aqui. E que minha torcida foi sim por eles: gente que se doou, que não teve medo de parecer mal, parecer chato, parecer doido, parecer vilão, parecer bêbado, parecer REAL. Se tanto eles, quanto eu, somos vilões, ok. Mas rimos muito mais.  Os vilões não representaram, não esqueceram de entrar para o JOGO (onde sim, você tem que [UAU] jogar), não se esconderam em risadinhas de criancinhas nem felicidade efusiva nem em controle absoluto de emoções. Ok, então, se ser vilão é isso, de boa. De boa mesmo, fomos os vilões.

Que reguem agora as plantas para que elas floresçam. Mesmo sem assistir, espero que Kelly ou João ganhe. Que é pra honrar o quanto esse BBB foi chato. Mas se ganhar Fael, se ganhar Jonas, se ganhar Fabiana…tudo bem, CAGUEI. Ponto positivo para eles, que chegaram até aí, que jogaram MUITO bem por conseguirem se esconder até aí e convenceram a maior parte do público. Ponto negativo pra mim, que larga o BBB pela primeira vez antes da hora. Simplesmente por acreditar que o prêmio pro caubói já foi dado em outra edição. E pelos menos ele fez mais do que esse aí. 

Voltamos aos primeiros programas. Acho que é isso: quando a gente chega perto do fim, começa a pensar (e agir como) no começo. 

Torço por Monique, por Yuri, pela Selva, pela May, por Analice. Que eles sejam felizes, num mundo onde sua normalidade é apedrejada e sorrisos de plásticos são exaltados. Estamos mal. 

Parabéns aos envolvidos. 

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