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Mostrando postagens de Junho, 2012

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

E me livrar de você que é bom...

Tenho que parar de falar sobre você. 
Quando me perguntam de quem mais gostei na vida, quando vou escrever algum texto qualquer em que eu esbarre com o que mais próximo eu cheguei do amor. 
Tenho que parar de falar sobre você, que é pra ver se eu me livro, se eu tiro esse peso que sempre foi só meu e você nunca quis dividir. 
Tenho que parar de falar sobre você, mas só por ter essa necessidade, já falo de novo e acabo sempre em contradição. E fico aqui, de novo, na mesma laia, nas mesmas palavras, no mesmo texto vazio de um amor que nunca aconteceu. 
E aí me lembro de tudo e vem uma saudade absurda, uma falta do abraço, uma falta do carinho. 
E aí me calo, para nunca mais falar sobre você, mas me perguntam de alguma coisa que lembra você (até futebol) e acontece tudo de novo. 
Você sempre acontece de novo. 
Eu acho que esqueci, superei, deixei para trás e você volta, intenso, como sempre, e me deixa de perna bamba, que nem a menina de 13 anos retardada que te conheceu. 
Você acontece de novo …

Boa sorte (para nós).

Vai doer. A gente sabe, apesar de fingir que não. Vai fazer falta, apesar de tentar se convencer de que foi só mais uma página. Talvez tenha sido só mais uma página, mas foi uma página longa e com um texto bem bonito. Fez a gente rir, fez a gente descobrir o que era o amor, fez a gente conseguir se doar para o outro sem esperar nada em troca, fez a gente feliz. Fez a gente muito feliz. Teve algumas lágrimas aqui e ali, algumas palavras que não deveriam ter sido ditas, algumas brigas que poderiam ter sido evitadas. Mas tirou o ar, tirou o medo, fez a gente voar. E que orgulho de tudo isso, de cada coisa, de cada abraço, de cada declaração. 

A gente chega a esse ponto agora tentando se convencer que é a melhor decisão, que não tem mais o que fazer, que é hora de deixar ir: cada um para um lado. Provavelmente, é a melhor decisão mesmo. O que não faz doer menos. Dói porque não foram três dias, dói porque não foi falso, dói porque não foi brincadeira. Foi uma vida, dividida, compartilhada,…

Te perdi da vida

"E te perdi de vista, mas vejo a sua conquista.  Isso ameniza a falta que você me faz."
Uma hora a gente vai se reencontrar e vai parecer como nos últimos anos, quando a gente era tão inseparável que parecia que as vidas corriam lado a lado. A gente vai se dar aquele abraço que costumava se dar e esquecer todos essas lacunas que a gente foi deixando entre uma virada e outra nos caminhos. Ou pelo menos eu tento me convencer disso tudo, porque, no fundo, estou apavorada que a gente não se reencontre mais, que só se esbarre por aí e pense "um dia ela foi uma das minhas melhores amigas". 

Isso já aconteceu outras vezes. Vejo gente hoje que nem sabe o que faço da vida e que em outros tempos me conhecia com a palma da mão. E vice-versa. Não quero que isso aconteça com você e por isso tenho medo. Tenho medo que a gente se perca no meio da caminho e nunca mais consiga entrelaçar as vidas. Tenho medo que nossa amizade acabe virando só mais uma parte do meu passado e deixe de f…

O dia dos namorados daquele que prometeu mundos

Vamos lá: olha eu aqui outra vez!
Já é aquela época do ano de novo, mas calma! Quanta coisa mudou de lá para cá, naquele ano em que eu fiquei triste porque você não estava aqui. Você continua não estando aqui, mas eu já não tenho mais que me convencer que não vai doer. Não dói.

Acho que depois de tanto me convencer de que tudo bem, tudo bem mesmo. Sério! Tá tudo muito bem! As dores passaram, a falta deixou de existir. Deixei de ser metade. Lembra? Como eu vivia tentando me convencer que eu não era metade da laranja nem metade de ninguém? Não sou mesmo. Tô inteira, sabia? Inteirinha da Silva. E aí, depois que aprendi a me bastar, caras melhores que você começaram a aparecer.

Vou passar o dia solteira, de novo. Mas dessa vez não vou ficar em casa assistindo filme romântico e me sentindo mal, como das outras vezes.Vou sair, com gente que se importa comigo o suficiente para ligar no dia seguinte, para perguntar como estou, para largar tudo e me fazer sorrir.

Mas você ainda me faz sorrir.…

Peligrosa

“Entendem a letra de uma canção, mas são incapazes de entender a melodia.” (Livro: Mentes Perigosas - O psicopata mora ao lado)

De repente fez-se um silêncio absurdo.

Acuado, ele olhou ao seu redor para saber se as pessoas ainda estavam ali ou se ele tinha entrado em alguma espécie de mundo paralelo. Continuavam. O silêncio era explicado pelos olhos arregalados em direção a mulher mais linda que aquelas pessoas já haviam visto na vida.

Ninguém conseguia acreditar que alguém com aqueles olhos azuis podia ser algo além de um anjo.

Um anjo.

Ele também achou. No fundo, em uma parte que tentava esconder até de si mesmo, ainda achava. Um anjo com olhos de águia, que conseguia decifrar as pessoas em segundos. Aliás, a capacidade de decifrar o mundo era o que mais o encantava. Capacidade essa que ele não tivera com ela.

Mas não há que se julgar esse mocinho.

Ninguém diria.

Agora, assim, depois de tudo, todos gostavam de dizer “ah, mas eu já suspeitava”, “ah, com essa cara de fingida”, “ah, sempr…

Com amor, P.

Anita, 
Seu dia está chegando, você sabe não é? 
Eu sei que parece, de vez em quando, que eu te esqueci. É verdade, a vida vai nos levando, as coisas vão acontecendo, e a gente fica sem tempo de demonstrar ou falar o quanto sentimos falta de alguém.
Será que você me perdoa, Anita? 
Todos os anos, alguns dias após meu aniversário, eu lembro. Não que eu realmente esqueça algum dia. Fato é que sempre há aquelas dias em que nós lembramos mais.  Sinto falta de um abraço que já nem lembro mais como era. De uma voz que só permanece na minha imaginação. De um amor que nem teve tempo de acontecer de verdade. Por mais que o tempo passe, por mais que outras pessoas apareçam…há mesmo alguma forma de superar a falta que essas pessoas especiais vão deixando em nossas vidas? Há mesmo algum remédio que preencha os vazios que elas deixam? Não é questão de ainda sangrar. As feridas fecham, cicatrizam, podem ser escondidas com maquiagem. Mas estão lá, todo o tempo, lembrando a você sempre que possível q…

Meu casal preferido

Eles sempre foram meu casal preferido. Sabe, muita gente tem um desses: aquele casal do filme, aquele casal da série, aquele casal da novela. Eles formaram, durante anos, o meu casal preferido. Torci, como telespectadora, durante anos, para que eles ficassem juntos. 
Mas eles não ficaram.
Fiquei quase triste quando cada um apareceu em seus próprios casais, porque eu acreditava tanto. E, por acreditar tanto, achei que uma hora acabariam juntos, como naqueles finais felizes de contos de fadas. E, depois, quando eles voltaram a ficar sozinhos, achei que se esbarrariam de novo e cumpririam o que eu sempre achei que aconteceria: seriam felizes para sempre.
E eles foram sendo felizes para sempre, cada um em seu canto. Cada um construindo a própria vida, cada um amando seus próprios amores, protagonizando seus próprios casais. E aí, uma hora, sem que eu percebesse como aconteceu de fato, eu também fui prestar atenção na minha própria felicidade. 
Eles não voltaram a ficar juntos. Nunca sabe…

A gente sai da quinta série, mas...

Eu não sei por que gente se apega a coisas tão pequenas. Cresce, sai da quinta série, faz faculdade, vai trabalhar, começa a pagar as próprias contas, começa a planejar o próprio futuro sem ser influenciado pelas escolhas dos pais, dos tios e dos avós, e, no fim, continua agindo como se ainda fosse a mesma criança de sempre.

A gente faz 15, 20, 30 anos e continua com as mesmas atitudes. Ainda briga porque ela olhou torto, porque fez cara feia, porque disse isso ou aquilo, porque deu um resposta atravessada. E aí a gente se tranca no próprio mundinho, naquela mesma arquitetura das panelinhas da sala. Mas aí não são mais as panelinhas da sala, são as panelinhas da vida.
E aí a gente fica com umas atitudes bobas, perde a educação, não sabe nem dar mais bom dia. Ainda se prende em detalhes tão insignificantes porque não consegue aceitar os erros e os defeitos das pessoas. Como se as pessoas tivessem mesmo que corresponder a todas as nossas expectativas e modelos do que é uma pessoa "…