Pular para o conteúdo principal

Para aquela de quem fui fã

Ela tem o poder de me fazer parar tudo para ver como está. Se ainda continua feliz, se seu sorriso finalmente é sincero, se sua gargalhada chega então aos meus ouvidos. Houve uma época em que seu choro tinha o poder de parar minha vida, mas isso era em outros tempos, quando eu ainda conseguia gostar sem pedir nada em troca. Desaprendi a gostar sem pedir nada em troca, porque depois de um tempo fui esperando atenção, fui esperando respostas, fui esperando o mesmo carinho, fui esperando a mesma dedicação. Mas nunca teve atenção, nunca teve resposta, nunca teve carinho, nunca teve dedicação. Não que ela não quisesse, ela tentava, como todos os outros tentaram e tentam, mas nunca alcançou o que eu esperava, o que eu sonhava. Sonhava. Sonhava com um punhado de coisas, com um abraço. Um abraço que nunca veio, um sorriso que nunca veio, um encontro que nunca veio. Mesmo com todo o esforço, mesmo com todas as horas incansáveis em filas, mesmo com todo o dinheiro. 

E aí veio o fim e eu jurei que tinha acabado de vez. Jurei que nunca pagaria aquele valor todo por um mísero abraço. Jurei que eles tinham o direito de cobrarem o que quisessem, mas que eu não ia pagar mais nada. Não paguei mais nada. Não paguei o abraço. Ainda que doesse todos os abraços pagos nas pessoas que eu conhecia. Ainda que eu tivesse o dinheiro. Ainda que eu pudesse. Mas não paguei. Já não era a mesma coisa. Já não era mais fã. Já não fazia mais tanta diferença. Mas ainda assim havia ela. 

Ela que foi - e ainda é - a única que sempre teve o poder de me parar a vida. Ela que ainda é um sonho em silêncio de uma entrevista que nunca vai acontecer. Ela que é uma amiga que eu queria e nunca tive. Ela que eu queria entrar na vida mais do que só ela na minha. Ela que tem a gargalhada mais sincera e ainda assim a que usa esses tantos de gargalhadas para disfarçar suas tristezas. Ela que me encanta com a rouquidão mais fraca. Ela que ainda consegue me chamar atenção. 

Ainda que eu não pague mais nada. Ainda que eu não corra mais atrás. Ainda que eu finja que não me importo. Ainda que não doa como já doeu. Ainda que tantas outras coisas da vida sejam mais importantes. Ainda que eu lide bem com ela lá e eu cá. Ainda, ainda, ainda. Ainda assim, só entre a gente, ainda. Ainda é. Ainda sou. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Cansei de brincar de ser trouxa

Eu cansei das mensagens visualizadas e não respondidas. De ter que estar pronta pra quando você quisesse, mas nunca poder contar com sua presença quando eu queria. Eu cansei de ser sempre tudo do seu jeito, de mendigar sua atenção, de tentar me encaixar entre um horário e outro da sua agenda, de me esforçar pra caber nuns buraquinhos esquecidos da sua vida. 
Cansei das idas e vindas, cansei da falta de atitude, cansei das vezes em que você disse que eu era tudo o que você queria, só não era agora, só não era a hora. Eu cansei de escrever sobre você, de dizer que ia te esquecer, de voltar atrás, de tentar mais um pouco, de insistir mais um tanto. Eu cansei naquela noite em que você não voltou. Naquele silêncio em que a gente não dividiu. Na madrugada inteira que você não me aqueceu e eu morri de frio. 
Eu cansei depois daquele seu olhar vazio quando eu apareci de surpresa. Eu cansei de achar que era você, e era eu, você só não sabia. Porque, quando é, a gente sabe desde o começo. Eu cans…