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De novo, novo.

Tive medo. Deixei de perguntar porque não queria ouvir a resposta. E o mesmo filme passando em nossas cabeças, mas todos sem coragem de admitir em voz alta. Nossas fortalezas ruindo, dia após dia, em intermináveis duas semanas de dúvidas e receios. Faltou coragem, faltou força, faltou chão. Faltou chão, de novo, porque na cabeça ficava aquela pergunta horrível: "De novo?". 

Tive medo. De um de novo que nunca mais quero ver. De uma dor que não estava preparada para sentir. De uma queda que não iria ter nada para me proteger no final dela. Simulei calma, serenidade e paciência, porque é isso o que pessoas fortes e maduras fazem. Mas em meus sonhos, me permitia o assombro de me apavorar. Me apavorei, acordei com medo, senti que eu poderia correr para qualquer lado e mesmo assim não teria onde me segurar. 

Não desabafei com ninguém, não dividi os medos, não assumi nem para mim que o filme passava de novo na minha cabeça. E ninguém assumiu também. Ficamos em silêncios, preces mentais para que tudo não passasse de um engano, de um mal entendido, de um errinho qualquer. 

E aí chegou hoje. 

Acordei com medo. Não admiti, não dividi, não assumi em voz alta. Guardei o peso, mesmo sem coragem, mesmo sem força, mesmo sem chão. Peguei o peso do mundo e coloquei nas costas, sabendo que os que estavam por perto carregavam pesos multiplicados nos ombros. E aguentamos, todos, a resposta que viria. 

Respiramos fundo e esperamos.

E suspiramos, todos, juntos, nosso esperado suspiro de alívio. O medo indo, nos deixando, acalmando a alma e tudo voltando ao normal. 

Foi uma noite leve. Voltou a coragem, a força e o chão.

E o amor, graças a Deus, o amor. 


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