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A gente sai da quinta série, mas...

Eu não sei por que gente se apega a coisas tão pequenas. Cresce, sai da quinta série, faz faculdade, vai trabalhar, começa a pagar as próprias contas, começa a planejar o próprio futuro sem ser influenciado pelas escolhas dos pais, dos tios e dos avós, e, no fim, continua agindo como se ainda fosse a mesma criança de sempre.

A gente faz 15, 20, 30 anos e continua com as mesmas atitudes. Ainda briga porque ela olhou torto, porque fez cara feia, porque disse isso ou aquilo, porque deu um resposta atravessada. E aí a gente se tranca no próprio mundinho, naquela mesma arquitetura das panelinhas da sala. Mas aí não são mais as panelinhas da sala, são as panelinhas da vida.

E aí a gente fica com umas atitudes bobas, perde a educação, não sabe nem dar mais bom dia. Ainda se prende em detalhes tão insignificantes porque não consegue aceitar os erros e os defeitos das pessoas. Como se as pessoas tivessem mesmo que corresponder a todas as nossas expectativas e modelos do que é uma pessoa "legal". E aí  resolvemos julgar gente que sequer conhecemos pelo modo de se vestir, por frases fora de contexto, por classe social, pelos amigos.

A gente faz isso todo dia. Usa sempre aquele discurso bonito de que não deveríamos julgar pela capa. Mas, quando vê, está lá, olhando as pessoas e fazendo as trezentas análises na cabeça do que você supõe ser aquela pessoa. Tudo bem, somos normais. Mas por quê?

Não sou superior. Tenho minhas próprias panelinhas, não suporto um monte de gente, queria que certas pessoas não existissem no meu dia-a-dia. Olho as pessoas nas ruas e faço um mapa mental se eu seria ou não amiga daquela pessoa, como se eu soubesse pelo o que meus olhos vêem quem é aquela pessoa e pelo o que ela já passou ou passa na vida. Mas quem sabe, um dia, eu consiga ser um pouco evoluída e consiga amadurecer, de verdade. Porque não quero ficar presa na quinta série para sempre. Espero que você também não.

Em tempo: nas vezes que caí na vida, a mão amiga veio de pessoas que não imaginei. Quem correu ao meu encontro e me levou para superar as feridas foi gente que eu achei que não se importasse, porque nunca me permiti conhecer as pessoas além do que pensava delas. Aí aprendi um pouquinho sobre isso e comecei a dar a chance. Ainda  faço mapas mentais das pessoas, ainda me pego achando que sei mais do que sei. Mas estou em um processo de tirar a quinta série de mim: que, pelo menos, para a sexta série eu consiga ir. 

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