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Sua hora chegou

Nanda tentou muito. Viu gente que não se esforçou tanto ocupando os lugares que planejou para si, antes dela. Respirou fundo, renovou as forças e continuou tentando mesmo quando ela mesma não entendia porque tinha de ser tão difícil. Respirou fundo e continuou, porque o que lhe restava a fazer era ser persistente.

Sua persistência talvez não fosse entendida pela vizinha fofoqueira, pelos antigos conhecidos da escola, pela parte distante da família. Alguns achavam que ela estava fazendo alguma coisa errada. Mas Nanda continuava. Respirava fundo e continuava, mesmo cansada, desiludida e descrente.

Leu as mesmas histórias várias vezes. Refez cálculos e exercícios que talvez nunca mais queira ver. Aprendeu coisas que, tem certeza, não vai usar nunca mais na vida. Reclamou, é verdade. Uma, duas, muitas vezes. E viu, de novo, gente que nem lutou tanto assim ganhando prêmios pelos quais nem suaram.

Não que ela achasse que não fossem merecidos. Questionava-se, apenas. Por que não ela. Por que não logo. Por que tinha que voltar, respirar fundo, começar tudo de novo outra vez.

Nanda podia ter desistido. Jogado a toalha. Entrado aí em um desses becos que as pessoas entram para encurtar o caminho e facilitar o trajeto.  Podia não ter continuado. Podia ter deixado os planos e sonhos para lá e ido viver qualquer uma dessas vidinhas que outras pessoas viviam porque eram mais fáceis. Mas não.

Hoje, Nanda virou orgulho de família, de amigos, de conhecidos. É exemplo de gente que consegue por não desistir, por não jogar a tolha, por se esforçar até o último minuto.

Vai lançar um livro e passou em primeiro lugar na federal.

Não desistir valeu à pena, Nanda! Parabéns!

(Texto em homenagem a mais nova bixete da UFSJ, com seu honrado primeiro lugar em psicologia. Alguém que me fez aprender a gostar dela, mesmo discordando de algumas de suas opiniões, brigando com gente que eu gosto ou me dando vontade de bater de vez em quando. Nanz, parabéns, de novo, pelas suas conquistas. Tô orgulhosa!). 

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