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O copo está sempre meio cheio (e se não estiver, a gente enche).

Olha, você tem que decidir: ou o copo está meio vazio ou está meio cheio. Sempre me senti em uma encruzilhada quando as coisas eram postas quase assim, quando eu tinha que decidir se eu via a vida sempre pelo lado bom ou se eu era a pessimista da história, sempre querendo estar preparada para o pior.


Nunca soube qual caminho tomar. Quando chegava a bifurcação que separava aqueles dois tipos de pessoa – os irritantes otimistas e os insuportáveis pessimistas – tinha vontade de sentar e esperar que alguém me empurrasse para algum dos dois lados. Porque nunca fui do tipo que só via os aspectos negativos, mas também não era daquelas que sempre achava que tudo tinha um lado bom. Algumas coisas, de vez em quando, são apenas ruins mesmo. E ponto.


Mas olha, você precisa decidir, ou você é crente ou descrente, ou se agarra no que as quedas podem te ensinar ou cai junto com a merda toda. E eu revirava os olhos, porque achava aquilo tudo sempre tão clichê e chato. Papo de gente que vê tudo sempre ou preto ou branco, sabe? Preguiça.


Só que chega uma hora, eu acho, que a gente acaba se deparando com todos os grandes clichês da vida. Aqueles dos quais a gente sempre foge, que não suporta.


A vida foi mudando, os sonhos também, as metas foram sendo traçadas e os objetivos sendo alterados com uma velocidade enorme. As pessoas passaram e me ensinaram coisas fantásticas, a vida foi por esse caminho, depois aquele e aquele outro, os episódios aconteceram e tive que mudar de opinião – várias vezes. E no meio disso tudo, eu cresci. Aumentou a idade e mudei o tão temido primeiro dígito e deixei aquelas velhas certezas para trás, que acho que é quando você cresce mesmo, bem além de soprar a velinha do bolo de aniversário. E aí eu também tive que decidir se eu via o copo meio cheio ou meio vazio.  


Depois de tudo, pensei, depois de tudo, eu quero mais é que esteja sempre cheio. Mas não meio, só cheio, a ponto de transbordar. E depois vazio, sequinho, que é para dar para encher de novo. Acreditar até o fim e quando não der mais para acreditar engolir o próprio sonho e a decepção, com toda a humildade do mundo, mas com a certeza que não derramou nada do copo pelo caminho. Porque aqui é assim: se o copo está meio cheio, a gente bebe. Se está meio vazio, a gente enche e vira. E na ressaca a gente pensa amanhã.

Comentários

  1. Na ressaca a gente pensa amanhã foi boa hahahaha!

    Olha, estas questões da vida, sempre serão - na minha humilde e singela opinião, clichês. Bem como é clichê o "vai passar" depois de uma decepção ou o "tudo vai melhorar". Estamos rodeados disso e é praticamente impossível fugir destes pensamentos que, no fim, de alguma maneira, nos deixam mais calmos para recomeçar.

    Quanto ao copo, penso na vida como um copo meio cheio. Na medida. Tenho coisas que preciso e algumas que me faltam. Mas é assim que eu vou levando, buscando o que me falta e aprendendo com o que tenho.

    Já tomei uns tapas da vida por acreditar demais em algumas coisas e, hoje, prefiro que meu copo não transborde mais. Foi dificil perceber, mas foi o melhor. Se eu sou feliz mesmo me faltando algumas coisas? Mesmo não realizando alguns sonhos? Sou! Porque quando se foram algumas vieram outras e outras e eu acabei esquecendo o que tanto queria. É assim, o liquido do copo vai sendo "restaurado" dia após dia. E dia após dia a gente tem que se (re)acostumar com o que foi embora e o que chegou e viver e, não menos importante, deixar a vida te levar também. Porque as coisas que acontecem vão te levar à algum lugar!

    Entenda este comentário mais como um desabafo e não como uma critica ao seu texto. Mas é que eu aprendi a viver assim: com o copo meio cheio!

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