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Mostrando postagens de Maio, 2012

Os carnavais em que nosso amor não vingou

Você disse que voltava logo, que ia ligar, que não daria tempo nem de deixar saudades. E então desligaram o som, varreram os confetes das ruas, subi a serra. Os dias vieram, a correria já estava comigo de novo, e olha só, que coisa surpreendente: você não voltou. Também não quis correr atrás, não quis cobrar as promessas, não quis gritar por aí o seu abandono. Engoli calada a sua não-volta e segui em frente. Eu era dessas que não se deixava abater por desamores sem importância.

Depois, como quem não quer nada, a gente se esbarrou ali, no meio da rua, e eu sorri, como quem não queria nada, e nem queria mesmo. Demos as mãos, beijos nos rostos, um abraço apertado, falamos rápido da vida, combinamos uma coisa aqui ou outra ali. “Quando der, me liga”, você disse. Também não liguei, não quis, não lembrei, não teve importância. Não sei, a gente não teve tempo um para o outro e nem chegou a sentir saudade para se procurar.
Já era verão outra vez, eu estava na praia, a Ana estava comigo e mais u…

Um amor de tirar o fôlego

Ela diz que quer viver um amor de tirar o fôlego. Tudo bem, manda aí um amor de tirar o fôlego, garçom. E pra acompanhar, manda um limão e uma dose de tequila, que é pra conseguir rir de tudo.

Ela vive sonhando com todas as falas, as declarações, os abraços, as conversas. Até com as brigas. Ingênua, sem saber que o que pesa mesmo em um relacionamento são os silêncios. Como é que a gente faz pra viver com uma pessoa com quem temos pavor de ficar em silêncio?

Silêncio dá medo.

Ela quer um amor de tirar o fôlego e já fez de quase tudo pra isso. Escreveu o nome dele em um papel, fez macumba, colocou debaixo do travesseiro. Conferiu o horóscopo, viu se combinavam, pediu pra Deus. Colocou a melhor roupa, escondeu a cara atrás da maquiagem, treinou o que ia falar no encontro.
Não teve o amor de tirar o fôlego.

O que ela não sabe é que enquanto fica tão focada em viver essas histórias de contos de fadas, o amor fica por aí, caminhando, esbarrando em outras pessoas, escrevendo outras histórias. O …

Crescer é assim...

Crescer é assim: você luta para não fechar o olho para poder brincar um pouco mais. Mas o sono te vence e você acaba dormindo. E no meio tempo entre o sono pesado e o novo acordar, a vida te vence também e você cresce um pouquinho. Um dia, você cresce uns centímetros. No outro cresce o cabelo. Até que um dia o que cresce é seu modo de pensar.
Aí chega aquele fatídico dia que você doa todos os seus brinquedos para novas crianças e assina de vez o contrato de virar gente grande. Acontece aos poucos, você não percebe de cara. Vai passando pelas fases da vida como se fosse normal - e é. Um dia, você chora porque o brinquedo quebrou, no outro chora porque o coração quebrou por terem o feito de brinquedo. E depois você limpa a lágrima e continua vivendo. 
Passa rápido, mas você acha que dura uma eternidade. E por isso começa a sonhar com os 18 anos, porque quando a gente é novo o futuro é sempre melhor do que o presente.
"Quando eu crescer, eu quero ser bombeiro". 
"Quando eu cre…

De novo, novo.

Tive medo. Deixei de perguntar porque não queria ouvir a resposta. E o mesmo filme passando em nossas cabeças, mas todos sem coragem de admitir em voz alta. Nossas fortalezas ruindo, dia após dia, em intermináveis duas semanas de dúvidas e receios. Faltou coragem, faltou força, faltou chão. Faltou chão, de novo, porque na cabeça ficava aquela pergunta horrível: "De novo?". 
Tive medo. De um de novo que nunca mais quero ver. De uma dor que não estava preparada para sentir. De uma queda que não iria ter nada para me proteger no final dela. Simulei calma, serenidade e paciência, porque é isso o que pessoas fortes e maduras fazem. Mas em meus sonhos, me permitia o assombro de me apavorar. Me apavorei, acordei com medo, senti que eu poderia correr para qualquer lado e mesmo assim não teria onde me segurar. 
Não desabafei com ninguém, não dividi os medos, não assumi nem para mim que o filme passava de novo na minha cabeça. E ninguém assumiu também. Ficamos em silêncios, preces me…

Caminho (os passos são meus, os tropeços também)

Eu ando tomando o rumo certo agora, me deseje sorte. (Caio F)


Tô cansada, é verdade. Mas, como aconteceu poucas vezes nos últimos tempos, não é um cansaço dos pesos diários, das pessoas, das decepções ou das desilusões que vou acumulando ao longo do caminho. É cansaço de uma rotina corrida que me faz dormir às 2 da manhã e levantar às 6 da matina. Que me faz correr de um lado para o outro, o dia inteiro, e depois estar com a mente lotada demais para simplesmente colocar a cabeça no travesseiro e apagar.
Tô cansada, é verdade. Mas um cansaço por correr loucamente atrás de sonhos e estar, finalmente, colocando em prática projetos que estavam arquivados na gaveta. Cansada porque estou trocando os móveis do meu quarto, trocando minha vida, trocando minhas certezas e trocando meus planos para os próximos dois anos. Cansada porque, pela primeira vez depois de muito tempo, comecei a riscar a listinha mental de objetivos a alcançar. É engraçado que no primeiro ano em que deixo de fazer min…

Post - it : Deixa para lá e vai viver

"Colei um post-it do lado da cama para eu lembrar de acordar sempre bem-humorada".
Uma amiga me contou isso e passei horas com essa frase na cabeça. Quando eu era mais nova, minha mãe deixava grudado no espelho do meu quarto um bilhete: "você é linda e seu sorriso contamina, aproveite o dia!". No começo, eu sorria sempre que lia aquele recado. Depois, meus olhos fugiam daquela parte do espelho e passei a esquecer de ler. E aí, nem sei o que aconteceu, mas eu cresci e meu espelho agora não tem mais nenhum recado.
Também não tem nenhum post-it ao lado da minha cama para lembrar de acordar sempre bem-humorada. E, se for para ser sincera, também não ando acordando muito feliz. Esqueci da regra da minha mãe de aproveitar o dia. Passei a reclamar de segundas feiras intermináveis (e tudo bem, sou humana, faz parte), mas esqueci completamente da época em que eu agradecia as sextas feiras e amava meus sábados. Fui esquecendo pelo caminho os post-its mentais que determinava pa…

O copo está sempre meio cheio (e se não estiver, a gente enche).

Olha, você tem que decidir: ou o copo está meio vazio ou está meio cheio. Sempre me senti em uma encruzilhada quando as coisas eram postas quase assim, quando eu tinha que decidir se eu via a vida sempre pelo lado bom ou se eu era a pessimista da história, sempre querendo estar preparada para o pior.


Nunca soube qual caminho tomar. Quando chegava a bifurcação que separava aqueles dois tipos de pessoa – os irritantes otimistas e os insuportáveis pessimistas – tinha vontade de sentar e esperar que alguém me empurrasse para algum dos dois lados. Porque nunca fui do tipo que só via os aspectos negativos, mas também não era daquelas que sempre achava que tudo tinha um lado bom. Algumas coisas, de vez em quando, são apenas ruins mesmo. E ponto.


Mas olha, você precisa decidir, ou você é crente ou descrente, ou se agarra no que as quedas podem te ensinar ou cai junto com a merda toda. E eu revirava os olhos, porque achava aquilo tudo sempre tão clichê e chato. Papo de gente que vê tudo sempre…