6 de setembro de 2012

Não era ninguém




Eu estava lá, quieta no meu canto. Eu podia ter começado um novo curso, ido para a balada que minha melhor amiga me convidara ou ter assistido a um filme com minha mãe em casa. Eu podia ter ligado para o meu ex só para ter certeza de que o amor já havia acabado mesmo. Sabe, essas coisas que a gente pode fazer quando não se está fazendo nada. Mas eu fui, olha só, deixar que você entrasse na minha vida. E aí pronto.

Eu tinha uma vida movimentada. Uma faculdade prestes a acabar, com trabalhos quase impossíveis de fazer e o medo da primeira DP da minha vida. Eu estagiava em uma empresa que estava uma loucura com a  época eleitoral que estava começando. Eu trabalhava em um novo projeto da família que deveria entrar em ação no próximo mês. Eu ajudava a mobiliar nosso apartamento. Uma vida movimentada, como você pode ver.

É claro que, de vez em quando, eu sentia que faltava algo. Você sabe, carência ou qualquer coisa assim. Mas passava, sempre passava. E quando não passava, eu ligava para ele e lembrava que a época com mais amor na minha vida não foi necessariamente a época mais feliz da minha vida. Mas aí você resolveu aparecer.

Como quem não queria nada, eu fui deixando que você dominasse meus pensamentos. Não liguei quando comecei a pensar mais em você do que na faculdade, no meu emprego, na mobília do meu quarto e no projeto do meu pai. Tudo bem, eu não estava fazendo nada. Nem você também. Que mal podia haver, não é?

Você não era especial, eu não era especial, a gente estava ali só e pronto. A gente só se ligava de vez em quando só e pronto. A gente dizia para os amigos que o outro não-era-ninguém e pronto. A gente disse assim em  segredo acho-que-eu-me-apaixonei-por-você só e pronto. E pronto. Nem era grande coisa. Era?

Eu estava lá, quieta. E deveria ter ficado quieta na minha. Mas fui te deixar entrar aqui na minha bagunça e comecei a pensar que você era meu.

Agora, eu continuo tendo muita coisa para pensar: minha faculdade, meu emprego, minha família, minha casa. Tudo aquilo continua aqui. Mas eu penso em você também, com mais frequência do que deveria pensar em alguém que “não-era-ninguém”. Mas, olha só, você não continua aqui como as outras coisas.

A sua parte você cumpriu direitinho, como estava no trato: para você, eu não era mesmo ninguém. 


Comentários
1 Comentários

Um comentário:



  1. Seu blog é lindo, muito fofo mesmo*0* parabéns!! Já estou te seguindo amada =))

    Convido voce e suas leitoras a conhecer meu blog

    toobege.blogspot.com

    Beijinhoooos ;**

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