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"Vida, leva eu..."

Esse ano faço 21.

Parece que foi ontem que beijei a foto do meu pai no colo da minha mãe e disse que estava com saudade. E aí ela arrumou tudo, inclusive a vida, e a gente partiu pra São Paulo. Parece que foi ontem que a gente teve (mais eles do que eu)  que ajeitar a vida pra conseguir recomeçar em um lugar que não era nosso, mas que acabou virando meu.

Parece que foi ontem que eu larguei o Teatro, saí vendendo bijuteria pra comprar as coisas que eu queria. Mudei de apartamento, mudei de escola, mudei de amigos, mudei de jeito, mudei minha risada. E parei com aquela timidez toda que era pra disfarçar como eu me sentia incrivelmente um peixe fora d’água nesse mundo.

Parece que foi ontem que eu tava planejando minha festa de 15 anos. E planejando meu intercâmbio pra Londres. Parece que foi ontem que eu voltei e comecei a contar os dias para os 18. E fiquei super feliz porque finalmente eu podia entrar em todos os lugares com meu próprio RG e nunca mais ia ser barrada. E finalmente, eu podia entrar nos lugares com a minha super, power, ultra carteira de motorista.

E se o caminho até ali passou tão rápido, o que veio depois aconteceu entre uma piscada e outra.

Quis sair da faculdade de jornalismo.
Decidi ficar na faculdade.
Comecei a trabalhar.
Ganhei meu carro. 
Pedi demissão.
Me arrependi de ter pedido demissão porque começou a faltar dinheiro.
Comemorei ter pedido demissão por ter férias enormes.
Entrei numa crise porque cheguei aos 20.
Descobri que eu não sabia o que queria da vida.

“Descobri que eu não sabia o que queria da vida”.

Esse ano faço 21 e continuo sem ideia do que quero da vida.
Porque essa pessoa aqui não lida bem com listinhas de planos do que fazer no dia. Nem no ano. Que dirá daqui a 30 anos.  

Podem me julgar, eu deixo.
Talvez seja mesmo só desleixo.

(Vou ali me jogar da ponte que é pra não lembrar que eu não tenho ideia de pra aonde a vida vai me levar)

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