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Deus me livre e guarde de nós dois

Escrevi seu nome no papel. Várias vezes. Escrevi seu nome, sobrenome, idade, endereço e telefone. Que são as coisas que eu ainda sei sobre você. Todo o resto, acho que nunca soube de fato. Achei que sabia que você me amava. Mas até isso era mentira.

Escrevi seu nome no papel e doeu como todas as outras vezes. Pensei que talvez até seu nome não fosse de verdade. Quem me garantia que você não havia mudado o nome de batismo por que não gostava dele? Qual é seu nome?

Repeti várias vezes a parte da música da Rita Lee enquanto preenchia uma folha inteira com seus dados: “Deus me livre e guarde de você, Deus me livre e guarde de você, Deus me livre e guarde de você”. Deus me livre e guarde de você e da sua falta de amor, das suas mentiras e das milhares de garotas que você gosta de enganar. Inclusive, Deus me livre e guarde de mim também, porque eu costumo cair demais na sua lábia.

Repeti seu nome várias vezes, até minha mão começar a doer. Você, para variar, causando algum tipo de dor em mim. Essa bem mais fraca do que aquela que você já deixou no meu coração. Mas tá cicatrizando, te juro.

Escrevi seu nome no papel. Várias vezes. Na folha inteira, frente e verso. E rasguei, amassei e queimei. Nessa última tentativa inútil de te apagar. Te apagar inteiro, sem deixar vestígios, em uma folha rasgada, amassada e queimada, totalmente apagado. Da folha, da minha vida e de mim.  

Comentários

  1. Que incrível! É difícil escolher meu texto preferido! Haha. Beijos!

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