Pular para o conteúdo principal

El príncipe azul




Escuta, garota. Eu não sou aquele cara dos contos de fadas. Nem procuro uma Cinderela para mim, garota. Tira o sapato de cristal e vamos os dois comprar ali aquele all star da vitrine. Vem dançar comigo aquela música latina que você finge que não adora. Para, não precisa de tanta maquiagem assim. Eu gosto de você assim: normal, moça. Se eu quisesse uma princesa, eu tentava ser um príncipe.

Eu me arrumo mal, moça. E brigo por coisas idiotas. E sou grosso de vez em quando. E divido a conta quando o bolso aperta. E deixo você falando sozinha enquanto assisto ao futebol. E esqueço a data do nosso aniversário de namoro. E compro um presente que você não vai usar. E te deixo com ciúme porque ainda falo com a minha ex-namorada.

Não adianta quantas vezes você me beije, moça. Esse sapo jamais vai virar príncipe. Então, ou você aprende a amar o sapo ou você parte para outra, garota.

Eu sou errado mesmo. Apronto o tempo todo. Meus pais dizem que eu sou a ovelha negra da família. E a única coisa que eu já aprendi sobre o amor é que eu amo de um jeito completamente errado e torto.

Namorar com você já é muito, garota. Eu não sei como funciona essa coisa de um relacionamento monogâmico. Eu já traí outras vezes, outras moças. E elas sofreram e disseram que eu era um monstro. Ouviu bem, moça? Parece que eu sou um monstro. Nada a ver com aquele príncipe que você sonhou na sua infância. Você vai mesmo querer pagar para ver?

Não, garota. Não o tipo de monstro da Bela e a Fera. No final, eu não vou sofrer nenhuma grande transformação. Eu não vou parar de fazer as coisas que gosto porque seu amor vai me mudar, garota. Isso só acontece nos filmes. Se você quiser me amar, você vai ter que me amar exatamente assim: insuportável e cheio de manias.

Mas olha, garota. Eu acho que já tenho uma vantagem em meio a tudo isso. Como eu disse, eu posso ser errado, torto, um sapo e até um monstro. Mas, ainda assim, do meu jeito completamente estranho e sem saber direito como é isso, eu quero você para mim. E tenho a coragem de falar o que eu não falei para nenhuma outra: eu amo você. Sem ser princesa, sem sapato de cristal, sem precisar ser perfeita. Eu amo você assim, normal

Comentários

Postar um comentário

Gostou do post? Deixa sua opinião ou sugestão de post aqui que a gente vai adorar ler! ;)

Postagens mais visitadas deste blog

A história do fim de uma amizade

Você sentiu falta. Ligou, procurou, correu atrás. É estranho que isso tenha acontecido depois de tanto tempo. É estranho que tenha acontecido quando a alegria acabou, o namoro acabou, aquela sua maré ótima acabou. É estranho que você tenha buscado o colo e não a comemoração. Você sentiu falta, e eu queria que isso tivesse acontecido antes. Sentiu falta, e eu queria que eu voltasse a me importar com isso. 
Você veio, me abraçou, e teve um abismo enorme entre nossos dois corpos. A gente não soube o que falar, não soube até onde podia ir uma com a outra, não soube que novidades contar, não soube nada. Rimos aqui, ali, falamos aquele superficial que falamos com uma colega qualquer e depois nos perdemos em um silêncio que durou minutos, mas pareceu durar uma vida. 
Durou uma vida. Nossa amizade, tantos anos de risadas, de abraços, de choros, de lágrimas. E por isso é quase desumano soltar a mão de alguém que esteve com a mão entrelaçada na minha durante todo esse tempo. Mas acredito que nos …

Querido namorado da minha ex-melhor amiga,

Ela chorou durante uma semana quando o primeiro cara quebrou o coração dela. E a gente passou o fim de semana vendo Diário de Uma Paixão e Um Amor Pra Recordar por vezes seguidas. A gente comeu brigadeiro, e tomou sorvete, e eu dei colo, e eu ouvi e limpei as lágrimas. Você não viu, porque você não tava lá, mas eu tava. 
Ela sofreu para escolher que faculdade iria fazer. E me fez ir a palestras e cursos com ela, mesmo que eu não estivesse interessada em nada daquilo. E me fez saber um pouco mais sobre as profissões que tava considerando. E pediu minha opinião milhões de vezes. E só decidiu o que iria prestar no vestibular aos quarenta e cinco do segundo tempo. Você não ficou nervoso com a ansiedade de ver se ela tinha passado na faculdade pública, mas eu fiquei. Porque você não tava lá, e eu tava. 
Ela conheceu um monte de babacas nos anos seguintes. E algumas vezes chorou, algumas vezes bebeu, algumas vezes disse que nunca mais ia ficar com cara nenhum. Algumas vezes ela só dormiu com …