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Só para o ponto final

Dói.

Não vou mentir e fingir que não, que não tenho mais minhas crises de choro, essa saudade absurda, esse vazio que parece que rasga. Dói - dói e não é pouco, é agonizante, dá vontade de apertar o botão vermelho de um quarto branco qualquer de um Big Brother. Ainda abraço meu travesseiro achando que ele vá me proteger de tudo. Ainda escuto o despertador e tenho vontade de voltar a dormir pra não ter que encarar. Mas depois dos três minutos da perda de controle, respiro fundo e vou. Foi só isso que me restou.

Não corro mais atrás pra te dizer da saudade, da falta, da dor, de como eu queria um ombro amigo. Acho que ombro amigo a gente não pede. É claro que faz falta um abraço, aquela ligação no meio da madrugada, o entendimento só com o olhar que a gente tinha. Mas entendi que era passado. Entenda: gritei muito, busquei atenção, ajuda, qualquer coisa que a gente possa esperar aí daqueles que se dizem amigos. Nunca ninguém apareceu. Se levantei, se segui em frente, se consegui força de Deus-sabe-lá-onde, foi mérito meu. 

Hoje, evito demonstrar a carência. A falta que faz. O buraco. É claro que ainda tem. É claro que ainda dói. Uma ferida tão funda assim - como de amizades que falharam - continua latejando ainda depois de algum tempo. Mas não é como se eu fosse morrer (ainda que eu tenha pensado que sim), não é como se eu não conseguisse (ainda que eu tenha achado que não conseguia). Repeti para mim mesma: deixa a decepção te dominar por três minutos e depois chega. Chega. Entendi. 

Acho então que é um pouco uma questão de amor próprio. Porque é bem ridículo ter que gritar por atenção de pessoas que deveriam saber quando você precisa só de um abraço. É bem ridículo ter que passar por essas pessoas que você julgava especiais e fingir que está tudo bem, que não dói, que não faz falta, que não sente nada. Mais ridículo ainda é que alguém que te conhecia tão bem, com a palma da mão, não consiga perceber o fingimento, o olhar, o sorriso amarelo. Talvez o erro tenha sido meu: acreditar que amigos deveriam estar por perto, querer saber, ficar feliz pela felicidade alheia e triste pelo sofrimento do outro. Coisa minha, você sabe: eu e essa minha ideia romântica de amizades. 


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