15 de agosto de 2012

A última vez que eu quis falar que te amava


Era difícil admitir que aquela era a última vez. Um nó na minha garganta estava doido para se desfazer e gritar para que você não fosse, que ficasse e perdoasse minhas inseguranças, como tantas outras vezes gritei. Eu pediria que você perdoasse meus medos, meus desejos e meu amor desenfreado e você diria que era a última vez. Nós voltaríamos para a cama, você me abraçaria e ficaria tudo bem. Mas me impedi antes que minha fraqueza fosse mais forte do que eu. Deixei que pegasse suas coisas e não disse uma palavra, porque sabia há tempos o que não tinha coragem de admitir: nós não tínhamos futuro. 

Queria sim te agarrar a mão e pedir que não me deixasse jamais. Queria dizer que conseguiríamos superar todas as barreiras se estivéssemos juntos. Queria dizer que eu te amava e isso bastava. Mas não bastava, não. Logo você voltaria a se incomodar com meu amor e eu voltaria a me incomodar com a falta dele em você. Eu, que sempre gritei que meu amor era o suficiente para nós dois, era obrigada a confessar que seu não-amor me magoava como uma faca no coração que ninguém tinha coragem de arrancar.

Arrancar a faca podia causar falência múltipla no meu corpo. Meu coração podia sangrar até a morte e talvez diriam que tinha sido a decisão equivocada de te arrancar de mim abruptamente. Acontece que os médicos indicavam que a faca no peito impedia que meu coração batesse saudável. E sugeriram: arrisque o tudo ou nada. Ou se livra desse mal e fica bem, ou pelo menos se livra de uma morte lenta e dolorosa. 

E nós dois sabíamos que meu coração não andava nada saudável. Andava maltratado, maltrapilho,  acabado e destruído. 

Ainda assim, era difícil admitir, olhando para você com a mão na maçaneta, que aquela seria a última vez. Que eu não iria atrás, nem te imploraria atenção. Era difícil admitir que eu deixaria tudo aquilo para outra pessoa: uma mulher que conseguisse encarar sua falta de amor, suas desatenções constantes, sua infidelidade incontrolável. 

Era difícil admitir que, por mais que eu quisesse muito, nós não tínhamos muitos caminhos a tomar dali para frente. Estávamos presos em um caminho sem volta, sem retorno e sem saída. E exatamente por me encontrar nessa rua sem saída, eu era obrigada a abandonar o carro e parar de tentar acelerar contra o muro. Não tinha para onde ir e nós sabíamos disso. 

Doeria. Quer dizer, já dói. Você sequer me deixava ainda e eu já sentia saudades. Sequer partira e eu já tinha aquele sentimento de que nunca mais iria te ver. Pior: já me imaginava te encontrando depois de anos, perdidamente apaixonado por outra pessoa. E aí doeria ainda mais, porque me perguntaria por que você foi capaz de amá-la e não conseguiu jamais me amar também.

Era difícil admitir que era nossa última vez, mas era. Você foi embora, sem olhar para trás e eu apenas encarei a porta batida na cara. Minhas coisas continuavam aqui, minha dor continuava aqui, meu amor continuava aqui e eu continuava aqui. Mas você e meu coração já não estavam. Foi nossa última vez. 







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