22 de setembro de 2012

El príncipe azul




Escuta, garota. Eu não sou aquele cara dos contos de fadas. Nem procuro uma Cinderela para mim, garota. Tira o sapato de cristal e vamos os dois comprar ali aquele all star da vitrine. Vem dançar comigo aquela música latina que você finge que não adora. Para, não precisa de tanta maquiagem assim. Eu gosto de você assim: normal, moça. Se eu quisesse uma princesa, eu tentava ser um príncipe.

Eu me arrumo mal, moça. E brigo por coisas idiotas. E sou grosso de vez em quando. E divido a conta quando o bolso aperta. E deixo você falando sozinha enquanto assisto ao futebol. E esqueço a data do nosso aniversário de namoro. E compro um presente que você não vai usar. E te deixo com ciúme porque ainda falo com a minha ex-namorada.

Não adianta quantas vezes você me beije, moça. Esse sapo jamais vai virar príncipe. Então, ou você aprende a amar o sapo ou você parte para outra, garota.

Eu sou errado mesmo. Apronto o tempo todo. Meus pais dizem que eu sou a ovelha negra da família. E a única coisa que eu já aprendi sobre o amor é que eu amo de um jeito completamente errado e torto.

Namorar com você já é muito, garota. Eu não sei como funciona essa coisa de um relacionamento monogâmico. Eu já traí outras vezes, outras moças. E elas sofreram e disseram que eu era um monstro. Ouviu bem, moça? Parece que eu sou um monstro. Nada a ver com aquele príncipe que você sonhou na sua infância. Você vai mesmo querer pagar para ver?

Não, garota. Não o tipo de monstro da Bela e a Fera. No final, eu não vou sofrer nenhuma grande transformação. Eu não vou parar de fazer as coisas que gosto porque seu amor vai me mudar, garota. Isso só acontece nos filmes. Se você quiser me amar, você vai ter que me amar exatamente assim: insuportável e cheio de manias.

Mas olha, garota. Eu acho que já tenho uma vantagem em meio a tudo isso. Como eu disse, eu posso ser errado, torto, um sapo e até um monstro. Mas, ainda assim, do meu jeito completamente estranho e sem saber direito como é isso, eu quero você para mim. E tenho a coragem de falar o que eu não falei para nenhuma outra: eu amo você. Sem ser princesa, sem sapato de cristal, sem precisar ser perfeita. Eu amo você assim, normal


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