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O dia dos namorados daquele que prometeu mundos

Vamos lá: olha eu aqui outra vez!

Já é aquela época do ano de novo, mas calma! Quanta coisa mudou de lá para cá, naquele ano em que eu fiquei triste porque você não estava aqui. Você continua não estando aqui, mas eu já não tenho mais que me convencer que não vai doer. Não dói.

Acho que depois de tanto me convencer de que tudo bem, tudo bem mesmo. Sério! Tá tudo muito bem! As dores passaram, a falta deixou de existir. Deixei de ser metade. Lembra? Como eu vivia tentando me convencer que eu não era metade da laranja nem metade de ninguém? Não sou mesmo. Tô inteira, sabia? Inteirinha da Silva. E aí, depois que aprendi a me bastar, caras melhores que você começaram a aparecer.

Vou passar o dia solteira, de novo. Mas dessa vez não vou ficar em casa assistindo filme romântico e me sentindo mal, como das outras vezes.Vou sair, com gente que se importa comigo o suficiente para ligar no dia seguinte, para perguntar como estou, para largar tudo e me fazer sorrir.

Mas você ainda me faz sorrir. Quando olho para tudo o que a gente foi, para todas as promessas quebradas, para todas as mentiras juradas, abro um sorriso. Foi só o que me restou. É bom saber, eu acho, que alguém me ensinou a crescer tanto quanto você. E eu cresci muito de uns anos para cá.

Você está longe e mais inalcançável do que qualquer outra época. Mas eu não ligo. Eu te esperaria, se eu achasse que valia à pena. Mas não vale, você sabe. Quando você voltar, acho que você casa - com outra (quebrando aquela sua promessa de que no final iria ser você e eu). Você casa com aquela menina perfeita de quem você tanto fala. Ela é linda.

Mas enquanto você corre atrás dos seus sonhos aí, ela vive aqui. E você ficaria triste de saber quem é a menina perfeita quando você não está. Mas tudo bem, se soubesse, você perdoaria. "Ninguém aguenta tanto tempo essa distância, eu entendo". Tento entender se foi isso o que aconteceu com a gente: não aguentamos a distância. Mas acho que não. Foi muito além: não aguentei a falta de amor.

E por não aguentar, larguei mão. Sofri, não minto. Passei meses chorando por tudo o que a gente poderia ter sido e não foi. Outros dias dos namorados passaram e eu me tranquei em casa, triste porque você não estava, lutando para mostrar a todos que estava tudo bem. Mas, dessa vez, tudo bem mesmo! Passo solteira, mas feliz da vida porque tudo está sendo do jeito que eu queria. Tudo está sendo, aí do seu lado, do jeito que você queria também. A gente não está mais junto, mas eu estou solteira e feliz. E você, o primeiro dia dos namorados sozinho, namorando. E corno.

Feliz dia dos namorados: para os solteiros com feridas cicatrizadas, como eu, para os fingidos, como você, e para os amores verdadeiros (aqueles que não prometem o que não cumprem). 

Comentários

  1. Uau! Adorei o desfecho, principalmente penúltimo e último parágrafo.

    Para comentar, um trecho de música de pagode rs. "Bola pra frente, cabeça erguida. Tudo bem, isso é normal. Um desamor não pode ser fatal".

    Sei que você está bem, e você não precisa sofrer por ninguém. (mesmo desconhecendo a história). Mas, como relatado, você deu a volta por cima e está bem. O jogo segue.

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