19 de setembro de 2012

Você não estava tão a fim dele



Talvez tenha sido porque ele ligou demais, ligou de menos, porque ele sugeriu dividir a conta logo no primeiro encontro.  Talvez ele não tivesse pegada, ou era cafajeste demais, ou chorou no meio do filme mais do que você. Talvez a culpa seja das unhas roídas dele que te davam agonia. Ou da sobrancelha grossa demais. Talvez tenha sido falta de alguma coisa, excesso de alguma coisa. Talvez tenha sido por aquilo que você vive repetindo por aí: homens são todos iguais. E ele não foi nem um pouco diferente.

Quando você o conheceu, achou mesmo que poderia ser ele. Até mais do que achou, fez prece, desejou, implorou, quase rogou “que seja esse, que seja esse”. Coisa de gente que acha que está pronta para amar. Mas aquela mania de te chamar de princesa quase fez você se jogar da janela. As músicas que ele escutava, Deus te livre desse mal! E os amigos dele...

Você poderia ter relevado a regata para ir ao shopping. Podia ter fingido que não viu o erro de português no Facebook. Podia até ter curtido um pouco aquele bar de pagode que ele te levou, porque a companhia era boa. Você podia ter perdoado cada uma daquelas coisas que você odeia em todos os outros caras, porque seriam defeitos dele. E a gente aceita os defeitos de quem a gente gosta.

Se ele tivesse ligado menos, você reclamaria. Se tivesse demorado para marcar o próximo encontro, tava te usando só como step. Se não dissesse que te amava, diria que ele só queria te comer. Aí ele ligou, marcou o próximo encontro, disse que amava. Tudo o que você queria ter visto e ouvido dos outros caras. Mas não era ele.

E aí você continua repetindo que homens são todos iguais. Fica aí se perguntando o porquê você nunca é a exceção, é sempre a regra. Ele (esse, finalmente!) estava muito a fim de você.

Mas.....não era ele!  


Comentários
4 Comentários

4 comentários:

  1. awwwn que texto lindo geente, amei, pode parar de falar de mim por ai, sério! rs

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  2. Isso foi exatamente o que aconteceu comigo. Desse mesmo jeito: ele gosta de bandas que eu não curto; ouvia música alta (e eu detestava, senti vergonha naqueles instantes, mas depois comecei a me "acostumar"); eu realmente não curtia as pessoas da cidade que ele morava, mas eu fui até lá por causa dele; eu tentei me apaixonar por ele, mas eu não consegui; se eu tivesse sido mais persistente, talvez com o tempo eu conseguiria, mas a distância e o medo impediu que eu fizesse isso. Hoje guardo saudade dele. Só isso. Saudade de saber que tinha alguém ali, que se preocupava comigo. Quanto arrependimento :'( Mas penso que seja tarde demais pra ir atrás dele agora.

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    1. É uma pena quando a gente só percebe que gostava de alguém depois que perde.
      Mas serve para prestarmos mais atenção nas pessoas que continuam por perto!

      Obrigada pelo comentário!
      Beijos

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  3. Ele cursava engenharia e eu fugindo dos números cursando Direito. Ele gostava de música internacional e eu não trocava minha Marisa Monte por nada nesse mundo. Ele gostava de sair e eu pagava para ficar embaixo das cobertas assistindo um filme. Ele gostou muito de mim e eu estava ocupada demais tentando revelar nossas diferenças. As vezes estamos ocupadas demais colocando defeitos em algo que não queremos e esquecemos de tentar. Mas o bom são as lembranças boas que ficam.. E ficarão.

    Amei o texto!!

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