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E viva o sucesso (pera, e o que é sucesso?)


"Um belo dia resolvi mudar e fazer tudo que eu queria fazer.
Um belo dia vou lhe telefonar. Pra lhe contar que aquele sonho..."
Aconteceu.
(*Rita Lee)

Acabar o Ensino Médio (com seus incríveis 17 anos de maturidade) sem saber o que fazer e não entrar na faculdade não pode. Mas fazer um curso qualquer só para se sentir uma pessoa mais importante porque tem um diploma é certo.

Casar com um cara meia-boca que você nem ama de verdade para agradar a família, tudo bem. Mas nem ouse engravidar e não casar só por causa do filho. Você vai ser julgada o resto da vida como “mãe-solteira”, como se isso fosse lá alguma coisa feia.

Ficar anos em um trabalho que faz mal para sua saúde, te faz infeliz e estressado, mas te paga bem, ok. Porque que te importa sua saúde, sua felicidade e calma quando o objetivo é ser apenas “bem sucedido”? Mas se ousar largar tudo e ir se esforçar para ganhar dinheiro no que realmente gosta: coitado, é louco.

Se falar que vai estudar Humanas: socorro, quer morar embaixo da ponte! Mas se resolver seguir a vontade do pai e ir fazer a “engenharia do momento”, aí sim, esse vai ser um sucesso na vida. (Alguém me define o que é ser um sucesso na vida?).

Agora, se quiser assustar mesmo, vai lá contar para o mundo que vai largar a faculdade para se dedicar ao teatro. “Ih, coitado, tá achando que vai chegar a algum lugar”. ZZZzzzz

Para seguir as regras dessa sociedade é bem fácinho, olha: você tem que ser diplomado, falar baixo, sorrir para os outros, consentir com a opinião de quem tem mais poder do que você, ler e assistir só o que eles querem, arranjar um trabalho chato, mas que te pague bem, e casar com alguém legal. Tem que formar família, ir a Igreja, seguir as convenções sociais e achar lindo o casal que suporta a infelicidade de 30 anos juntos porque o divórcio seria um escândalo (mesmo quando se traem por baixo do pano que é uma beleza).

Não ter um diploma não pode, morrer solteiro Deus te livre, abandonar uma carreira estável e rentável porque é chata, já manda internar porque é caso perdido. E eu aqui, tentando lembrar quando foi que vocês me contaram que o mundo ia ser assim tão chato. Que preguiça de tudo isso! Eu achei, lá atrás, que a pergunta era: “O que você quer ser quando crescer?” e não “E aí, vai topar ser o que os outros querem que você seja?”.

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