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E me livrar de você que é bom...


Tenho que parar de falar sobre você. 

Quando me perguntam de quem mais gostei na vida, quando vou escrever algum texto qualquer em que eu esbarre com o que mais próximo eu cheguei do amor. 

Tenho que parar de falar sobre você, que é pra ver se eu me livro, se eu tiro esse peso que sempre foi só meu e você nunca quis dividir. 

Tenho que parar de falar sobre você, mas só por ter essa necessidade, já falo de novo e acabo sempre em contradição. E fico aqui, de novo, na mesma laia, nas mesmas palavras, no mesmo texto vazio de um amor que nunca aconteceu. 

E aí me lembro de tudo e vem uma saudade absurda, uma falta do abraço, uma falta do carinho. 

E aí me calo, para nunca mais falar sobre você, mas me perguntam de alguma coisa que lembra você (até futebol) e acontece tudo de novo. 

Você sempre acontece de novo. 

Eu acho que esqueci, superei, deixei para trás e você volta, intenso, como sempre, e me deixa de perna bamba, que nem a menina de 13 anos retardada que te conheceu. 

Você acontece de novo quando olho as fotos, quando te vejo no Facebook, quando encontro nossos amigos em comum. 

E eu fujo, desesperada, louca para encontrar qualquer salvaçãozinha de você, porque não quero, não vou e não posso falar sobre você de novo. 

E, antes mesmo de acabar esse texto, tenho vergonha: falei de novo sobre você. Como outros trinta textos, sempre, sempre, sempre sobre você. 

E essa mania escrota que você tem de acontecer, de novo, pra mim. 

Tenho que parar de falar sobre você. 

Mas seria bom que, antes disso, eu aprendesse a simplesmente deixar de amar. 

Você. 

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