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Um amor de tirar o fôlego

Ela diz que quer viver um amor de tirar o fôlego. 
Tudo bem, manda aí um amor de tirar o fôlego, garçom. E pra acompanhar, manda um limão e uma dose de tequila, que é pra conseguir rir de tudo.


Ela vive sonhando com todas as falas, as declarações, os abraços, as conversas. Até com as brigas. Ingênua, sem saber que o que pesa mesmo em um relacionamento são os silêncios. Como é que a gente faz pra viver com uma pessoa com quem temos pavor de ficar em silêncio?


Silêncio dá medo.


Ela quer um amor de tirar o fôlego e já fez de quase tudo pra isso. Escreveu o nome dele em um papel, fez macumba, colocou debaixo do travesseiro. Conferiu o horóscopo, viu se combinavam, pediu pra Deus. Colocou a melhor roupa, escondeu a cara atrás da maquiagem, treinou o que ia falar no encontro.

Não teve o amor de tirar o fôlego.


O que ela não sabe é que enquanto fica tão focada em viver essas histórias de contos de fadas, o amor fica por aí, caminhando, esbarrando em outras pessoas, escrevendo outras histórias. O que ela não sabe é que enquanto fica tão focada em perder o fôlego com uma história de emocionar, a emoção e o fôlego vão se perdendo em outros amores.


Idealizar te faz perder toda a graça.


Se você não respira fundo e vai vivendo, se você não se deixa abrir para as novas possibilidades, se você fica tão concentrada em viver aquela história daquele jeito que você planejou, você se perde. Contos de fadas existem em livros, filmes e peças. Mas a peça acaba quando a cortina fecha e o público aplaude. E os atores se dão beijinho no rosto e vão embora viver amores de verdade.


De verdade.


Ela quer viver um amor de tirar o fôlego.


Ingênua, sem saber que quando parar de idealizar, ela vai esbarrar com o amor. E esquecer até de respirar.

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